Revista Memória em Rede https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria <p>A revista Memória em Rede é um periódico eletrônico que publica trabalhos inéditos que versem sobre os temas processos de patrimonialização, políticas públicas para o patrimônio, patrimônio material e imaterial, estudos em memória social, estudos sobre memória e identidade ou ainda tratem da organização de acervos, sua conservação e restauro, recuperação e acessibilidade para pesquisa e outros temas relacionados.</p> <p><strong>Qualis:</strong>&nbsp; A2</p> <p><span data-sheets-value="{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:&quot;A4&quot;}" data-sheets-userformat="{&quot;2&quot;:2627,&quot;3&quot;:{&quot;1&quot;:0},&quot;4&quot;:{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:16776960},&quot;9&quot;:1,&quot;12&quot;:0,&quot;14&quot;:{&quot;1&quot;:3,&quot;3&quot;:1}}"><strong>ISSN:</strong> 2177-4129</span></p> <p><object id="1939290a-18c8-bb9e-fb99-6b8419adbcb9" type="application/gas-events-abn" width="0" height="0"></object></p> <p>&nbsp;</p> pt-BR A revista se reserva o direito de efetuar nos originais alterações de ordem normativa,ortográfica e gramatical, com vistas a manter o padrão culto da língua, respeitando,porém, o estilo dos autores. As provas finais não serão enviadas aos autores.O Conselho Editorial não se responsabiliza por opiniões emitidas pelos autores dos trabalhos publicados. Os trabalhos aceitos para publicação passam a ser de propriedade da Revista Memória em Rede, não podendo, o autor, reclamar, em qualquer época ou sob qualquer pretexto,remuneração ou indenização pela publicação. A reimpressão, total ou parcial, dos trabalhos publicados é sujeita à autorização expressa do Programa de Pós-Graduação em Memória Social e Patrimônio Cultural.OBS. Cabe(m) ao(s) autor(es) as devidas autorizações de uso de imagens com direito autoral protegido (Lei nº 9610, de 19 de fevereiro de 1998), que se realizará com o aceite no ato do preenchimento da ficha de inscrição via web. julianapoloni@hotmail.com (Revista Memória em Rede) julianapoloni@hotmail.com (Revista Memória em Rede) qui, 30 jul 2026 17:34:14 +0000 OJS 3.1.2.4 http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss 60 Arte, patrimônio e memória https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/31956 <p>O Dossiê Temático "Arte, Patrimônio e Memória" buscou reunir estudos que problematizam as relações entre a arte, os processos de patrimonialização e a construção da memória a partir de referenciais artísticos, considerando suas múltiplas temporalidades e suportes.</p> Roberto Heiden, Andrea Lacerda Bachettini, Lauer Alves Nunes dos Santos Copyright (c) 2026 Revista Memória em Rede http://creativecommons.org/licenses/by-nc/3.0/ https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/31956 qui, 30 jul 2026 12:33:09 +0000 A importância do grafite na preservação da memória coletiva em museus de território https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/31584 <p>As memórias relacionadas ao território tecem uma rede afetiva que conecta os sujeitos às experiências compartilhadas no espaço. Elas promovem uma troca discursiva de sentimentos, lembranças e narrativas, reforçando a identidade coletiva e a constituição de vínculos de pertencimento. Nesse contexto, a diversidade cultural e artística presente nas comunidades amplia as formas de diálogo e circulação de discursos, favorecendo a construção e o fortalecimento da memória coletiva. Entre elas, a prática do grafite segue como linguagem estética de afirmação cultural, mas também na tentativa de romper com o signo de atividade marginalizada classificada pela perspectiva normativa. O presente artigo pretende analisar exposições de grafite presentes em museus de território como forma de reivindicar direitos, preservar e fortalecer a memória coletiva e promover o deslocamento de olhares. Para isso, serão discutidos dois percursos presentes em museus comunitários cariocas: a exposição <em>Casas-Tela</em>, do Museu de Favela do Rio de Janeiro; e o circuito <em>Murais Pelo Fim da Violência Doméstica</em>, presente no Museu Vivo Rede Nami. O aporte teórico está baseado em estudos envolvendo a memória coletiva como uma das formas essenciais de reconhecimento da história de grupos socialmente segregados; à luz dos conceitos da museologia social como método de comunicação e identificação dos sujeitos com o território; e de pesquisas que relacionam a comunicação não-verbal como forma de discurso político. Nossos resultados revelam que o grafite, quando incorporado às práticas de museus de território, desempenha papel fundamental na preservação da memória coletiva e na ampliação do debate público sobre questões socialmente sensíveis.