Revista Dissertatio de Filosofia
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<p> A Revista Dissertatio de Filosofia (RDF) é uma publicação semestral do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal de Pelotas. RDF publica artigos originais, estudos críticos, traduções devidamente autorizadas pelos autores e/ou representantes legais, com introdução, comentários e notas de temas relevantes na História da Filosofia, assim como resenhas. </p> <p><strong>Qualis:</strong> A2</p> <p><span data-sheets-value="{"1":2,"2":"A4"}" data-sheets-userformat="{"2":2627,"3":{"1":0},"4":{"1":2,"2":16776960},"9":1,"12":0,"14":{"1":3,"3":1}}"><strong>ISSN:</strong> </span>1983-8891</p>Universidade Federal de Pelotaspt-BRRevista Dissertatio de Filosofia1983-8891<p>(1) Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a <a href="http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/" target="_new">Licença Creative Commons Attribution</a> que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.</p><p><br />(2) Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.</p><p><br />(3) Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja <a href="http://opcit.eprints.org/oacitation-biblio.html" target="_new">O Efeito do Acesso Livre</a>)</p>Apresentação
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<p>DOSSIÊ NIETZSCHE E SCHOPENHAUER. SOBRE O SOFRIMENTO E A ARTE: APRESENTAÇÃO</p>Luís RubiraClademir AraldiTulipa Meireles
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2026-02-062026-02-061310.15210/dissertatio.vi.31049Vontade de Nada e Nada de Vontade: Sofrimento e Sentido em Schopenhauer e Nietzsche
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<p>No presente texto, apresento uma interpretação da paradoxal afirmação feita<br>por Nietzsche em Para a Genealogia da Moral a respeito de uma estrutura universal da<br>vontade humana, de acordo com a qual esta prefere ainda querer o Nada a não querer.<br>Em ligação com este tema, encontram-se as questões do sentido, do ideal ascético do<br>sofrimento em Schopenhauer e Nietzsche.</p>Oswaldo Giacoia Junior
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2026-02-062026-02-0641910.15210/dissertatio.vi.30805Ler Nietzsche, nos limites do nome “Nietzsche”
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<p>Tendo como pressuposto alguns modos de leitura de Nietzsche, que conduzem o leitor, cada vez mais, para a compreensão da obra em suas peculiaridades e movimentos internos, este estudo toma como objeto de trabalho uma figura em particular que aparece nos escritos do filósofo. Trata-se do próprio “Nietzsche” que, no interior de alguns textos, assume certos contornos e desempenha papeis muito peculiares, ora como uma assinatura, que confere legitimidade à obra, ora como um eu-narrador, que apresenta e imprime uma coerência ao texto, ora como parte de uma crítica à ideia de unidade do sujeito, ora como um tipo de homem superior com o qual é possível uma transvaloração de valores, em todo caso, uma figura de linguagem cuja compreensão torna-se chave para o entendimento da estratégia literária e da organização da obra como um todo.</p>Antonio Edmilson Paschoal
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2026-02-062026-02-06203510.15210/dissertatio.vi.30550Delírio (Wahn) e Ilusão (Illusion): a im(possibilidade) da felicidade sob o véu de Māyā em Schopenhauer
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<p>Schopenhauer aponta inúmeras vezes que a felicidade é uma ilusão, concepção que ocupa lugar central em suas reflexões metafísicas e epistemológicas. Ao negar que a vida tenha por finalidade a felicidade, o filósofo alemão evidencia tanto o caráter contraditório dessa crença quanto o paradoxo entre a vontade de viver e a inevitabilidade do sofrimento. Para ele, a ilusão da felicidade é vista como um elemento que sustenta a existência e que se vincula ao próprio modo de apreensão do mundo como representação. Nesse contexto, o conceito indiano de <em data-start="817" data-end="823">M</em><em>ā</em><em>y</em><em>ā</em> é incorporado por Schopenhauer para elucidar o caráter enganoso do mundo como representação e da própria felicidade. A presente pesquisa tem por objetivo examinar a função de <em data-start="995" data-end="1001">M</em><em>ā</em><em>y</em><em>ā</em> no pensamento schopenhaueriano, buscando compreender de que forma essa ilusão opera as experiências humanas e em que medida o sofrimento pode, assim como a felicidade, ser concebido como uma ilusão.</p>Diana Chao Decock
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2026-02-062026-02-06364510.15210/dissertatio.vi.30365Nietzsche e o sofrimento
