Revista Memória em Rede
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<p>A revista Memória em Rede é um periódico eletrônico que publica trabalhos inéditos que versem sobre os temas processos de patrimonialização, políticas públicas para o patrimônio, patrimônio material e imaterial, estudos em memória social, estudos sobre memória e identidade ou ainda tratem da organização de acervos, sua conservação e restauro, recuperação e acessibilidade para pesquisa e outros temas relacionados.</p> <p><strong>Qualis:</strong> A2</p> <p><span data-sheets-value="{"1":2,"2":"A4"}" data-sheets-userformat="{"2":2627,"3":{"1":0},"4":{"1":2,"2":16776960},"9":1,"12":0,"14":{"1":3,"3":1}}"><strong>ISSN:</strong> 2177-4129</span></p> <p><object id="1939290a-18c8-bb9e-fb99-6b8419adbcb9" type="application/gas-events-abn" width="0" height="0"></object></p> <p> </p>Universidade Federal de Pelotaspt-BRRevista Memória em Rede2177-4129A revista se reserva o direito de efetuar nos originais alterações de ordem normativa,ortográfica e gramatical, com vistas a manter o padrão culto da língua, respeitando,porém, o estilo dos autores. As provas finais não serão enviadas aos autores.O Conselho Editorial não se responsabiliza por opiniões emitidas pelos autores dos trabalhos publicados. Os trabalhos aceitos para publicação passam a ser de propriedade da Revista Memória em Rede, não podendo, o autor, reclamar, em qualquer época ou sob qualquer pretexto,remuneração ou indenização pela publicação. A reimpressão, total ou parcial, dos trabalhos publicados é sujeita à autorização expressa do Programa de Pós-Graduação em Memória Social e Patrimônio Cultural.OBS. Cabe(m) ao(s) autor(es) as devidas autorizações de uso de imagens com direito autoral protegido (Lei nº 9610, de 19 de fevereiro de 1998), que se realizará com o aceite no ato do preenchimento da ficha de inscrição via web.Apresentação
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<p>O dossiê CIDADES E SUAS MÚLTIPLAS ABORDAGENS: MEMÓRIA, PATRIMÔNIO E IMAGINÁRIO procura abordar diferentes perspectivas teóricas e metodológicas para pesquisas que tomam as cidades como objeto de pesquisa. Diferentes áreas do conhecimento se apropriam da cidade como objeto de pesquisa, isso implica a necessidade de pensar nessa multiplicidade de abordagens, nas possibilidades temáticas para a pesquisa; nos possíveis encontros e desencontros teóricos e metodológicos nas ciências humanas e outras áreas de interesse; nas diferentes tendências de estudos dentro da história das cidades; nas especificidades de uma história da cidade como campo de pesquisa. Além desses temas, a memória e o patrimônio cultural no mundo urbano, as representações e imagens das cidades em diferentes suportes e mídias (audiovisual, cinema, história em quadrinhos, fotografia, jogos, literatura, entre outras), as utopias e distopias urbanas presentes tanto em documentos relativos ao planejamento urbano, quanto nos imaginários sociais constituem tópicos centrais para quem se debruça sobre as cidades e são contemplados no dossiê.</p>Bruno Rafael de Albuquerque GaudêncioEduardo Roberto Jordão KnackJefferson Evânio da Silva
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2026-01-282026-01-2818341610.15210/rmr.v18i34.31024Organização Espacial da Cidade de Caçador, Santa Catarina, Brasil:
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<p class="western" align="justify"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><span style="font-size: small;">Resumo: Para compreender como o espaço urbano do município de Caçador, no estado de Santa Catarina, região Sul do Brasil, foi estruturado, este artigo realizará uma análise desse processo. Através de imagens, mapas, relatórios e referências bibliográficas relacionadas ao tema, buscamos exemplificar como ocorreu a estruturação da paisagem urbana. Inicialmente, será conduzido um estudo sobre os primeiros traçados que deram origem à organização espacial do município de Caçador, destacando as principais transformações ocorridas entre 1917 e 1934, ano em que o município se emancipou. Na segunda parte, através da análise de decretos e leis municipais, buscamos entender as ações governamentais e seus impactos na configuração dessa paisagem urbana, até 1950. </span></span></p>Jaisson Teixeira LinoThiago Ribeiro
