https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/cadernodeletras/issue/feed Caderno de Letras 2026-03-10T16:06:15+00:00 Claudia Lorena Fonseca cadernodeletras@ufpel.edu.br Open Journal Systems <p>Caderno de Letras é uma publicação científica quadrimestral do Centro de Letras e Comunicação e do Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Federal de Pelotas. Desde 1982, contribui para a publicação de textos acadêmicos de pesquisadores nacionais e estrangeiros que colaboram com a reflexão teórica em literatura, linguística, tradução, outros espaços da linguagem e ensino em Letras. O fluxo de edição se dá por chamadas para dossiê temático, abertas três vezes ao ano.&nbsp;</p> <p><strong>Qualis:</strong> <span data-sheets-value="{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:&quot;A4&quot;}" data-sheets-userformat="{&quot;2&quot;:2627,&quot;3&quot;:{&quot;1&quot;:0},&quot;4&quot;:{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:16776960},&quot;9&quot;:1,&quot;12&quot;:0,&quot;14&quot;:{&quot;1&quot;:3,&quot;3&quot;:1}}">A4</span></p> <p><span data-sheets-value="{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:&quot;A4&quot;}" data-sheets-userformat="{&quot;2&quot;:2627,&quot;3&quot;:{&quot;1&quot;:0},&quot;4&quot;:{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:16776960},&quot;9&quot;:1,&quot;12&quot;:0,&quot;14&quot;:{&quot;1&quot;:3,&quot;3&quot;:1}}"><strong>ISSN:</strong> 2358-1409</span></p> https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/cadernodeletras/article/view/31207 LITERATURA E IMPRENSA 2026-03-10T16:06:02+00:00 Alfeu Sparemberger bejotaka@gmail.com <p>APRESENTAÇÃO AO DOSSIÊ</p> 2026-03-10T16:05:35+00:00 Copyright (c) 2026 Alfeu Sparemberger https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/cadernodeletras/article/view/30188 IMPRENSA, LITERATURA E SANGUE: UMA BREVE GENEALOGIA DO TRUE CRIME 2026-03-10T16:06:03+00:00 Jaimeson Machado Garcia jaimesonmachadogarcia@gmail.com Ana Paula Regner anaregner@mx2.unisc.br Vitória Rössler de Abreu vitoriarossler.deabreu@gmail.com <p>O presente artigo analisa a construção histórica e cultural do gênero <em>true crime</em>, acompanhando sua trajetória desde as narrativas religiosas e exemplares até as produções contemporâneas em livros, televisão, podcasts e plataformas de streaming. O objetivo é compreender de que modo a violência, antes situada em contextos pedagógico-religiosos ou científicos, passou a ser narrada como espetáculo midiático e mercadoria cultural. Para isso, adota-se uma abordagem histórico-cultural, com ênfase no contexto norte-americano — onde o gênero se consolidou como objeto acadêmico — em diálogo com as especificidades brasileiras. Os resultados indicam que o <em>true crime</em> não pode ser reduzido a mero entretenimento, pois também cumpre funções de denúncia, revisão judicial e preservação de memórias, ainda que frequentemente estetize a violência e reproduza preconceitos sociais. Conclui-se que o gênero se caracteriza por uma ambivalência constitutiva, situada entre documento e espetáculo, reflexão crítica e exploração do sofrimento, revelando sua centralidade no imaginário cultural contemporâneo.</p> 2026-03-10T14:51:46+00:00 Copyright (c) 2026 Jaimeson Machado Garcia, Ana Paula Regner, Vitória Rössler de Abreu https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/cadernodeletras/article/view/30281 ZINES, RESISTÊNCIA E SUBVERSÃO 2026-03-10T16:06:04+00:00 Maya Pires mayapires02@gmail.com <p>O presente trabalho investiga as publicações independentes produzidas pelo Coletivo Anarcofeminista (CAF) e pelo Coletivo Anarcofeminista Insubmissas (CAFI) ao longo de três décadas. A pesquisa busca compreender como esses zines operam enquanto dispositivos de resistência e construção de memória, articulando práticas de escrita, estética e militância feminista. Para isso, adota-se uma abordagem interdisciplinar, mobilizando referências dos estudos literários, da crítica feminista e da sociologia da cultura. O corpus da