</p> Adelita Puchalski da Silva, André Fabrício Silva Copyright (c) 2026 Revista Memória em Rede http://creativecommons.org/licenses/by-nc/3.0/ https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/31584 qui, 30 jul 2026 12:40:47 +0000 A patrimonialização dos murais de Poty Lazzarotto no Paraná https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/31957 <p>Esse artigo analisa duas obras de Napoleon Potyguara Lazzarotto, instaladas em Curitiba e Foz do Iguaçu, reconhecidas pelo Conselho Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico do Paraná como bens culturais, em 2014. A relevância dessa abordagem se justifica pelo fato desses murais de azulejo figurarem como crônicas visuais, cuja temática reporta-se às paisagens naturais e urbanas, aos migrantes e imigrantes, tomados pelo artista como propulsores do desenvolvimento econômico e cultural do estado. Se apreendidos como semióforos, tais painéis oferecem subsídios para a Educação Inclusiva e Patrimonial e, como tal, permitem o exercício crítico sobre as representações das memórias e das identidades, forjadas ao longo do tempo por perspectivas eurocêntricas, misóginas e racistas, que invisibilizaram as contribuições dos povos originários, mulheres e negros na história deste estado. No âmbito teórico e metodológico, a pesquisa ora apresentada fundamenta-se na História Cultural, portanto, dialoga com diversas áreas do conhecimento.</p> Sandra C. A. Pelegrini, Ana Cristina Mandarino, Cássia Maria Popolin, Estélio Gomberg Copyright (c) 2026 Revista Memória em Rede http://creativecommons.org/licenses/by-nc/3.0/ https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/31957 qui, 30 jul 2026 13:14:04 +0000 Olhando o Desbravador/Peladão https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/31540 <p>O texto apresenta o planejamento de uma ação de mediação cultural junto ao Monumento ao Desbravador, popularmente conhecido como Peladão, localizado em Maringá, Paraná. Propõe-se um protocolo de proposições estruturado em fichas que operacionaliza o sistema <em>Olhando Imagens</em>, adaptado para o contexto de patrimônio em espaço público. O protocolo organiza-se nas etapas: Aquecendo, Descrevendo, Analisando, Interpretando, Fundamentando e Revelando, cada uma com objetivos específicos que conduzem os participantes desde a observação da obra até a criação de novas imagens. Conclui-se que o sistema <em>Olhando Imagens</em> oferece um caminho metodológico para a mediação cultural que vai além da transmissão de informações e favorece experiências estéticas. Nessa perspectiva, o patrimônio é tratado como elemento vivo de ressignificação comunitária, o que permite que novas gerações produzam sentidos pertinentes ao presente a partir de suas percepções e do diálogo com o passado.</p> Vinícius Stein Copyright (c) 2026 Revista Memória em Rede http://creativecommons.org/licenses/by-nc/3.0/ https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/31540 qui, 30 jul 2026 13:18:02 +0000 Arte como testemunho https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/31580 <p>O artigo mobiliza uma reflexão sobre o uso da arte na prática curatorial e museal, na organização da exposição <em>Corpo-memória: uma luta vestida de sonhos</em>, no Museu do Trabalho e dos Direitos Humanos, na cidade de Barra Mansa, Rio de Janeiro. A partir da reflexão sobre conceitos e categorias como trauma, testemunho e narrativa, pretende-se uma análise descritiva das experiências artísticas como solução expográfica e realização do trabalho da memória em experiências de violência extrema.</p> Brenda Coelho Fonseca, Gabriel da Silva Vidal Cid, Rafael Branco Cruz Copyright (c) 2026 Revista Memória em Rede http://creativecommons.org/licenses/by-nc/3.0/ https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/31580 qui, 30 jul 2026 14:21:48 +0000 Colecionar e Exibir https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/31958 <p>Este artigo trata sobre a Coleção BEĨ, composta por bancos indígenas produzidos por mais de 55 etnias presentes no território hoje conhecido como Brasil. Analisamos sua constituição a partir da narrativa dos colecionadores e agentes envolvidos na circulação do acervo, atentando para disputas de sentido que atravessam sua inscrição entre os domínios da arte, design e patrimônio. A metodologia envolve pesquisa documental, incluindo o livro Bancos Indígenas do Brasil (2022), sites institucionais, materiais de exposições e registros em diário de campo feitos durante uma visita à sede da Coleção. Com base nesse material, articulamos dois eixos de análise: a formação da Coleção, com ênfase nos argumentos que fundamentaram o processo de colecionismo; e a circulação dos artefatos em museus como instâncias de institucionalização e memória. Identificamos que, em ambos os processos, emergem disputas narrativas resultantes da aproximação da cultura material indígena com os campos da arte e do design.