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2026-01-282026-01-28183473110.15210/rmr.v18i34.30512Inventário Participativo de Bocaina
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<p>O artigo discute o papel da participação social na preservação do patrimônio cultural, tomando a cidade de Bocaina, no interior paulista, como objeto de estudo. Adota-se a noção ampliada de patrimônio, que questiona a visão tradicional centrada na monumentalidade e defende sua compreensão a partir dos valores atribuídos pelos sujeitos que o vivenciam. Para tanto, foi realizado um Inventário Participativo na cidade, cujos participantes foram alunos de 3º e 5º anos da Escola Municipal Deputado Leônidas Pacheco Ferreira. A metodologia baseou-se na elaboração de mapas afetivos, produzidos por meio de desenhos individuais e coletivos, como recurso para revelar memórias, percepções e vínculos afetivos com a cidade. Os resultados mostram que, além dos bens reconhecidos, emergem referências cotidianas que estruturam a vida local e reforçam identidades coletivas. Assim, a experiência contribuiu não apenas para identificar patrimônios significativos, mas também para destacar a importância da participação social na preservação patrimonial.</p>Ana Laura AssumpçãoPaulo César Castral
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2026-01-282026-01-281834326110.15210/rmr.v18i34.30489STELLA, AUGUSTA E SANTA EULÁLIA
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<p>Pelotas, no Rio Grande do Sul, destaca-se pelo seu patrimônio cultural edificado, entre o qual as <em>villas</em> representam um tipo arquitetônico significativo do início do século XX. Este artigo analisa como o registro e a divulgação desses exemplares em rede internacional podem contribuir para a compreensão das transformações da cidade. O estudo enfoca as <em>Villas </em>Stella, Augusta e Santa Eulália, descrevendo suas características e evidenciando como cada uma expressa valores e particularidades de seu período de construção. A metodologia empregada inclui revisão bibliográfica, pesquisa histórica com levantamento documental e iconográfico, análises tipológicas, produção de peças gráficas e registro fotográfico sistemático. Os principais resultados consistem na elaboração de documentação detalhada das villas, revelando aspectos arquitetônicos, estéticos e suas mudanças ao longo do tempo. A disponibilização do material em repositório digital amplia o acesso público e favorece a difusão do conhecimento, fortalecendo a valorização e preservação do patrimônio cultural pelotense.</p>CARINA FARIAS FERREIRAFranciele Fraga PereiraAline Montagna da SilveiraAnnelise Costa Montone
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2026-01-282026-01-281834628210.15210/rmr.v18i34.30528Produzir, ver, esquecer:
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<p style="font-weight: 400;">O artigo investiga a formação, circulação e estabilização do imaginário urbano de Ouro Preto entre 1938 e 1988, articulando políticas de preservação, práticas sociais e regimes de visibilidade. Argumenta-se que a cidade-patrimônio foi produzida por dispositivos institucionais – normativos, formais e fotográficos – que definiram o que deveria ser visto, reconhecido e consagrado como expressão legítima da cidade histórica. A fotografia institucional do IPHAN operou como tecnologia de enquadramento ao depurar presenças, reiterar composições e naturalizar uma paisagem harmônica e atemporal, convertida em matriz perceptiva amplamente difundida. À luz de Rancière, discute-se como esse processo instituiu uma partilha do sensível que excluiu práticas populares, conflitos de moradia e transformações urbanas; em diálogo com Annie Ernaux, examinam-se insurgências do olhar capazes de devolver densidade à experiência cotidiana. Ao integrar análises formais, visuais e sociais, o artigo demonstra que o imaginário urbano de Ouro Preto resulta de tensões entre a cidade representada e a cidade vivida, revelando o patrimônio como campo de disputa e a paisagem como operação política contínua.</p> <p style="font-weight: 400;"> </p> <p style="font-weight: 400;">Palavras-chave: patrimônio cultural; imaginário urbano; fotografia; Ouro Preto; regimes de visibilidade.</p>Gabriel Luz de Oliveira
