https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/percsoc/issue/feed Perspectivas Sociais 2026-05-13T04:54:29+00:00 Elaine da Silveira Leite perspectivassociais@ufpel.edu.br Open Journal Systems <p>Perspectivas Sociais é uma revista editada semestralmente pelos discentes do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Pelotas. A revista recebe colaborações de pesquisadores/as brasileiros/as e estrangeiros/as, a fim de divulgar trabalhos científicos e promover um debate de cunho teórico e empírico sobre temas das Ciências Sociais e áreas afins, reiterando a importância de diversas perspectivas sobre temas atuais da sociedade compartilhados também por outras áreas do conhecimento.</p> <p><strong>Qualis:</strong>&nbsp; B3</p> <p><span data-sheets-value="{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:&quot;A4&quot;}" data-sheets-userformat="{&quot;2&quot;:2627,&quot;3&quot;:{&quot;1&quot;:0},&quot;4&quot;:{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:16776960},&quot;9&quot;:1,&quot;12&quot;:0,&quot;14&quot;:{&quot;1&quot;:3,&quot;3&quot;:1}}"><strong>ISSN: </strong>2317-7438</span></p> https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/percsoc/article/view/29361 A chegada da extrema direita ao Planalto 2026-05-13T04:25:57+00:00 Flávia Lee Cardoso Dias flavialeedias@yahoo.com.br <p>Segundo apuração feita pelo relatório mais recente do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, divulgado em setembro de 2023, o Brasil possuí mais de duzentas e trinta e cinco mil pessoas vivendo nas ruas. Este número descortina uma série de apontamentos sobre o despreparo do Estado brasileiro em lidar com este fenômeno, sobretudo, porque, a ideologia intrínseca ao modelo econômico e político, implementados após o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, em 2016, marcou a ascensão neoliberal praticada nos anos seguintes. Ato contínuo, a eleição de Jair Messias Bolsonaro sacramentou o desmonte de várias políticas sociais, como diagnosticado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos, que publicou, em 2022, um balanço confirmando a sistemática e drástica redução de recursos nas políticas sociais, de 2019 a 2021. Esse contexto político-econômico afetou o Sistema Único da Assistência Social e, em consequência, as políticas públicas destinadas às pessoas em situação de rua, não só pela diminuição de verbas e repasses federais, mas também pela narrativa de exclusão, preconceito e racismo, própria da extrema-direita. Essas reflexões se apresentam como objetos deste artigo. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica e documental do tipo exploratória.</p> 2026-01-12T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2026 Perspectivas Sociais https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/percsoc/article/view/29313 As experiências educativas na Escola Popular da ocupação urbana Carlos Marighella 2026-05-13T04:26:40+00:00 Larissa Miranda Domingos larissamirandaufsc@gmail.com <p>Este trabalho trata do processo de construção coletiva de uma escola popular em uma ocupação urbana, considerando as concepções, conceitos e percepções que fundamentaram tal processo. Apresenta uma discussão conceitual breve sobre movimentos sociais, educação popular, territórios de resistência e as iniciativas da escola popular pesquisada. Assinala que a partir da perspectiva de educação popular histórico-crítica e de territórios de resistência, a ocupação Carlos Marighella desde sua origem, em 2022, possui projetos de educar jovens e adultos moradores e ocupantes, que vem sendo discutidos e criados conjuntamente por moradores e coordenadores. Foram realizados os seguintes procedimentos metodológicos para este trabalho: apresentação dos resultados da pesquisa, que foi centrada nas categorias de movimentos sociais; ocupação urbana e escola popular - em que consistem as entrevistas semi-estruturadas com coordenadores, professores e moradores participantes do projeto educativo. A pesquisa revelou as perspectivas pedagógicas dos educadores populares, os projetos educativos em curso e a percepção dos moradores sobre essas atividades educativas. E evidenciou que a união de ocupantes/moradores, educadores e demais forças sociais envolvidas nesse processo anima a possibilidade de transformar realidades, para além do ensino-aprendizagem, servindo também como momentos de partilha de experiências.