História em Revista https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/HistRev <p>O periódico <em>História em Revista</em>, uma publicação semestral do Núcleo de Documentação Histórica da Universidade Federal de Pelotas e vinculada ao Programa de Pós-Graduação em História da UFPel,&nbsp; tem como objetivo a divulgação da produção historiográfica ou de áreas afins, na forma de artigos, ensaios bibliográficos e resenhas. Buscando contribuir com o desenvolvimento da pesquisa, publica, também, matérias sobre organização de acervos documentais e depoimentos ou documentos históricos inéditos de significativo interesse para a pesquisa histórica.</p> <p><strong>Qualis:</strong>&nbsp; B1</p> <p><span data-sheets-value="{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:&quot;A4&quot;}" data-sheets-userformat="{&quot;2&quot;:2627,&quot;3&quot;:{&quot;1&quot;:0},&quot;4&quot;:{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:16776960},&quot;9&quot;:1,&quot;12&quot;:0,&quot;14&quot;:{&quot;1&quot;:3,&quot;3&quot;:1}}"><strong>ISSN:</strong>2596-2876</span></p> UFPel pt-BR História em Revista 1516-2095 <p><span>Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:</span></p><p><span>1. Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a </span><a href="http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/" target="_new">Licença Creative Commons Attribution</a><span> que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.</span></p><p><span><span>2. Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.</span></span></p><span><span><span>3. Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado</span><span>.</span></span></span> Quem decide o que será lembrado? https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/HistRev/article/view/30851 <p>Este artigo investiga os impactos da inteligência artificial (IA) na governança de acervos digitais e suas implicações para o direito à memória, especialmente de grupos historicamente marginalizados. Diante da crescente automação dos processos de seleção, classificação e acesso a conteúdos digitais, questiona-se quem detém o poder de decidir o que será preservado e lembrado. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa de cunho teórico-crítico, fundamentada em autores como Derrida, Caswell, Ruha Benjamin e José van Dijck, articulando estudos arquivísticos, teoria da memória e crítica algorítmica. A análise revela que os algoritmos, frequentemente opacos e orientados por lógicas comerciais ou hegemônicas, tendem a reproduzir desigualdades e apagar narrativas periféricas. Conclui-se que a defesa do direito à memória exige mecanismos democráticos de curadoria digital, transparência algorítmica e o fortalecimento de instituições contra-hegemônicas — como arquivos comunitários e centros de documentação — capazes de resistir à colonização da memória pela lógica automatizada.</p> Denis Ramón Funes Flores Copyright (c) 2026 História em Revista 2026-08-28 2026-08-28 31 2 12 21 10.15210/hr.v31i2.30851 Coletânea do Arquivo do Senado Federal e os desafios de uma História Pública dentro do Poder Legislativo https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/HistRev/article/view/31338 <p><span style="font-weight: 400;">O objetivo deste artigo é refletir sobre os desafios enfrentados pelo Arquivo do Senado Federal no campo da História Pública. Em outras palavras: que tipo de História Pública os servidores dessa instituição produzem, quando se voltam a estudar o nosso passado? Para tanto, será realizada, inicialmente, uma breve contextualização dos setores do Arquivo responsáveis pela difusão do acervo e, em seguida, com base em Arendt (2014) e Habermas (2014), traremos algumas reflexões sobre que tipo de História Pública é produzida pelos servidores da Administração Pública em linhas gerais. Por fim, será apresentada a “Coletânea do Arquivo do Senado Federal”, a fim de demonstrar como essa iniciativa foi desenhada para enfrentar alguns dilemas desse novo campo historiográfico dentro do Poder Legislativo brasileiro.&nbsp;</span></p> Alexandre Alves de Sousa Moreira Copyright (c) 2026 História em Revista 2026-08-28 2026-08-28 31 2 22 34 10.15210/hr.v31i2.31338 “Histórias Compartilhadas” https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/HistRev/article/view/31588 <p><span style="font-weight: 400;">O artigo analisa a dimensão pública das narrativas da Coleção de História Oral do Museu da Imigração do Estado de São Paulo (MI), a partir da iniciativa “Histórias Compartilhadas”. Inserido no campo da História Pública, investiga como relatos de migrantes, especialmente nordestinos, são produzidos e difundidos por meio da Nova Museologia/Museologia Social no MI. A metodologia combina revisão bibliográfica e análise documental, História Oral, articulando memória e produção compartilhada. Argumenta-se que o acervo promove a construção coletiva de sentidos sobre a migração, ampliando o acesso ao conhecimento histórico. O museu atua como espaço de mediação entre diferentes vozes e temporalidades. Conclui-se que a iniciativa reforça o papel social dos museus ao valorizar memórias plurais e democratizar a história.