https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/dgenerus/issue/feedD’GENERUS: Revista de Estudos Feministas e de Gênero2026-04-13T19:53:15+00:00Profa. Dra. Márcia Alves da Silvarevistadgenerus@gmail.comOpen Journal Systems<p dir="ltr">A <strong><em>D'GENERUS: Revista de Estudos Feministas e de Gênero</em></strong> é um periódico acadêmico da Universidade Federal de Pelotas, de caráter interdisciplinar, que publica textos oriundos de pesquisas científicas no campo dos estudos feministas e de gênero. A revista possui caráter interdisciplinar e sua periodicidade é de fluxo contínuo, com publicação de trabalhos inéditos distribuídos em artigos originais de estudos teóricos e empíricos, ensaios, resenhas de livros, dossiês temáticos, números especiais, entrevistas e traduções, que versem sobre as áreas temáticas contempladas em sua política editorial.</p> <p dir="ltr"><strong>ISSN</strong>: 2764-9938</p>https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/dgenerus/article/view/31375Apresentação2026-04-13T00:54:59+00:00Lissette Torres-Arévalolichytaa@gmail.comMárcia Alves da Silvaprofa.marciaalves@gmail.com<p class="p1">Este número especial nasceu da necessidade de questionar, como pesquisadoras e militantes feministas, quais são esses lugares que habitamos, defendemos e cultivamos, diariamente? Onde pisamos, tecemos, semeamos, somos, amamos e resistimos? Por muitos anos essa resposta vinha pronta: nosso lugar era a cozinha, o salão invisível, o jardim solitário, as atividades manuais e o silêncio que nos fazia desaparecer. No entanto, através de uma escuta tenta e sensível às ancestralidades femininas que sempre nos acompanharam seguimos, com gestos cotidianos, cultivando uma insurgência que faria visível a relevância da nossa existência.</p>2025-12-31T00:00:00+00:00Copyright (c) https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/dgenerus/article/view/31377REDEIRAS DA Z-3, MULHERES NA PESCA DE SONHOS NO ARTESANATO 2026-04-13T19:53:15+00:00Vitoria de Lima Cardosovitorialimacardoso2604@gmail.comCláudio Baptista Carlecbcarle@yahoo.com.br<p>O artigo aborda a transformação do saber-fazer rede de pescar camarão-rosa, para o ofício da confecção de um artesanato derivado da pesca, no grupo de mulheres artesãs-pescadoras, chamadas redeiras, no extremo sul do Brasil. A abordagem etnográfica de pesquisa, de modo geral, permite a perspectiva na forma como a Antropologia produz conhecimento, destacando a importância do trabalho empírico de campo e confrontando as teorias existentes com a realidade observada. No trabalho de campo, as experiências, aprendizados e reflexões foram registradas por meio de um diário de campo, que sempre era escrito após a observação participante. Os dados de campo também foram produzidos a partir do uso do gravador de voz do celular, em especial nos momentos em que se fizeram oportunos e coerentes com as dinâmicas do campo.</p>2025-12-31T00:00:00+00:00Copyright (c) https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/dgenerus/article/view/31381O ARTESANATO COMO FERRAMENTA DE FEMINISMOS E RESISTÊNCIA NO QUILOMBO VÓ ELVIRA2026-04-13T00:54:08+00:00Erlene Pereira Barbosaerlene2013@gmail.comNivia Celoi Barragan Ferreiraniviabarragan17@gmail.com<p>O presente trabalho apresenta a atividade coletiva das mulheres quilombolas da comunidade Vó Elvira, que gera renda para as mulheres do território, consistindo nas observações realizadas em campo pelas autoras. A iniciativa faz parte do Projeto de Oficinas de Economia Solidária e Confecção de Artesanatos Afro-brasileiros, desenvolvido em parceria entre a liderança da comunidade e o Instituto Federal de Educação Sul-Rio-grandense – IFSul. O projeto não só é uma forma de as mulheres conseguirem independência financeira, mas também de resgatar a cultura de seus ancestrais. As oficinas fortalecem a troca de experiências entre as mulheres, a socialização e os interesses da coletividade. Através do artesanato, essas mulheres são estimuladas a ressignificar o seu papel na sociedade, a se sentirem importantes e necessárias no grupo. Ali, encontram também incentivo a voltar a estudar e a buscar outras oportunidades que antes não se viam capazes de executar.</p>2025-12-31T00:00:00+00:00Copyright (c) https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/dgenerus/article/view/31382ENTRE ERVAS, BENZIMENTOS E MEMÓRIAS2026-04-13T00:56:41+00:00Lilian Beckerlilianbecker@hotmail.com<p>O artigo investiga como saberes ancestrais relacionados a práticas de cura como banhos de ervas, rezas, benzimentos e uso de plantas medicinais são transmitidos entre mulheres ligadas às religiões de matriz africana. A partir da convivência com cinco participantes, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa inspirada na educação popular e nos feminismos interseccionais, compreendendo esses saberes como formas legítimas de conhecimento, resistência e cuidado. As práticas foram analisadas por meio de entrevistas narrativas e cartografia afetiva, com ênfase na oralidade e na memória intergeracional. A construção coletiva de um caderno de