pesquisa foi coletado em arquivos especializados e por meio de depoimentos de integrantes dos coletivos, permitindo a análise das temáticas abordadas, das estratégias discursivas e da materialidade dos zines. Ao longo do trabalho, discute-se o papel dessas publicações na constituição de redes de solidariedade e na difusão de ideias anarcofeministas, destacando sua relevância na construção de uma contranarrativa ao discurso hegemônico, contribuindo para a preservação e valorização de uma produção cultural historicamente marginalizada, enfatizando o zine como um espaço de autonomia, experimentação e resistência.</p> 2026-03-10T14:58:01+00:00 Copyright (c) 2026 Maya Pires https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/cadernodeletras/article/view/28250 TRAUMA E PÓS-MEMÓRIA NO ASSASSINATO DO IRMÃO DE NELSON RODRIGUES: “TODA BOA HISTÓRIA COMEÇA COM UM ADULTÉRIO” 2026-03-10T16:06:05+00:00 Sergio Schargel sergioschargel_maia@hotmail.com <p>No dia 26 de dezembro de 1929, Sylvia Serafim, jornalista e escritora, assassinou Roberto Rodrigues, irmão de Nelson Rodrigues, motivada por uma capa de jornal que sugeria seu suposto adultério. O que se seguiu foi uma disputa empresarial e política que ignorou as complexidades do caso, e terminou por apagar os escritos de Sylvia Serafim da História, congelada apenas como assassina. Por meio de uma perspectiva pessoal e biográfica, a proposta deste artigo é revisitar o assassinato de Roberto Rodrigues, explorando as complexidades que envolvem o crime e suas repercussões. Para isso, lança mão de conceitos como pós-memória, conforme definido por Marianne Hirsch, visando compreender as permanências do trauma no contemporâneo, e evidenciar como a morte de Roberto Rodrigues permanece atual e relevante em diversas frentes. Utilizando reconstrução por diversas fontes, primárias e secundárias, como depoimentos, narrativas de Nelson e a cobertura dos jornais da época, foi possível evidenciar contradições na versão canonizada sobre o caso e mostrar que os afetos mobilizados condicionaram a versão canônica. Por fim, o artigo também sugere a necessidade de um resgate de Sylvia Serafim como intelectual, relegada à sua função de assassina e imortalizada como nota de rodapé na vida de Nelson Rodrigues.</p> 2026-03-10T14:59:21+00:00 Copyright (c) 2026 Sergio Schargel https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/cadernodeletras/article/view/30196 JOAQUIM CARDOZO NO DIÁRIO DE PERNAMBUCO: TRÊS ESTUDOS SOBRE POEMAS (1947) 2026-03-10T16:06:06+00:00 Elaine Cristina Cintra elcintra@gmail.com Késsia Kelle Flor de Lima kessiakelleflor@gmail.com <p>O presente artigo objetiva discutir como as críticas literárias publicadas na década de 1940 no <em>Diário de Pernambuco </em>sobre o primeiro livro de Joaquim Cardozo, <em>Poemas</em>, notadamente assinadas pelos já consagrados autores Paulo Mendes Campos, Mauro Mota e Jorge de Lima, são representativas da dinâmica relação entre autores e imprensa nessa época, especialmente no que se refere ao papel do escritor-crítico. No estudo, foi possível observar como os referidos textos trazem à cena o papel fundamental da imprensa para a consagração e legitimação de escritores e obras na cena moderna da literatura. A partir de levantamento nos arquivos do periódico, foi possível melhor compreender as orientações teóricas de cada um desses autores, bem como tais exercícios críticos fundamentaram diretrizes para a leitura da obra cardoziano.