</p> Thabata Janine Buse Pinheiro , Yasmin Fabris Copyright (c) 2026 Revista Memória em Rede http://creativecommons.org/licenses/by-nc/3.0/ https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/31958 qui, 30 jul 2026 14:34:46 +0000 Penca de balangandãs https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/31581 <p>A penca de balangandãs é uma joia afro-luso-brasileira utilizada por mulheres negras à cintura, entre fins do século XVIII e início do XX. Descrita em relatos de viajantes, pintada e fotografada por autores nacionais e estrangeiros, perpetuou-se, inicialmente, por representar o exotismo do Brasil e, em especial, da mulher negra. A partir da Era Vargas (1930-1945) tornou-se um dos símbolos da identidade nacional devido ao enaltecimento de alguns bens frutos da miscigenação do povo brasileiro pelo Estado. Através de fontes bibliográficas, documentais e visitas à museus que possuem em suas coleções pencas de balangandãs musealizadas, objetiva-se apresentar como o objeto tornou-se um bem cultural afrodiaspórico brasileiro por meio da musealidade e musealização, a partir de 1930. Os resultados relacionam a musealização a riqueza do Brasil Imperial, a originalidade do objeto e traje das portadoras e, mais recentemente, ao protagonismo das negras de ganho no período da escravidão e pós-abolição.</p> <p><strong>Palavras-chave: </strong>penca de balangandãs; musealidade; musealização.</p> Sura Souza Carmo, Paula Andrade Coutinho Copyright (c) 2026 Revista Memória em Rede http://creativecommons.org/licenses/by-nc/3.0/ https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/31581 qui, 30 jul 2026 14:53:29 +0000 Entre marca e fabulação https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/31279 <h2><span style="font-weight: 400;">Este artigo investiga as relações entre arte, memória e patrimonialização na produção contemporânea brasileira, propondo o conceito de “arquivo insurgente” como chave de leitura para práticas que tensionam os regimes de visibilidade do passado. A partir de uma articulação entre Jacques Derrida e Jacques Rancière, o texto compreende o arquivo não como repositório, mas como dispositivo de regulação do sensível. Em diálogo com Hal Foster e Achille Mbembe, argumenta-se que determinadas práticas artísticas não apenas mobilizam arquivos, mas intervêm em suas condições de legibilidade. A análise das obras de Rosana Paulino e Denilson Baniwa evidencia dois modos de operação: a reinscrição da memória como marca e a fabulação como deslocamento crítico dos regimes de patrimonialização. Sustenta-se, assim, que tais práticas não restauram o passado, mas o reconfiguram como campo de disputa.</span></h2> Flávio Morgado, Eduardo Ferraz Felippe Copyright (c) 2026 Revista Memória em Rede http://creativecommons.org/licenses/by-nc/3.0/ https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/31279 qui, 30 jul 2026 00:00:00 +0000 Um palácio para a Independência https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/31959 <p>Este artigo analisa o edifício-monumento do Museu do Ipiranga como obra arquitetônica e dispositivo patrimonial de produção de memória. Com base em pesquisa etnográfica realizada entre 2018 e 2024, examina-se como fachada, implantação urbana, jardins, galerias, ornamentação, museografia e eixo monumental compõem uma experiência sensível associada à Independência, à monarquia, à centralidade paulista e ao bandeirantismo. Discute-se como as exposições Para entender o museu e Uma história do Brasil procuram deslocar a função celebratória do edifício para uma leitura histórico-crítica. Argumenta-se que essas estratégias são consistentes, mas encontram limites na força material, visual e afetiva do conjunto. A percepção recorrente de que o edifício teria sido residência imperial é tratada não como equívoco informativo, mas como efeito da agência social distribuída da arquitetura.