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<p>O presente artigo tem por objetivo esclarecer como, na filosofia de Nietzsche, a questão do sofrimento está no centro da pergunta pelo valor da vida e como certas “terapias” culturais (sobretudo a religião, mas também a metafísica, a arte romântica e, modernamente, a tecnociência) funcionam como narcóticos que aliviam a dor sem tocar sua causa, acabando por negar a própria vida. Para tanto, inicia-se por uma contraposição entre o “otimismo teórico” de Sócrates o “pessimismo da força” a partir de <em>O nascimento da tragédia</em>: os “sofredores por abundância” (dionisíacos) assumem o trágico e crescem com ele, enquanto os “sofredores por empobrecimento” buscam anestesia. Em seguida, mostra-se que, em <em>Humano, demasiado humano</em>, Nietzsche propõe uma “filosofia histórica” (psicológica e fisiológica) para desmascarar a necessidade metafísica que acabaria ignorando o sofrimento como parte da vida, dao que a religião, a moral e a estética romântica reinterpretem a dor, desviando o olhar da causa e produzindo dependência. A seguir, demonstraremos como, em <em>Genealogia da moral</em>, o autor reconstrói a “artimanha” pela qual religião e moral da compaixão ligam sofrimento e culpa, oferecendo consolo e sentido (ideal ascético) ao preço de uma doença mais profunda: a má-consciência, o ressentimento e, por fim, a “vontade de nada”. Mostraremos como a saída, então, passa pela inocência: reconhecer a irresponsabilidade e a necessidade naturais dos fenômenos, renaturalizando o humano e desfazendo a leitura culposa do padecer. Terminaremos por ampliar a crítica às promessas seculares de supressão da dor (hoje assumidas pela tecnociência), entendidas como novas formas de narcose que replicam a esperança religiosa de paraíso sem sofrimento. Em conclusão, recolocaremos a criação como resposta afirmativa diante do sofrimento, demostrando como “criar” é a grande libertação do sofrer. Extirpar a dor seria empobrecer a vida; enfrentá-la e torná-la conteúdo de criação é, ao contrário, condição de potência, grande saúde e autenticidade.</p>Jelson Roberto de Oliveira
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2026-02-062026-02-06467310.15210/dissertatio.vi.30381Usos e abusos do termo “pessimismo” em Filosofia: considerações preliminares para uma proposta de distinção
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<p>O artigo problematiza os usos abusivos do termo “pessimismo” na esfera da Filosofia como reflexo de usos banalizados do senso comum. Para tanto, debate sobre em que medida, para qualificá-lo como substantivo, o adjetivo “filosófico” precisaria ser empregado como sinônimo de “crítico” em sentido amplo, sem filiação prévia a escolas específicas, como à da teoria <em>crítica</em>. Essa medida permitira uma diferenciação elementar em relação a pessimismos “acríticos” como mera referência a estado de ânimo, a espírito de época, e de cunho <em>estritamente</em> subjetivo. Premissas basilares de Schopenhauer – assumido como primeiro pensador da modernidade a construir um sistema filosófico de pessimismo<em> como </em>crítica (a) do sofrimento e (b) do otimismo como visão falsificada desse mesmo mundo – são postas em debate para uma proposta de distinção de três categorias de empregos do termo: (1º) usos crítico-filosóficos <em>stricto sensu</em>, (2º) usos crítico-filosóficos <em>lato sensu</em> e (3º) usos acríticos.</p>Vilmar Debona
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2026-02-062026-02-06749510.15210/dissertatio.vi.30463Schopenhauer contra Wagner? A história de uma correspondência
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<p>O artigo examina a única correspondência entre Schopenhauer e Wagner, originada em 1854 com o envio do libreto O Anel do Nibelungo. O episódio, mais que anedótico, evidencia uma divergência estética central: enquanto Schopenhauer defende a autonomia metafísica da música em relação à palavra, Wagner busca a síntese entre ambas na Gesamtkunstwerk. A análise mostra como essa tensão se reflete na evolução do pensamento wagneriano, que, no Beethoven-Schrift (1870), passa a reconhecer a primazia da música pura, aproximando-se tardiamente da concepção schopenhaueriana.</p>Luan Corrêa da Silva
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2026-02-062026-02-069611210.15210/dissertatio.vi.30464A hipótese Nietzsche-Spencer: ou sobre a espetacularização do sofrimento