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2026-01-282026-01-2818348310210.15210/rmr.v18i34.30527Curitiba fora do mapa
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<p>Este artigo analisa a representação de Curitiba, na literatura de Dalton Trevisan, realçando memória, patrimônio simbólico e imaginário urbano. A abordagem privilegia a discussão sobre contos, minicontos e poemas que trazem a cidade como protagonista/antagonista. O estudo divide-se em três seções. A primeira, “Curitiba: muito além da cartografia oficial”, aborda a cidade subjetiva e afetiva que emerge da ficção. Em “Curitiba em ruínas”, discute-se o confronto entre cidade íntima e modernização, que apaga rastros e transforma o espaço urbano. A terceira parte, intitulada “O exílio dentro da cidade”, trata do sentimento de não pertencimento, que é resultado do desencontro entre sujeito e cidade. Os principais referenciais teóricos mobilizados são Sandra Pesavento, Michel de Certeau e Pierre Nora. Nesse contexto, a literatura de Dalton Trevisan é apresentada como estratégia de contestação, porque tensiona as fronteiras entre realidade e invenção, oferecendo ao leitor uma cidade feita de perdas, lembranças e deslocamentos.</p>Verônica Daniel Kobs
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2026-01-282026-01-28183410312710.15210/rmr.v18i34.30541Memória e cidade em Vitor Ramil e Saúl Ibargoyen
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<p>No presente texto, analisamos duas obras literárias, <em>Satolep</em>, do escritor pelotense Vitor Ramil, e <em>Volver... volver</em>, do escritor uruguaio Saúl Ibargoyen, com o objetivo de refletir sobre a representação das cidades de Pelotas e Montevidéu, respectivamente, feitas a partir das memórias e da relação afetiva dos autores com elas. Questões caras a essa discussão são as ideias relacionadas à cidade enquanto registro, a partir de Renato Gomes, e imaginário, a partir de Ricardo Piglia, e à memória, a partir de Jöel Candau, Henri Bergson e Walter Benjamin. Infere-se que Vitor Ramil e Saúl Ibargoyen compõem uma imagem mental de cidade que está conectada com suas memórias mais íntimas e afetivas, direcionando o leitor para uma representação muito particular do lugar. Contribuímos para a discussão sobre abordagens múltiplas de uma cidade, fazendo uma leitura a partir de uma representação estética, a literatura.</p>Marlise BuchweitzMaria Leticia Mazzucchi Ferreira
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2026-01-282026-01-28183412814810.15210/rmr.v18i34.30484Imaginários urbanos, cidade e território
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<p>O artigo é um recorte do projeto “Porto Alegre Imaginada Digital”, que estuda a percepção dos moradores da cidade sobre aspectos culturais, econômicos, sociais e de infraestrutura. Analisa as representações dos cidadãos sobre duas vias públicas, Voluntários da Pátria e Farrapos, lugares significativos da cidade. Apresenta o referencial teórico-metodológico dos imaginários urbanos, proposto por Armando Silva. Realiza análise descritiva e comparativa a partir dos resultados alcançados pelo questionário aplicado, as informações oficiais, e as imagens e os comentários divulgados/compartilhados na rede social Facebook, grupo público “Porto Alegre é demais - Fotos (Oficial)”. Conclui que as duas vias públicas, Voluntários da Pátria e Farrapos e seus entornos, na porção localizada entre os bairros Centro Histórico e Floresta, são citadas na pesquisa e no imaginário urbano associadas à prostituição e a ambientes decadentes, degradados, sujos, perigosos e violentos.</p>Ana Maria Giovanoni FornosValdir José MorigiLuis Fernando Massoni
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2026-01-282026-01-28183414917610.15210/rmr.v18i34.30138Ruínas e imaginários urbanos