&nbsp;</span></p> <p>&nbsp;</p> Pedro Jardel Fonseca Pereira Pereira Copyright (c) 2026 História em Revista 2026-08-28 2026-08-28 31 2 35 54 10.15210/hr.v31i2.31588 Arquivos que revelam: o NDH/UFPel e suas articulações entre História Pública, democratização do conhecimento e História das Mulheres https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/HistRev/article/view/31604 <p>O presente artigo discute o papel do Núcleo de Documentação Histórica (NDH) da Universidade Federal de Pelotas na preservação e utilização de processos da Justiça do Trabalho como fontes para a História das Mulheres. Analisa-se como esses documentos permitem acessar experiências de trabalhadoras historicamente invisibilizadas, evidenciando desigualdades de gênero, conflitos laborais e táticas de resistência. Fundamentado nos aportes da História do Trabalho, da História Pública e da História das Mulheres, o estudo destaca a relevância do NDH na democratização do conhecimento histórico por meio da pesquisa, digitalização e difusão de seus acervos. Além disso, enfatiza-se o potencial da História Pública para ampliar o acesso ao conhecimento histórico e fortalecer o diálogo entre universidade e sociedade. Conclui-se que a articulação entre preservação documental, investigação histórica e difusão pública contribui para a valorização de memórias marginalizadas e para a construção de uma consciência histórica crítica acerca das relações entre gênero, trabalho e direitos.</p> <p><strong>Palavras-Chave: História Pública; História das Mulheres; Processos Trabalhistas; Justiça do Trabalho</strong></p> Andreina Corpes Copyright (c) 2026 História em Revista 2026-08-28 2026-08-28 31 2 55 77 10.15210/hr.v31i2.31604 Memória contra o silêncio: o trabalho da Comissão Universitária da Verdade/UFPel como ferramenta para a prática da história pública https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/HistRev/article/view/32050 <p>O presente artigo busca demonstrar como o trabalho da Comissão Universitária da Verdade da UFPel (CUV/UFPel) se conecta com a sociedade por meio da chamada História Pública. Investigar os afastamentos, as perseguições políticas e a vigilância ocorridos na UFPel durante a ditadura civil-militar (1964-1985) não se limita à reconstrução factual do passado, mas responde a um mal-estar do tempo presente que demanda respostas institucionais. O trabalho da Comissão será apresentado a partir dos resultados parciais da pesquisa desenvolvida até o momento, bem como de propostas voltadas à divulgação científica da documentação encontrada. A experiência da Comissão evidencia que a compreensão dos traumas do passado constitui um processo vivo e em constante disputa, uma vez que o direito à verdade se configura como ferramenta essencial para o fortalecimento da democracia, tanto no interior da universidade quanto para além dela.</p> <p><strong>Palavras-chaves</strong>: História Pública; Comissões da Verdade; Ditadura Militar; UFPel</p> Nádia Coelho Kendzerski Natasha Dias Castelli Copyright (c) 2026 História em Revista 2026-08-29 2026-08-29 31 2 78 94 10.15210/hr.v31i2.32050 Entre o trabalho e os filhos https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/HistRev/article/view/31346 <p>Este artigo analisa o serviço doméstico na escravidão urbana no Rio de Janeiro, a partir de anúncios de venda e aluguel de mulheres-mães escravizadas, publicados no <em>Jornal do Commercio </em>nos primeiros meses de 1870. O argumento do estudo é que as fontes analisadas, para além de sua função comercial, produziram e difundiram expectativas senhoriais sobre trabalho, conduta e disponibilidade corporal, consolidando o serviço doméstico como um espaço profundamente racializado e feminino. Nessa perspectiva, observa-se também como as maternidades de mulheres escravizadas foram sistematicamente precarizadas e submetidas a constantes negociações, tornando-se uma experiência sujeita a contínuos rearranjos.</p> Nubia Sotini dos Santos Copyright (c) 2026 História em Revista 2026-08-29 2026-08-29 31 2 95 111 10.15210/hr.v31i2.31346 Roteiros negros no Paraná: https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/HistRev/article/view/31445 <p>Este artigo apresenta resultados de práticas de história pública desenvolvidas no âmbito da extensão universitária em três cidades paranaenses: Curitiba, Paranaguá e Ponta Grossa, com menção a uma iniciativa em construção em Jacarezinho. Denominados "Roteiros Negros", os projetos articulam memória, patrimônio cultural e educação antirracista em uma perspectiva negro-centrada, problematizando narrativas hegemônicas e promovendo letramentos raciais críticos. A análise ancora-se nos conceitos de territórios negros, educação patrimonial, consciência histórica e história pública, demonstrando como percursos guiados podem constituir estratégias contra-hegemônicas de ensino de História comprometidas com a Lei 10.639/2003 e com a visibilidade das experiências negras no Sul do Brasil.