ELA FALA, EU ESCUTO

PREFIGURAÇÕES URBANAS DO DEVIR-MULHER

Resumo

O texto investiga a narrativa como perspectiva teórico-metodológica para os estudos urbanos, abordando o relato de quatro narradoras de territórios periféricos de Porto Alegre sobre suas experiências cotidianas na luta pelo comum. A ruptura do regime de autorização discursiva da cidade universalizada e heteropatriarcal é operada através da visibilização de prefigurações narrativas em um processo de escuta, em que se revelam aspectos do trabalho produtivo/reprodutivo, dos processos de espoliação da mulher, da experiência do devir-mulher e da mobilização de um corpo-território que configura a margem como espaço de abertura radical. A partir do reconhecimento de outros dizeres-cidade refletimos sobre condições de possibilidade para uma configuração urbana aberta, flexível e consonante com a lógica do comum como composição de forças, corpos, trajetórias e memórias em permanente disputa.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Daniele Caron, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS

Arquiteta e urbanista pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2000). Mestrado em Urbanismo pela Universidad Politécnica da Catalunha (2010). Doutorado em Urbanismo pela Universidad Politécnica da Catalunha (2017)

Bruna Bergamaschi Tavares, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS

Possui graduação em arquitetura e urbanismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2016) e pós-graduação lato sensu Residência em Arquitetura e Urbanismo e Engenharia, pela Universidade Federal da Bahia com nucleação junto a Universidade Federal de Pelotas (2018). Mestrado em andamento pelo Programa de pós-graduação em Planejamento Urbano e Regional, PROPUR/UFRGS.

Bárbara Rodrigues Marinho, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS

Doutoranda no Programa de Pós Graduação em Planejamento Urbano e Regional (PROPUR) na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), sendo mestre pelo mesmo programa e instituição (2023). Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2018).

Referências

ARFUCH, L. La vida narrada. Memoria, subjetividad y política. Buenos Aires: Poliedros Zona de Crítica, 2018.

FEDERICI, S. Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva. São Paulo: Editora Elefante, 2017.

______. O Ponto Zero da Revolução: Trabalho doméstico, eprodução e luta feminista. São Paulo: Elefante, 2019.

______. Pandemia, Reprodução e comuns. Revista Ihu On-Line Abr. 2020. Disponível em: Acesso em: Novembro, 2020.

GAGO, V. A Potência Feminista ou o desejo de transformar tudo. São Paulo: Elefante, 2020.

GONZALEZ, L. Por um feminismo Afro-latino-americano. Caderno de Formação Política do Círculo Palmarino - Batalha de Ideias, Brasil: n. 1, 2011, p. 12-20. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/271077/mod_resource/content/1/Por%20um%20feminismo%20Afrolatino-americano.pdf Acesso em: 10 setembro 2020.

HARAWAY, D. Saberes localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial. Cadernos Pagu, Campinas, n. 5, p. 7 41, 2009. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/1773. Acesso em: 20 dez. 2020.

HOOKS, B. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo: Ed. WMF Martins Fontes, 2017.

KILOMBA, G. Memórias de plantação - Episódios do racismo cotidiano. 1. ed. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.

MORRISON, T. A Origem dos Outros: Seis nsaios sobre racismo e literatura. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.

MUÑOZ, F. rbanalización: paisajes comunes, lugares globales. Barcelona: Ed. Gustavo Gili, 2008.

Narradora do Campo da Tuca. Depoimento [ago-set 2020]. Entrevistador: Autoria. [S.n.] Porto Alegre, 2020.5 arquivos .mp4 (6h34min). Entrevista concedida para Oficina de Narrativas Populares, 2020.

Narradora do Morro da cruz. Depoimento [ago-set 2020]. Entrevistador: Autoria. [S.n.] Porto Alegre, 2020. 5 arquivos .mp4 (6h34min). Entrevista concedida para Oficina de Narrativas Populares, 2020.

Narradora da Ocupação Zumbi dos Palmares. Depoimento [ago-set 2020]. Intrevistador: Autoria. [S.n.] Porto Alegre, 2020. 5 arquivos .mp4 (6h34min). Entrevista concedida para Oficina de Narrativas Populares, 2020.

Narradora da Vila Liberdade. Depoimento [ago-set 2020]. Entrevistador: Autoria. [S.n.] Porto Alegre, 2020. 5 arquivos .mp4 (6h34min). Entrevista concedida para Oficina de Narrativas Populares, 2020.

PELBART, P. P. Ensaios do assombro: biopolítica, necropolítica e subjetividade. São Paulo: N - 1 Edições, 2019.

REYES, P.; CARON, D.; CIDADE, D. Narrar por projetos: o projeto narra. In: JACQUES, P. B.; PEREIRA, M.

S.; CERASOLI, J. F. (Orgs.). Nebulosas do pensamento urbanístico: Tomo III - Modos de narrar. Salvador:

EDUFBA, 2020. p. 254-271.

RIBEIRO, D. Lugar de fala. São Paulo: Sueli Carneiro; Pólen, 2019.

RICOEUR, P. Arquitectura y narratividad. In: Muntañola, J. (Org.). Arquitectonics: Arquitectura y

hermenéutica. Barcelona: Edicions UPC, 2003. p. 9-29.

ROLNIK, R. et al. Como fazer valer o direito das mulheres à moradia? Relatoria Especial da ONU para o

Direito à Moradia Adequada. Paulo: 2011.

ROLNIK, R. Paisagens para a renda, paisagens para a vida. Revista Indisciplinar, Belo Horizonte, v.5, n. 1, julout 2019. p. 18-45.

ROLNIK, S. Esferas da insurreição: notas para uma vida não cafetinada. São Paulo: n-1 edições, 2018.

TAVARES, R. B. Indiferença à diferença: espaços urbanos de resistência na perspectiva das desigualdades de gênero. Tese (Doutorado em urbanismo). Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2015. 229p.

Publicado
2024-08-21
Seção
Artigos