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<p class="Default" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif; color: windowtext;">Os vestígios materiais de patrimônios industriais constituíram-se em um vasto campo de estudos que suscita questionamentos sobre a validade de sua permanência e por quem e para quem devem ser conservados, principalmente quando se transformaram em ruínas. Selecionadas para este estudo, a Estação Ferroviária de Cachoeira Paulista, localizada no Vale do Paraíba paulista, e uma antiga fábrica de farinhas em <em>Peñaflor</em>, na região de Andaluzia, Espanha, são exemplos de espaços pós-industriais vazios e abandonados pelas instituições públicas e privadas. Ambas as edificações, importantes em seus territórios, possuem significado para além de sua materialidade e fazem parte de um conjunto de imaginários urbanos nessas cidades. Com a análise histórica de ambas, aliada à investigação das novas necessidades urbanas dos territórios em questão, foi possível avaliar e refletir sobre instrumentos que poderiam torná-las visíveis para as comunidades envolvidas, promovendo sua proteção e gestão ativa e sustentável.</span></p>Renata Rendelucci AllucciMaria Cristina da Silva SchicchiEnrique Larive López
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2026-01-282026-01-28183417720210.15210/rmr.v18i34.30279Cidades do interior
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<p>O presente texto discute a configuração de certo momento do discurso etnográfico sobre cidades do interior pernambucano no contexto da Ditadura Militar brasileira. Discute-se, mais precisamente, a importância do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais enquanto lugar social no interior do qual se gestou certa gramática que buscou descrever os modos de vida, os problemas sociais e as formas de sociabilidade de populações residentes em pequenas e médias cidades pernambucanas. A partir do estudo da atuação da antropóloga francesa Colette Callier, pesquisadora visitante no Instituto na década de 1960, pretende-se demonstrar como a emergência de um discurso sobre as cidades no período se fez acompanhar por processos de tensionamento, negociação e legitimação envolvendo a instituição, a pesquisadora e os poderes locais estabelecidos.</p>Jefferson Evânio da SilvaEduardo Roberto Jordão Knack
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2026-01-282026-01-28183420323210.15210/rmr.v18i34.31026Disputa e poder simbólico
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<p>O presente artigo objetiva analisar o papel da religião na consolidação e disputa simbólica do espaço urbano de Vitória da Conquista (BA). O foco recai na interpretação e análise da iconografia dos seis principais monumentos religiosos do município, dispostos em ordem cronológica de implantação: o Cruzeiro da Serra do Periperi (1926), a Catedral Metropolitana Nossa Senhora das Vitórias (1944), o Cristo de Mário Cravo (1980), o Monumento aos Dez Mandamentos (1982), o Monumento à Bíblia (1984) e a Estátua da Nossa Senhora das Vitórias (2005). A pesquisa investiga a aceitação iconográfica desses marcos e sua inserção no discurso religioso que estrutura a fundação e o desenvolvimento territorial. A metodologia combina levantamento bibliográfico com a aplicação do método fenomenológico e da semiótica para a interpretação da paisagem. Os resultados demonstram que a consolidação urbana da cidade foi impulsionada por uma memória fundacional fortemente católica, ratificada pela associação da própria emancipação do município a um evento milagroso. Contudo, a análise da iconografia revela uma disputa de poder no espaço público, marcada pela ascensão de símbolos evangélicos em contraposição à hegemonia católica histórica, refletindo as transformações socioculturais do território.</p>Wesley Lima
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2026-01-282026-01-28183423325810.15210/rmr.v18i34.30478Do Descoberto a Porangatu:
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<p>Este artigo analisa os processos históricos, sociais e culturais que moldaram a identidade da cidade de Porangatu, desde seu surgimento como povoado aurífero denominado Descoberto até sua configuração moderna. A investigação examina as narrativas produzidas por diferentes agentes históricos e a patrimonialização de bens materiais e imateriais, compreendidos como lugares de memória. A hipótese central considera Porangatu um campo de disputas mnemônicas, no qual grupos sociais competem pelo poder de definir e mobilizar o passado. A pesquisa qualitativa baseia-se na análise de fontes primárias e secundárias, destacando os impactos da modernização urbana, das narrativas identitárias e das tensões patrimoniais. Conclui-se que a memória coletiva da cidade é continuamente construída, desconstruída e negociada, refletindo disputas simbólicas e projetos políticos diversos.</p> <p> </p>Max Lanio Martins PinaMaria Juliana de Freitas Almeida