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<p>o artigo apresenta, panoramicamente, o tema da espetacularização do sofrimento na filosofia de Nietzsche. Começa-se por analisar textos ilustrativos, com ênfase em <em>Aurora </em>e <em>Genealogia da Moral,</em> a fim de mostrar que a espetacularização é uma tese histórica, etnológica e psicológica sobre a moralização de um modo de se relacionar com o sofrimento, cuja matriz foi a religião. Discute-se, em seguida, o papel de <em>The Data of Ethics</em>, de Herbet Spencer, na composição das teses nietzschianas. O filósofo inglês é apontado pela crítica especializada, em geral, como a única fonte temática de Nietzsche. Almejando nuançar essa afirmação, mostra-se que Spencer é fonte argumentativa e não temática, uma vez que a espetacularização já aparece trabalhada dois anos antes do contato de Nietzsche com a obra de Spencer. Conclui-se, assim, pela co-autoralidade da tese da espetacularização do sofrimento, destacando as peculiaridades nas abordagens de cada filósofo. Spencer, portanto, teria valor de argumento e linguagem etnológicas para robustecer reflexões próprias de Nietzsche</p>Hailton Guiomarino
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2026-02-062026-02-0611313410.15210/dissertatio.vi.30360Arte e Sofrimento em Schopenhauer: sobre o modo de conhecimento estético e sua relação com a Vontade
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<p>Apresentaremos alguns aspectos sobre o desenvolvimento dos temas Arte e Sofrimento no pensamento de Arthur Schopenhauer (1788-1860) a partir, sobretudo, do Terceiro e Quarto livro de sua principal obra <em>O Mundo como Vontade e Representação</em>, tomo I, dos livros suplementares desta obra, presentes no tomo II, bem como de outros textos como os presentes em <em>Parerga e Paralipomena,</em> o capítulo XII em especial. Tais temas estão sobre o fundo dos conceitos schopenhauerianos de Vontade de vida, a partir do qual investigamos como surgem e se desenvolvem os temas da dor e do sofrimento enquanto consequências necessárias da Vontade, a coisa em si. Por outro lado, sobre o fundo da estética de Schopenhauer investigamos de que forma a arte é um paliativo do sofrimento inerente ao indivíduo e como sua metafísica do belo apresenta por meio do gênio um significado para a vida além da dor. Por fim, propomos refletir em que medida Arte e Sofrimento em Schopenhauer apresentam contribuições à filosofia contemporânea por uma perspectiva ética e estética.</p>Tulipa Martins Meireles
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2026-02-062026-02-0613515410.15210/dissertatio.vi.30366Nietzsche contra Wagner e contra si mesmo
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<p>Este artigo procura mostrar que as críticas que Nietzsche dirige a Richard Wagner em seus escritos tardios são também formas de se voltar contra si mesmo. Ao enfatizar seus ataques à <em>décadence</em> e ao histrionismo de Wagner, o autor de <em>O caso Wagner</em> explicita, principalmente nas cartas de 1888, que ele pretende com o ataque a Wagner superar a <em>décadence </em>moderna a partir de si mesmo. Enfim, a guerra infindável <em>contra</em> Wagner seria uma forma de Nietzsche chamar a atenção dos seus contemporâneos para a importância de sua tarefa filosófica e de seus livros publicados até então.</p>Clademir Luís Araldi
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2026-02-062026-02-0615517710.15210/dissertatio.vi.31017Fragmentos póstumos de Friedrich Nietzsche, selecionados e traduzidos por Alberto Ramos: uma edição cronológica, anotada e revisada
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<p>Na primeira antologia brasileira da obra de Friedrich Nietzsche, a <em>Nietzschiana</em> (Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1949), existe um conjunto de textos agrupados sob os títulos “Vontade do Poder” (p. 208-221) e “Obras Póstumas I e II” (p. 222-229). Ao vertê-los para a língua portuguesa, o poeta, jornalista e tradutor Alberto Ramos baseou-se na edição de Alfred Baeumler (Friedrich Nietzsche. <em>Werke. Herausgegeben von Alfred Baeumler</em>. 8 Bänden. Leipzig: Kröner, [1930-1932]). Tais textos, na verdade, são alguns dos <em>Fragmentos póstumos</em> (<em>Nachgelassene Fragmente</em>), de Nietzsche, cuja tradução doravante reestabelecemos em ordem cronológica, anotada e revisada a partir da edição crítica de Colli e Montinari (Friedrich Nietzsche. <em>Sämtliche Werke. Kritische Studienausgabe</em>. <em>Herausgegeben von</em> <em>Giorgio Colli e Mazzino Montinari</em>. 15 Bänden. Berlin/Munique: Walter de Gruyter & Co., [1967-1978]).</p>Luís Rubira
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2026-02-062026-02-0617819610.15210/dissertatio.vi.30849