</p> 2026-03-10T15:01:04+00:00 Copyright (c) 2026 Elaine Cristina Cintra, Késsia Kelle Flor de Lima https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/cadernodeletras/article/view/30218 GUIOMAR TORREZÃO E JULIA LOPES DE ALMEIDA: CRÍTICA LITERÁRIA FEMININA E UMA PONTE PORTUGAL-BRASIL NA IMPRENSA PERIÓDICA 2026-03-10T16:06:07+00:00 Letícia dos Montes Melo leticiamontes@usp.br Phablo Roberto Marchis Fachin phablo@usp.br Julia de Souza Lopes julia.lopes14@usp.br <p>Este artigo analisa o diálogo crítico estabelecido entre Guiomar Torrezão e Júlia Lopes de Almeida, com base em dois textos publicados na imprensa periódica luso-brasileira do século XIX, nos quais as autoras escrevem uma sobre a outra. A pesquisa parte da transcrição conservadora dos textos — compreendida aqui como procedimento metodológico filológico — e propõe uma leitura que considera a materialidade, o contexto de circulação e os recursos retóricos mobilizados por ambas. Proeminentes escritoras em suas épocas, Torrezão e Almeida publicaram obras e críticas literárias, especialmente em periódicos do Brasil e de Portugal, e inclusive em periódicos feministas. O artigo traz breves biografias das escritoras, de forma a contextualizar seus papéis e impacto na imprensa periódica feminina lusófona do século XIX, e busca explorar os principais tópicos de discussão presentes nas críticas por elas tecidas, em busca de compor um diálogo entre as duas autoras, criando uma reflexão sobre a crítica literária feita por mulheres e a publicação feminina na Imprensa Periódica.</p> 2026-03-10T15:02:11+00:00 Copyright (c) 2026 Letícia dos Montes Melo, Phablo Roberto Marchis Fachin, Julia de Souza Lopes https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/cadernodeletras/article/view/30221 VOZ DOS INVISÍVEIS: O ENSAÍSMO NA ESCRITA DE LIMA BARRETO 2026-03-10T16:06:08+00:00 Keila Mara Araujo keilamaram@gmail.com <p>Este estudo reflete sobre o aspecto ensaístico da escrita de Lima Barreto e busca compreender, no projeto estético do autor, o tom de denúncia no diagnóstico de uma composição social degradante. A importância de sua obra se amplia na resistência crítica às estruturas de poder reproduzidas pela elite intelectual na construção de uma identidade cultural brasileira, ao mesmo tempo em que criavam um lugar outro para a população negra no período pós-abolição. A partir dos livros <em>Recordações do Escrivão Isaías Caminha</em><strong> (</strong>1909) e os relatos de <em>O cemitério dos vivos</em> (1956), este trabalho discute os efeitos do pensamento ensaístico na escrita de Lima Barreto, como resposta às políticas racistas que conduziram a formação de uma identidade para a literatura brasileira no início do século XX.</p> 2026-03-10T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2026 Keila Mara Araujo https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/cadernodeletras/article/view/30208 JOÃO DO RIO NA REVISTA KOSMOS (1904-1907) 2026-03-10T16:06:09+00:00 Alvaro Santos Simões Junior alvaro.simoes@unesp.br <p>Analisa-se neste artigo a produção de Paulo Barreto, mais conhecido pelo pseudônimo de João do Rio, na revista ilustrada <em>Kosmos</em> (Rio de Janeiro, 1904-1909), de modo a evidenciar o contraste ideológico entre o periódico, que se prestava a divulgar por todo o Brasil e no exterior as reformas “regeneradoras” por que então passava o Rio de Janeiro, e a breve colaboração do jovem jornalista, que em seus textos manifestava notável empatia pela cultura popular e a população humilde da cidade, alvos de repressão policial e de violências diversas cometidas em nome da <em>higiene</em> e do <em>progresso</em>.</p> 2026-03-10T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2026 Alvaro Santos Simões Junior https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/cadernodeletras/article/view/30290 LITERATURA TRADUZIDA E IMPRENSA: UMA DÉCADA DE TRADUÇÃO POÉTICA NO SUPLEMENTO LETRAS E ARTES DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS (RJ) 2026-03-10T16:06:10+00:00 Nathaly Silva Nalerio nsnalerio@gmail.com Carla Araújo de Macêdo Nogueira carlamnogueira00@gmail.com Andrea Cristiane Kahmann ackahmann@gmail.com <p>Este artigo tem como escopo realizar um levantamento e propor análises a partir da poesia traduzida publicada entre 1956 e 1965 no suplemento “Letras e Artes”, do jornal carioca Diário de Notícias. Este recorte deve-se ao fato de, no ano de 1957, o “Letras e Artes” ter ganhado o prêmio Paula Brito de melhor suplemento literário, o que evidencia a relevância dos textos selecionados para compor a publicação