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2026-01-282026-01-28183425928110.15210/rmr.v18i34.30486A cidade como território indígena
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<p>O estudo em tela discute, em perspectiva histórica, etnológica e etnográfica, o lugar do indígena no urbano brasileiro. Parte de uma análise historiográfica acerca da presença indígena em Vilas e Lugares do período colonial nos estados do Ceará e Piauí e, em seguida, aborda etnograficamente a experiência Tabajara no urbano contemporâneo de Piripiri/PI, enfatizando, entre outros, formas de organização familiar, de práticas culturais e dos modos de uso do território. O estudo objetiva contribuir, assim, para o debate sobre a presença indígena nas cidades brasileiras e para a valorização de suas territorialidades enquanto dimensões de construção urbana e social. Nesse sentido, contrapõe, com base nos argumentos de etnicidade e de fricção interétnica de Barth (2005), a noção fortemente arraigada no imaginário brasileiro de que o indígena não habita e não produz o urbano ou, quando o faz, incorre em perda cultural mediante processos assimilacionistas da sociedade nacional envolvente. Argumentos esses reforçados pelo cotidiano dos Tabajara em Piripiri/PI, onde constituem parte fundamental das memórias, dos projetos e dos fluxos cotidianos de pessoas, objetos, discursos, saberes e identidades no urbano aqui entendido como território indígena.</p>Jussarina Adriana da Silva CarvalhoRaoni Borges Barbosa
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2026-01-282026-01-28183428230310.15210/rmr.v18i34.31029A Colonialidade Patrimonial
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<p class="western" style="line-height: 108%; margin-bottom: 0.28cm;" align="justify"><span style="font-family: Arial, serif;"><span style="font-size: small;">O artigo examina a colonialidade institucional que permeia as políticas de preservação cultural no Brasil, argumentando que a formação do patrimônio nacional foi intrinsicamente ligada ao racismo e à negação da história. O texto rastreia como a criação do SPHAN em 1937 privilegiou a herança lusitana e católica, silenciando as contribuições e memórias traumáticas das populações indígenas e afro-brasileiras. O caso do Pelourinho em Salvador é usado para ilustrar essa dinâmica, onde um local de memória brutal foi tombado por seu valor arquitetônico colonial, levando à gentrificação e ao apagamento da população negra local. A análise se apoia em conceitos como necropolítica, racismo científico e a colonialidade do poder, explicando como o mito da democracia racial brasileira mascarou essas desigualdades históricas e institucionais. Além disso, o texto critica a influência do pensamento iluminista e eurocêntrico na definição do que constitui valor cultural e intelectual no país. Por fim, o autor propõe o conceito de </span></span><span style="font-family: Arial, serif;"><span style="font-size: small;"><em>Okaruã</em></span></span><span style="font-family: Arial, serif;"><span style="font-size: small;">, um neologismo Tupi, como uma prática de desobediência epistêmica essencial para transformar as instituições e promover um patrimônio cultural decolonial e reparatório.</span></span></p>Dalila Varela Singulane
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2026-01-282026-01-28183430433610.15210/rmr.v18i34.31028Negritando o patrimônio:
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<p>O Movimento Negro no Brasil foi o responsável pela conquista de direitos sociais para a raça negra na Constituição Federal (1988-presente) após um século de resistência e reivindicações desde a Abolição (1888). O reconhecimento da raça negra e a da herança cultural afro-brasileira como patrimônio nacional só aconteceu a partir da década de 1980, com o crescimento do protesto negro e de ações lideradas por coletividades negras que buscavam conscientizar a nação brasileira sobre as condições desiguais de vida às quais a raça negra esteve submetida no imaginário social, até a contemporaneidade. Este artigo propõe-se a refletir sobre a patrimonialização da cultura afro-brasileira, ao investigar a relação construída entre o Movimento Negro em Pernambuco e o Pátio do Carmo, localizado no bairro de Santo Antônio, na cidade do Recife, a partir da análise historiográfica de eventos realizados desde os anos 1980, com o objetivo de negritar o patrimônio.</p>Davi Dornelles Rodrigues de Souza ValentimJuliana Melo PereiraVirgínia Pitta Pontual