rituais permitiu registrar receitas, rezas e conselhos compartilhados pelas interlocutoras, sem romper com a natureza fluida e experiencial dessas tradições. Os resultados evidenciam que os saberes espirituais e populares resistem à deslegitimação histórica imposta por sistemas coloniais, patriarcais e científicos hegemônicos, mantendo-se vivos nos cotidianos de famílias e comunidades. As práticas descritas revelam modos de aprendizagem baseados em vínculos afetivos, espiritualidade e ancestralidade, reafirmando a centralidade das mulheres como guardiãs de uma pedagogia sensível, situada e relacional. A pesquisa contribui, assim, para o reconhecimento dessas práticas como tecnologias de cuidado e resistência, destacando seu valor cultural, pedagógico e político no contexto contemporâneo.</p>2025-12-31T00:00:00+00:00Copyright (c) https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/dgenerus/article/view/31384O ARTESANAL E O ORDINÁRIO2026-04-13T00:57:47+00:00Jamile Wayne Ferreiramilewayne.gastronomia@gmail.comCarolina Wudich Borbacarolwudich@gmail.com<p>O trabalho culinário e de costura são atividades historicamente designadas às mulheres, considerando isso, o artigo busca, nas dimensões históricas e socioculturais da experiência das mulheres das classes populares, formas de pensar a culinária e a costura. A divisão sexual do trabalho estabeleceu uma hierarquia simbólica, relegando o trabalho feminino ao âmbito doméstico e à invisibilidade, enquanto o trabalho masculino equivalente, como o do alfaiate e do chef, alcançava prestígio e valorização. Por meio de uma análise que considera os recortes de gênero e raça, o artigo propõe a artesania e a educação popular feminista como caminhos pedagógicos para a emancipação das mulheres e a construção de outros sentidos para a culinária e a costura. Através da experiência nos projetos Quitutes Mirabal e Mulheres Mil e da vivência como educadoras popular, procuramos olhar para o saber-fazer e a manualidade a partir da ideia de que o trabalho ordinário pode ser um campo de criatividade, autonomia e fortalecimento coletivo, permitindo que as mulheres se reconheçam como sujeitas ativas e produtoras de sua própria história.</p>2025-12-31T00:00:00+00:00Copyright (c) https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/dgenerus/article/view/31388CUIDAR, EDUCAR, PESQUISAR2026-04-13T00:47:02+00:00Lucas Vargas Bozzatolucasbozzato2@gmail.comEduarda Vesfal Dutraeduarda.dutra1@hotmail.comSilvia Teixeira de Pinhosilvia@unir.comFranciele Roos da Silva Ilhafrancieleilha@gmail.com<p>O presente trabalho analisa desafios enfrentados por mulheres no contexto acadêmico a partir da experiência da maternidade. A investigação teve como objetivo refletir sobre como a maternagem atravessa a formação e a atuação de mulheres na universidade, especialmente na pós-graduação, de modo a visibilizar tensões, silêncios e estratégias desenvolvidas por essas mulheres. Fundamentado na pedagogia feminista popular, o estudo utilizou rodas de conversa, escuta ativa e relatos escritos de três participantes, duas docentes e uma discente, integrantes de um grupo de pesquisa em Educação Física. A metodologia foi construída de forma horizontal e dialógica, respeitando os tempos, formatos e disponibilidades das mulheres participantes. Os resultados revelaram a sobrecarga enfrentada pelas mães acadêmicas, mesmo quando inseridas em contextos de maior estabilidade institucional. Destacaram-se estratégias como o trabalho noturno, redes de apoio familiares e improvisações no cotidiano universitário para conciliar cuidado e produção acadêmica. Também foram apontadas demandas por políticas institucionais de apoio, como flexibilização de prazos, criação de creches e reconhecimento da maternidade como elemento estruturante da vida acadêmica. Conclui-se que a maternidade não é um obstáculo à excelência, mas expõe as contradições de um modelo acadêmico excludente, exigindo transformações estruturais para acolher as múltiplas existências que habitam a universidade.</p>2025-12-31T00:00:00+00:00Copyright (c) https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/dgenerus/article/view/31389ÁRVORE IDENTITÁRIA2026-04-13T01:00:05+00:00Renata Nasinhakarenata.nasinhaka@gmail.comMárcia Alves da Silvaprofa.marciaalves@gmail.com<p>O presente artigo é oriundo de uma prática docente realizada em uma turma do curso de Pedagogia, em um componente curricular que trata da relação entre docência e gênero, onde realizamos a atividade denominada “<em>árvore identitária</em>”, com o intuito promover um diálogo com as temáticas dos estudos de gênero, formação docente, pesquisa (auto)biográfica e educação popular. A proposta foi realizarmos um exercício (auto)biográfico no qual as estudantes pudessem revisitar suas próprias trajetórias de vida e de formação, enquanto mulheres e professoras em formação, trazendo à tona e compartilhando memórias de suas vivências. O objetivo foi contribuir com o processo de formação das futuras professoras, partindo do conhecimento e da partilha da narrativa das suas próprias histórias de vida, a partir da reflexão e do conhecimento de si para pensar como as experiências e as vivências influenciam nas escolhas e nas práticas docentes.