</p> Noemi Santos da Silva Merylin Ricieli dos Santos Copyright (c) 2026 História em Revista 2026-08-29 2026-08-29 31 2 112 129 10.15210/hr.v31i2.31445 O primeiro negro no futebol da elite pelotense https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/HistRev/article/view/31496 <p>Este estudo tem como objetivo estabelecer uma análise que perpassa os principais momentos da linha do tempo do futebol brasileiro no começo do século XX, resgatando a herança promovida pelo período de pós-abolição de 1888. Desse modo, a pesquisa aprofunda sua crítica ao discorrer acerca das inserções do atleta negro nos clubes profissionais, fato ocorrido somente a partir dos anos de 1930, quando ocorre a profissionalização da modalidade no Brasil. O percurso metodológico deste trabalho faz uso de uma pesquisa bibliográfica que abrange obras que abarcam o futebol nacional, mas principalmente as que remetem à gênese desse esporte na cidade de Pelotas. Ademais, este trabalho faz uso da micro-história enquanto técnica para abordar em um capítulo a primazia do primeiro negro em um clube profissional do futebol pelotense. Por fim, o presente estudo traz em suas considerações a importância do futebol na cidade de Pelotas enquanto cenário de resistência ao preconceito racial e de distinção social promovida pelas elites nos primórdios da prática desse esporte nessas localidades.&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;</p> Gabriel Ribeiro Copyright (c) 2026 História em Revista 2026-08-29 2026-08-29 31 2 130 144 10.15210/hr.v31i2.31496 Da formação Coimbra à coordenação imperial: elites, províncias e unidade territorial no Brasil oitocentista em perspectiva ibero-americana https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/HistRev/article/view/31778 <p>O artigo revisita a hipótese de José Murilo de Carvalho sobre Coimbra, elite imperial e unidade territorial brasileira. Argumenta-se que a formação jurídico-burocrática da elite foi decisiva, mas insuficiente como causa autônoma. A unidade brasileira resultou de uma coordenação imperial que combinou Corte, dinastia, burocracia, províncias, coerção, fiscalidade, escravidão e memória política. Em vez de opor uma elite brasileira homogênea a uma América espanhola fragmentária, o texto compara modos distintos de administrar a crise da soberania nos impérios ibéricos. A contribuição consiste em deslocar a tese coimbrã para uma explicação configuracional, na qual a unidade aparece como conquista conservadora, não como destino nacional.</p> Thiago Perez Bernardes de Moraes Copyright (c) 2026 História em Revista 2026-08-29 2026-08-29 31 2 145 167 10.15210/hr.v31i2.31778 O Empório das Artes e a presença indígena no Museu de Arte Sacra do Pará https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/HistRev/article/view/30379 <p>Neste artigo demonstra-se a importância de trabalhar os espaços museológicos como ferramenta de ensino no campo da História, destacando os sujeitos que compõem os processos históricos da capital paraense e as diversas narrativas que sistematizam os complexos patrimoniais da região, com ênfase no foco deste estudo: o Museu de Arte Sacra e a sala nele presente, o <em>Empório das Artes</em>. Pretende-se analisar como o museu está estruturado para apresentar exposições relacionadas à cultura regional, especialmente às produções de artefatos indígenas expostas na referida sala. O objetivo é compreender as narrativas que estão presentes diante do museu e, por conseguinte, como estão estabelecidas nas mediações que ocorrem dentro do espaço. A metodologia de pesquisa foi realizada a partir de formulários Google e a realização de entrevistas semiestruturadas, nas quais foi possível estabelecer visões sobre o museu, bem como seus usos, em particular em perspectiva educacional. Por fim, entendemos como a forma estrutural do museu seleciona narrativas, o qual acaba contribuindo para o silenciamento de certos sujeitos.</p> Diego Santos Mariane Borges Gabriel Pacheco Laís Sousa Lorena Souza Copyright (c) 2026 História em Revista 2026-08-29 2026-08-29 31 2 168 181 10.15210/hr.v31i2.30379 Arquiteturas do progresso: Manaus, a Belle Époque e o projeto urbano republicano na Amazônia https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/HistRev/article/view/30455 <p>A pesquisa analisa as arquiteturas simbólicas e materiais da cidade de Manaus durante a Belle Époque, compreendendo-as como expressão concreta das contradições entre modernidade e marginalidade no contexto republicano amazônico. O estudo tem como objetivo interpretar como o projeto urbano do período articula progresso, memória e exclusão, revelando o urbano como campo de poder, representação e disputa. A investigação adota abordagem qualitativa, de natureza histórico-interpretativa, fundamentada em análise bibliográfica e hermenêutica das práticas urbanas e de seus vestígios materiais e simbólicos. A metodologia privilegia a leitura crítica de fontes históricas, registros arquitetônicos e narrativas memorialísticas, observando como o discurso da civilização se traduziu em políticas de visibilidade e apagamento. Os resultados indicam que as arquiteturas do progresso, longe de consolidarem uma modernidade plena, instituem um imaginário urbano fragmentado, no qual luxo e ruína coexistem como faces complementares da experiência amazônica. Conclui-se que o espaço manauara é mais que cenário: é um organismo de memória, cuja materialidade traduz tanto o desejo de pertencimento quanto as marcas de exclusão que o sustentam.</p> Janderson Gustavo Soares de Almeida Clodoaldo Silva Maria das Graças Maciel de Oliveira Denison de Aguiar Copyright (c) 2026 História em Revista 2026-08-29 2026-08-29 31 2 182 198 10.15210/hr.v31i2.30455