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2026-01-282026-01-28183433737010.15210/rmr.v18i34.30538Cartografias do Cotidiano
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<p><span style="font-weight: 400;">Partindo da experiência curatorial da exposição ”Cartografias do Cotidiano” no Laboratório Aberto de Arqueologia Urbana (LAAU), analisaremos as conexões metodológicas entre a arqueologia urbana e a arte contemporânea para a construção de imaginários sobre o Rio de Janeiro. Justapõe-se o trabalho científico do LAAU, focado nos vestígios soterrados da Pequena África, à prática artística de Getúlio Damado, definida como uma "arqueologia do tempo presente" (garbologia) que transforma material reciclado em memória. Propõe-se que ambas as práticas funcionam como um espelho metodológico que exige exercício de "fabulação crítica" (Hartman, 2020) para construir uma "cartografia sentimental" (Rolnik, 2011) na interpretação dos fragmentos, sejam vestígios do passado (o artefato) ou refugos do presente (o lixo). A justaposição destes universos revela tensões entre memória e descarte, patrimônio e consumo, e propõe que a recusa em reproduzir narrativas oficiais é um método ético para questionar sobre quais narrativas as arqueologias do futuro serão construídas.</span></p>Helena Jensen Braz CorrêaMatheus Magalhães SimõesAldones Nino Santos da Silva
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2026-01-282026-01-28183437139810.15210/rmr.v18i34.30544Jogo de PARAPARAS
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<p>O presente ensaio aborda as memórias lúdico-tradicionais presentes secularmente em Ciudad Bolívar, estado Bolívar – Venezuela, e como uma mulher: Mariíta Ramírez, torna-se patrimônio vivo ao preservar e difundir tais práticas. O estudo começa-se fazendo uma breve narração autobiográfica, que faz menção às diversas atividades recreativas herdadas dos ancestrais guayaneses e, posteriormente, foca a atenção em uma das distrações infantis e juvenis mais representativas e simbólicas da Semana Santa na Região Guayana, o jogo de paraparas que meninas e meninos realizam em praças, ruas, escolas e pátios da antiga cidade, mas de maneira muito especial na antiga Plaza Mayor (atual Plaza Bolívar) da velha Angostura del Orinoco, espaço que por muitas gerações se tornou o ponto de encontro para a socialização sem discriminação de sexo, raça ou religião, transformando as interações em processos de aprendizagem verbal, habilidade numérica e físico-motora, e até mesmo para perder a timidez e expressar seus sentimentos.</p>Henry Rafael Vallejo Infante
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2026-01-282026-01-28183439942210.15210/rmr.v18i34.31030Quadrinhos e memórias urbanas
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<p><span style="font-weight: 400;">O presente artigo analisa o uso das Artes na divulgação e valorização do Patrimônio Cultural, com ênfase na 9ª Arte: as Histórias em Quadrinhos (HQs). Parte-se de um breve histórico das HQs enquanto meio de comunicação democrático e acessível ao longo do último século, destacando também sua incorporação ao campo da Arquitetura e Urbanismo em práticas de mediação cultural. Como produto final, desenvolveu-se uma narrativa em HQ que apresenta a cidade de Cachoeira do Sul (RS) a partir de seu expressivo patrimônio histórico, articulando elementos arquitetônicos, simbólicos e identitários. O processo de criação utilizou fotografias e ferramentas de inteligência artificial, possibilitando às autoras explorar o contexto urbano e observar as relações afetivas e cotidianas dos moradores com a cidade. Ao vivenciar os bens patrimoniais locais, o trabalho busca fomentar o sentimento de pertencimento e contribuir para ações de educação patrimonial, ampliando os modos de acessar, narrar e atualizar memórias urbanas.</span></p>Keren Francini BaracyAna Lívia Farias DibRicardo de Souza Rocha
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2026-01-282026-01-28183442344110.15210/rmr.v18i34.30526