</p> Julio Talhari Copyright (c) 2026 Revista Memória em Rede http://creativecommons.org/licenses/by-nc/3.0/ https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/31959 qui, 30 jul 2026 15:46:19 +0000 Praça Coronel Pedro Osório https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/31960 <p>A pesquisa analisa o acervo patrimonial ausente da Praça Coronel Pedro Osório, em Pelotas (RS), refletindo sobre processos de documentação, deslocamento, deterioração e desaparecimento de elementos simbólicos que integraram historicamente o espaço público. O estudo reúne esculturas, placas comemorativas e ornamentos urbanos atualmente ausentes, buscando compreender como sua supressão interfere na memória urbana e na preservação da história local. Foram adaptadas metodologias de catalogação aplicadas à documentação de bens culturais. A pesquisa possui caráter exploratório e descritivo, com abordagem qualitativa de natureza aplicada, utilizando o método regressivo-progressivo, associado ao levantamento bibliográfico, documental e à pesquisa de campo. A sistematização dos dados permitiu propor uma tipologia dos bens patrimoniais ausentes, evidenciando processos de reconfiguração da memória urbana, como deslocamentos institucionais, supressões e desaparecimentos. Os resultados demonstram que a ausência patrimonial expressa disputas simbólicas e redefinições da memória coletiva na cidade.&nbsp;</p> Hugo Luiz Barreto da Silva, Sidney Gonçalves Vieira Copyright (c) 2026 Revista Memória em Rede http://creativecommons.org/licenses/by-nc/3.0/ https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/31960 qui, 30 jul 2026 16:02:39 +0000 Dissidências esculpidas no mármore https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/31614 <p>Investigando algumas das condições de permanência da arte monumental na contemporaneidade, este artigo pondera os contornos recentes das discussões sobre o patrimônio edificado a partir da disputa acerca da remoção de um memorial ao general estadunidense Robert Edward Lee em Charlottesville, Virgínia. Instalando uma indagação na fissura entre a objetividade material do patrimônio e a sua subjetividade social, a pesquisa realizada através de análise histórico-documental reconstrói um dado recorte do percurso jurídico-administrativo do caso, conjugando a decisão da Suprema Corte a respeito do destino final do monumento ao papel do ativismo digital nesse processo. Em conclusão, são discutidos exemplares de subversão estética contramonumental, originados do percurso de ressignificação do memorial ao militar, viabilizando o reconhecimento de relevos patrimoniais da memória social cujo revisionismo tem se intensificado no ritmo das últimas globalizações, ocasionando disputas político-identitárias que inviabilizam a fixação prolongada de certos significados históricos.</p> Eduardo da Silva Rocha Copyright (c) 2026 Revista Memória em Rede http://creativecommons.org/licenses/by-nc/3.0/ https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/31614 qui, 30 jul 2026 16:08:56 +0000 Zequinha, disputas da propriedade intelectual ao patrimônio cultural imaterial https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/31328 <p>Este artigo propõe analisar o embate jurídico entre o governo do estado do Paraná e Zigmundo Zavadzki, proprietário da marca e dos direitos autorais do personagem Zéquinha, a respeito do uso, não autorizado, do personagem, em campanha estadual de estímulo à arrecadação de impostos. A disputa, iniciada em 1980, se estendeu até 2010, percorreu diferentes esferas jurídicas, chegando ao STF, e envolveu debates sobre autoria, direito de autor, identidade, folclore e patrimônio cultural.</p> Camila Jansen de Mello de Santana, Maria Helena Japiassú Marinho de Macedo Copyright (c) 2026 Revista Memória em Rede http://creativecommons.org/licenses/by-nc/3.0/ https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/31328 qui, 30 jul 2026 16:17:17 +0000 Memórias sobre o trabalho infantil em cidades do agreste paraibano e pernambucano da década de 1950 até a década de 1970 https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/30355 <p>O artigo objetivou analisar as narrativas de adultos, que trabalharam em ofícios diversos no campo e nas franjas de cidades do agreste paraibano e pernambucano entre as décadas de 1950 e 1970. A partir de aportes teóricos da História, da Sociologia/Antropologia, buscou-se avaliar essas diversas relações exploratórias sobre crianças e adolescentes, apesar de normas jurídicas e das representações da Justiça do Trabalho. Utilizou-se uma bibliografia específica sobre trabalho infantil e realizamos cruzamentos com fontes orais para dinamizar os estudos sobre a temática em questão. Concluiu-se, que algumas dessas modalidades de trabalho remanescem do período escravista, cuja permanência no tempo presente reflete os limites da legislação ante as tensões entre os costumes e as leis.