</p>2025-12-31T00:00:00+00:00Copyright (c) https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/dgenerus/article/view/31391DESIGN E EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA2026-04-13T00:48:25+00:00Rafael Santos da Rosarafaelsantosdarosa948@gmail.com<p>Este trabalho explora a interseção entre design, cartografia e educação antirracista, fundamentando-se na experiência formativa do pesquisador no Núcleo de Extensão, Ensino e Pesquisa Relações Étnico-Raciais (NEEPRER) da Universidade Católica de Pelotas (UCPel). O objetivo principal do estudo é investigar como competências em design e comunicação podem ser empregadas como ferramentas pedagógicas e políticas para a valorização de epistemologias historicamente marginalizadas. A metodologia, de natureza participativa e dialógica, utiliza a cartografia como método de pesquisa-intervenção para acompanhar e mapear processos em curso. A ação central consistiu na condução de uma roda de conversa, dispositivo pedagógico freiriano, que culminou na elaboração de uma biografia coletiva de uma proeminente intelectual e militante negra na educação brasileira. O aporte teórico do projeto é amplo e multifacetado, ancorando-se na pedagogia popular feminista, em epistemologias negras e feministas latino-americanas e na Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire. A abordagem enfatiza a importância do diálogo, da escuta ativa e da práxis — entendida como unidade entre ação e reflexão — enquanto elementos centrais para uma educação emancipatória. A contribuição reside na demonstração prática de como a convergência entre design e cartografia pode gerar metodologias de pesquisa e intervenção inovadoras. Ao inviabilizar narrativas de mulheres negras, o estudo enriquece a historiografia da educação e reforça a necessidade de ocupar espaços de resistência. Conclui-se que a luta antirracista é um exercício de afeto, política e epistemologia, fundamental para a construção de uma educação mais justa e plural.</p>2025-12-31T00:00:00+00:00Copyright (c) https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/dgenerus/article/view/31392A EDUCAÇÃO AMBIENTAL, EDUCAÇÃO POPULAR E GÊNERO2026-04-13T00:49:06+00:00Felipe da Silva Justofelipe.sjusto@gmail.comCaroline Terra de Oliveiracaroline.terraoliveira@gmail.comMaria Odete da Rosa Pereiramariaodetedarosapereira@gmail.com<p>Este artigo analisa a interseção entre Educação Ambiental Crítica e Educação Popular a partir de uma perspectiva feminista e decolonial. A investigação foca em como o protagonismo de mulheres pescadoras artesanais constrói alternativas de resistência ao modelo neoliberal-extrativista, examinando dois casos paradigmáticos na América Latina: o coletivo <em>Pañuelos en Rebeldía</em> (Argentina), que articula arte, feminismo e formação política; e o Projeto de Educação Ambiental PEA FOCO (Brasil), que promove o empoderamento, a organização comunitária e o reconhecimento profissional de mulheres na cadeia produtiva da pesca no Norte Fluminense. A metodologia, de caráter qualitativo, fundamenta-se em revisão bibliográfica crítica e análise teórica de experiências concretas, ancoradas no pensamento de Freire, Korol e Leff. Os resultados demonstram que a integração entre pedagogias feministas, economia solidária e defesa territorial não apenas visibiliza e valoriza os saberes tradicionais femininos, mas também gera formas concretas de organização contra-hegemônica. Conclui-se que a participação ativa de mulheres – sobretudo negras, indígenas e em condição de vulnerabilidade social – é fundamental para a construção de uma justiça socioambiental que enfrente, simultaneamente, o patriarcado, o racismo e a exploração capitalista da natureza.</p>2025-12-31T00:00:00+00:00Copyright (c) https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/dgenerus/article/view/31393TRAMAS E URDIDURAS FEMINISTAS, POPULARES E DECOLONIAIS NA EDUCAÇÃO AMBIENTAL2026-04-13T01:03:41+00:00Lissette Torres-Arévalolissettetorresarevalo@gmail.comNarjara Mendes Garcianarjaramg@gmail.com<p>O artigo evidencia a necessidade uma Educação Ambiental tecida por nuances feministas, populares, descolonizadoras, além de antirracistas e intergeracionais. A reflexão parte de interações ocorridas em oficinas de tear decorativo, propostas como atividades de sensibilização estética-ambiental, em curso de formação realizados em duas cidades brasileiras: Mocajuba (Pará) e Novo Hamburgo (Rio Grande do Sul). A análise, contudo, não se limita a esse contexto; por meio da autoetnografia como processo investigativo qualitativo, busca-se evidenciar detalhes e conversas mais cotidianas presentes nessas experiências. Os resultados são apresentados na forma de discussões, baseadas principalmente na necessidade de entender a Educação Ambiental a partir dos contextos em que muitas vezes ela é utilizada como ferramenta de transformação e emancipação.</p>2025-12-31T00:00:00+00:00Copyright (c)