e sua circulação entre as elites culturais, econômicas e políticas do país naquele momento anterior ao golpe cívico-militar de 1964. Concentrando-se na poesia por ser este o mais prestigioso dos gêneros em tradução, este artigo apresenta dados obtidos a partir do levantamento de poesias em tradução em 520 edições do suplemento, consultadas por meio da Hemeroteca Digital Brasileira. Por este enfoque, foram identificados 150 poemas ou trechos de poemas traduzidos para o português brasileiro por 35 nomes, dos quais 7 destacaram-se pela colaboração frequente no suplemento. A essa abordagem quantitativa, agregam-se análises de cunho qualitativo providas pelo entrelaçamento dos resultados obtidos com a proposta de Lieven D´Hulst (2021) para uma história da tradução. Assim, buscou-se refletir sobre quem traduz o que, onde, quando, com que ajuda e por quê. A partir disso, busca-se prover informações sobre a circulação de poesia traduzida na década de maior destaque dos suplementos culturais no Brasil, discutir veículos de influência e a formação do campo literário e intelectual brasileiro para além de um circuito editorial canonizado.</p> 2026-03-10T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2026 Nathaly Silva Nalerio, Carla Araújo de Macêdo Nogueira, Andrea Cristiane Kahmann https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/cadernodeletras/article/view/30282 A LITERATURA COMBATIVA DE JÚLIA LOPES DE ALMEIDA: NOTAS SOBRE SUA PRODUÇÃO FOLHETINESCA (1907-1925) 2026-03-10T16:06:11+00:00 Gabrielle Pacheco gabimondego09@gmail.com <p>Neste texto, busca-se apresentar parte da obra da escritora, ensaísta, cronista, contista e dramaturga Júlia Lopes de Almeida (1862-1934), uma das mais notáveis escritoras de seu tempo, com especial foco em sua literatura dita combativa. Neste sentido, consideram-se textos os quais apresentam seus posicionamentos frente às demandas de sua época, especialmente àquelas relacionadas às mulheres, comumente protagonistas de sua literatura. Assim, elegem-se três folhetins assinados pela escritora ao longo do primeiro quartel do século 20 - “Eles e Elas”, “Correio da roça” e “Maternidade” -, publicados nos prestigiados <em>O Paiz</em> e <em>Jornal do Commercio</em>, obras que posteriormente foram publicadas sob diferentes formatos - contos, romance e conferência. De caráter histórico-documental, esta pesquisa fundamenta-se nos preceitos da História Cultural e estabelece diálogo com os estudos de Eleutério (2005), Martins e De Luca (2018) e Pinto (2023), para citar alguns. De igual modo, elege como principais referenciais metodológicos os pressupostos de Burke (2011), Chartier (2002) e Ferreira (2015). Ademais, acionam-se a Hemeroteca Digital da Fundação Biblioteca Nacional (FBN) e a Biblioteca Brasiliana José Mindlin e Guita (BBM-USP) como acervos para localização dos periódicos e das primeiras edições publicadas das obras em tela. Os resultados apontam que, com a análise das publicações seriadas, foi possível atribuir sentidos a partir das representações contidas nos textos, considerando as diferentes conjecturas, a trajetória da escritora, e a construção de sua própria bibliografia no espaço público.</p> 2026-03-10T15:44:24+00:00 Copyright (c) 2026 Gabrielle Pacheco https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/cadernodeletras/article/view/30259 ENTRE TIPOGRAFIAS E CÍRCULOS LITERÁRIOS: HUMBERTO DE CAMPOS NA IMPRENSA DA CIDADE DE BELÉM (PA) 2026-03-10T16:06:12+00:00 José Guilherme de Oliveira Castro jgpsico.letras@gmail.com Luis Fernando Ribeiro Almeida profalmeidafernando@gmail.com Milena Silva Castro castroarqui@gmail.com <p>O objetivo deste estudo é cartografar a participação de Humberto de Campos (1886-1934) na imprensa da cidade de Belém (PA), desde as suas primeiras incursões editorias e redatoriais, até a sua colaboração ativa nos periódicos <em>Folha do Norte </em>e <em>A Província do Pará,</em> no período de 1909 a 1912. Nesse pormenor, a partir de uma pesquisa de base bibliográfica e documental, no franco diálogo entre literatura e imprensa, são analisadas algumas produções de Humberto publicadas na imprensa belenense, destacando-se os seus primeiros poemas, bem como os textos voltados para analisar obras literárias, em uma experiência que se pode chamar de <em>protocrítica. </em>Isto posto, entende-se que, a partir da intensa atuação de Humberto de Campos na imprensa paraense, é possível indicar a relevância que a mídia impressa, entendendo-se jornais e revistas, tinha no cotidiano da sociedade dos primeiros anos do século XX.