</p> Francisco Fagundes de Paiva Neto, Annahid Burnett Copyright (c) 2026 Revista Memória em Rede http://creativecommons.org/licenses/by-nc/3.0/ https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/30355 qui, 30 jul 2026 16:22:02 +0000 Museu em movimento https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/30443 <p>Este artigo tem como objetivo abordar questões relacionadas à acessibilidade e inclusão no espaço museal, mais especificamente no Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville, onde, por meio de um projeto financiado pelo CNPq, teve êxito em implementar e oferecer às pessoas com deficiência experiências museológicas acessíveis, colocando em prática a acessibilidade atitudinal, cultural e estética. O projeto consistiu em oferecer ações que viabilizassem o cumprimento da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI – Lei nº 13.146/2015), principalmente no que tange garantir o direito à cultura deste público. As principais ações que contribuíram para tais experiências foram seminários internos, kits pedagógicos e acesso facilitado às peças de acervos do museu, contribuindo para a uma experiência sensorial, inclusiva e lúdica.</p> Maria Eugenia Lopes dos Santos Copyright (c) 2026 Revista Memória em Rede http://creativecommons.org/licenses/by-nc/3.0/ https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/30443 qui, 30 jul 2026 16:27:34 +0000 Fachadas que falam, fundos que calam https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/30480 <p><span style="font-weight: 400;">Este artigo analisa o modelo de gestão do patrimônio cultural em Viçosa (MG), com ênfase na preservação do conjunto arquitetônico do Balaústre, localizado na região central da cidade. Essa área enfrenta impactos da especulação imobiliária, agravados por sucessivas alterações nas leis de uso e ocupação do solo. Parte-se da hipótese de que os instrumentos de proteção patrimonial apresentam fragilidades em sua aplicação. O estudo adota abordagem qualitativa, combinando estudo de caso e análise situacional, com base em revisão bibliográfica, análise documental e registros fotográficos. Os resultados indicam a existência de um modelo de gestão patrimonial assimétrico, marcado por disputas entre o poder público e o setor construtivo privado. Conclui-se que a efetividade da preservação depende da integração entre o planejamento urbano e as políticas culturais, da ampliação dos mecanismos de participação comunitária e da valorização dos bens culturais como referências identitárias e de memória social.</span></p> Fábio Cabral Durso, Luiza Oliveira Pacheco, Flora D'El Rei Lopes Passos Copyright (c) 2026 Revista Memória em Rede http://creativecommons.org/licenses/by-nc/3.0/ https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/30480 qui, 30 jul 2026 16:35:13 +0000 Caminhos Atlânticos https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/30500 <p>O artigo analisa as formas de inscrição da memória da escravidão atlântica em dois marcos patrimoniais situados em lados distintos do oceano: o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, e a Porta do Não Retorno, em Uidá, atualmente no Benim. Parte-se do pressuposto de que a monumentalização da memória opera simultaneamente em registros materiais e imateriais, articulando dimensões históricas, políticas e sensoriais. A análise recorre, de um lado, ao Dossiê de Tombamento do Cais do Valongo, que consagra este sítio como patrimônio mundial e o inscreve em uma narrativa global da diáspora africana; de outro, dialoga com a interpretação proposta por Achille Zohoun acerca da Porta do Não Retorno, compreendida como dispositivo estético que atualiza emoções coletivas e reconfigura relações sociais no Benim contemporâneo. Ao aproximar esses dois aportes — o relatório institucional e a reflexão crítica — busca-se compreender como os lugares de memória da escravidão evocam um passado traumático e modulam as possibilidades de reconhecimento, reparação e pedagogia histórica. Argumenta-se que tais monumentos, longe de funcionarem apenas como vestígios ou cenários comemorativos, constituem-se em arenas de disputa, onde se entrelaçam experiências locais, políticas de Estado e diálogos transatlânticos.</p> Moisés Correa da Silva, Silmara Aparecida dos Santos Copyright (c) 2026 Revista Memória em Rede http://creativecommons.org/licenses/by-nc/3.0/ https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/30500 qui, 30 jul 2026 16:46:40 +0000 O butsudan como artefato de memória https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/30504 <p>Este artigo investiga o butsudan, o altar doméstico japonês, como um artefato cultural complexo que converge religiosidade, memória e estética. Partindo de uma análise de sua materialidade, o estudo situa o objeto em seu contexto histórico de consolidação durante o Período Edo japonês, caracterizado pelo isolacionismo e pelo desenvolvimento de uma identidade cultural particular. Argumenta-se que o butsudan opera como um “espaço de recordação” (Assmann, 2016), cuja permanência é sustentada por contínuos processos de ressignificação. O arcabouço teórico integra estudos de memória cultural, identidade, hibridismo e crítica patrimonial para compreender não apenas a função ritual do altar, mas também seu papel na diáspora e na preservação de uma estética e artesanato tradicionais face às mudanças temporais. A base metodológica desta pesquisa é a análise bibliográfica, mediante a articulação de enfoques teórico, documental e simbólico, a fim de interpretar o butsudan enquanto patrimônio e locus de memória (Lakatos &amp; Marconi, 2003).</p> Yasmin Mayumi Isobe Lima, Wanessa Pires Lott Copyright (c) 2026 Revista Memória em Rede http://creativecommons.org/licenses/by-nc/3.0/ https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/30504 qui, 30 jul 2026 16:52:34 +0000 A greve da fábrica de Semiannikov, em São Petersburgo, e a memória revolucionária https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/31962 <p>O presente artigo analisa a greve ocorrida entre 23 de dezembro de 1894 e 4 de janeiro de 1895 na fábrica Semjannikov, em São Petersburgo, situando-a no contexto das crescentes tensões sociais e políticas do fim da Rússia czarista. O atraso no pagamento de salários, que desencadeou a mobilização operária, evidencia tanto a precariedade das condições de vida dos trabalhadores quanto a ausência de canais institucionais eficazes de negociação. A repressão violenta, conduzida por cossacos e bombeiros, ilustra o padrão autoritário de resposta estatal a movimentos sociais. Do ponto de vista historiográfico, o artigo busca compreender o episódio não apenas como um evento local de caráter pontual, mas como parte do processo de formação de uma consciência política revolucionária, que culminaria na Revolução de 1905. O envolvimento de Vladimir Ilitch Ulyanov (Lênin) e a produção de um panfleto direcionado aos grevistas marcam um ponto de inflexão na organização revolucionária, representando sua primeira tentativa de articular uma revolta espontânea a partir das demandas dos trabalhadores. Além disso, o estudo dedica-se à análise da construção da memória do episódio, examinando como monumentos, nome de ruas, quadros e memoriais erguidos posteriormente configuram o uso do patrimônio como instrumento de preservação e interpretação histórica. Por fim, o artigo apresenta documentos contemporâneos da greve e, pela primeira vez, uma tradução bilingue (em russo e português)do panfleto de Lênin, aprofundando a compreensão do evento e de seu legado.</p> Tobias Vilhena de Moraes, Pedro Paulo A. Funari Copyright (c) 2026 Revista Memória em Rede http://creativecommons.org/licenses/by-nc/3.0/ https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/31962 qui, 30 jul 2026 17:02:34 +0000 Da construção discursiva à ativação patrimonial https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/29681 <p class="western" align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">O </span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="pt-BR">ensaio</span></span></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"> aborda a discussão acerca da construção da refeição gastronômica dos franceses (</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><em>Repas Gastronomique</em></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">) como patrimônio imaterial inscrito na Unesco em 2010. O objetivo central é mostrar como se deu esse processo, os atores envolvidos, o reconhecimento e finalmente a ativação desse patrimônio a partir da criação das </span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><em>Cités</em></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"> Internacionais de Gastronomia, notadamente a de Dijon. A metodologia utilizada apoiou-se na análise de documentos, bibliografia e trabalho de campo. Como resultados do estudo de caso identificou-se o forte investimento político para a inscrição na lista e, sobretudo o investimento econômico para transformar uma prática cultural – a refeição – em um produto patrimonializado</span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"> e consumível socialmente. </span></span></p> <p class="western" align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">Palavras-chave: Patrimônio, gastronomia, UNESCO, turismo</span></span></p> <p class="western" align="justify"><br><br></p> <p class="western" lang="en-US" align="justify">&nbsp;</p> Juliane Conceição Primon Serres Copyright (c) 2026 Revista Memória em Rede http://creativecommons.org/licenses/by-nc/3.0/ https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Memoria/article/view/29681 qui, 30 jul 2026 17:09:59 +0000