&nbsp;</p> 2026-03-10T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2026 José Guilherme de Oliveira Castro, Luis Fernando Ribeiro Almeida, Milena Silva Castro https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/cadernodeletras/article/view/30284 “GRANDE SERTÃO” NA IMPRENSA DOS EUA: A RECEPÇÃO MIDIÁTICA DE “THE DEVIL TO PAY IN THE BACKLANDS” 2026-03-10T16:06:13+00:00 Gilberto Alves Araújo gilbertoa.araujo@yahoo.com.br Lívia Aparecida de Almeida e Sousa licepex@gmail.com Eliene Rodrigues Sousa licepex@gmail.com <p>Este artigo investiga a recepção midiática de <em>Grande sertão: veredas</em> (1956), de Guimarães Rosa, na imprensa dos EUA (1963-1970), examinando como resenhas, colunas e listas de bibliotecas traduziram socialmente o romance em inglês. Metodologicamente, compõe-se um <em>corpus</em> sistemático de jornais (<em>Newspapers.com</em>), em 35 textos, com codificação indutivo-dedutiva de categorias (“Brazilian Western”, dificuldade em tradução, metafísica/experimentalismo, exotização vs. historicidade) e comparação transversal por ano e veículo. Teoricamente, articulam-se sociologia da tradução e estudos midiáticos de circulação (Sapiro, 2016; Thompson, 2021), paratextos (Batchelor, 2018), a noção de “born-translated” (Walkowitz, 2015), domesticação/fluência (Venuti, 2019) e “modos de apego” (Felski, 2020; 2015). Os resultados indicam a estabilização de um regime ambivalente de legibilidade, no qual rótulos domesticadores facilitaram a entrada do leitor enquanto a “dificuldade” foi convertida em valor estético. Evidenciam também a centralidade de metadados, capas, orelhas e press releases na formação de expectativas, e mostram o deslocamento da avaliação do “estilo” para a mediação tradutória, com sugestões de leitura gradual que moldaram a circulação transnacional do romance em tela. O estudo sugere que a fortuna crítico-midiática internacional da obra dependeu menos de uma essência intraduzível e mais da engenharia de mediações que a tornaram legível.</p> 2026-03-10T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2026 Gilberto Alves Araújo, Lívia Aparecida de Almeida e Sousa, Eliene Rodrigues Sousa https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/cadernodeletras/article/view/30214 PARANÁ AO RÉS-DO-CHÃO: DISJUNÇÃO E ISOLAMENTO NA CRÔNICA E IMPRENSA PARANAENSE 2026-03-10T16:06:14+00:00 Francisco Camolezi camolezimelo@gmail.com <p>A partir das premissas e perspectivas da teoria da disjunção (Bueno, 2019), o presente trabalho contrapõe a análise de quatro crônicas publicadas na imprensa paranaense à proposta de formação do Paraná de Wilson Martins, exposta no livro <em>Paraná, um Brasil diferente </em>(1989), que defende que, por conta da ausência de mão de obra escrava, indígena e migração portuguesa, o Paraná se constituiu como território separado da identidade brasileira, ligado às tradições, culturas e sociedades europeias. Mesmo diante de uma historiografia que desbanca as conclusões do livro de Wilson Martins, sua teoria apresenta uma certa sobrevivência no projeto urbano e discurso político regional. Nesse sentido, a análise das crônicas ilustra um Paraná que guarda em seus registros literários e jornalísticos a história de fluxos migratórios e espaços de disputas étnicas complexas que mais o aproxima do que o isola do restante do país.</p> <p><span style="font-weight: 400;">&nbsp;</span></p> 2026-03-10T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2026 Francisco Camolezi