</p> 2026-01-19T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2026 Perspectivas Sociais https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/percsoc/article/view/29395 A Representação da Revolução Russa na imprensa socialista italiana 2026-05-13T04:27:28+00:00 Tarsila Mei Antunes t205988@dac.unicamp.br <p>O presente trabalho propõe uma investigação da perspectiva do Partido Socialista Italiano (PSI) acerca dos eventos ocorridos na Rússia durante 1917, especificamente depois da Revolução de Fevereiro. A análise parte do pressuposto de que, enquanto organização política com forte atuação no cenário italiano e vínculos ideológicos com o socialismo internacional, o PSI acompanhou de forma atenta e interessada o desenrolar da revolução russa, interpretando os acontecimentos à luz de sua própria agenda política, de suas disputas internas e de seus objetivos estratégicos. Busca-se ainda observar como o caso russo foi mobilizado enquanto referência nos debates travados pelo PSI sobre a condução da luta socialista na Itália. Para isso, o trabalho se apoia na análise documental do jornal <em>Avanti!. </em>Criado em 1896 pela direção do partido, este se constituiu como um dos principais veículos de propaganda, debate interno e articulação com a base militante, sempre ocupado com o cenário político internacional.</p> 2026-01-26T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2026 Perspectivas Sociais https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/percsoc/article/view/29370 Representatividade, Capacitação e Burocracia 2026-05-13T04:29:49+00:00 Érika Lopes Faria erikapsi14@gmail.com Jussara de Azevedo Pereira rassuj.pereira@gmail.com Tassiane Cristina Morais morais.tassiane@gmail.com <p>A participação e controle social são elementos previstos na Constituição Federal, por meio deles são expressos os conflitos e correlações de forças existentes em relação aos projetos e agentes em disputa. Este estudo teve como objetivo descrever as percepções da participação social na formulação das Políticas Públicas de Saúde e de Assistência Social em um município de pequeno porte na região Sul do Espírito Santo. Foi adotada uma abordagem qualitativa de cunho exploratório, por meio de entrevistas individuais com oito conselheiros, aprovada no Comitê de Ética em Pesquisa. Estas entrevistas procuraram apreender como os conselheiros compreendem suas atribuições, verificando quais estratégias utilizam para representar suas bases, assim como o que pensam a respeito de seu papel social. As entrevistas foram gravadas, transcritas e analisadas por meio de categorias extraídas a posteriori. Como resultado, observamos que conselheiros compreendem as ações do conselho como representação social ao mesmo tempo que sinalizam que o esvaziamento social é um dos maiores desafios de sua aplicação. Os entrevistados também acreditam que a escolha dos representantes decorre de tentativas de se evitar tensionamentos, minimizando, dessa forma os conflitos e resistências de distintos projetos. Conclui-se que as fragilidades da participação representam desafios à efetividade das Políticas Públicas.</p> 2026-02-03T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2026 Perspectivas Sociais https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/percsoc/article/view/29360 Projeto LibertAr-te 2026-05-13T04:30:53+00:00 Mayara Janaina Silveira Feitoza mayarafeitoza@gmail.com Layena Nascimento Corrêa nasciimentolay@gmail.com Mikelen Oliveira de Carvalho carvalhomikelen9@gmail.com <p>O presente artigo se trata de um relato de experiência da Psicologia do Núcleo Especializado de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente- NUDECA da Defensoria Pública do Estado do Amazonas- DPE/AM, acerca das atividades ocorridas no contexto socioeducativo em Manaus, por meio do Projeto LibertAr-te no período de junho/2023 a agosto/2024. Tem como objetivo compreender as nuances da atuação profissional da Psicologia junto aos adolescentes em internação provisória ou em cumprimento de medida socioeducativa privativa ou restritiva de liberdade. Tal atuação implica um trabalho que valorize a subjetividade dos adolescentes e se distancie de uma abordagem exclusivamente punitivista. Baseia-se na abordagem dialógica e do método dialético, essa perspectiva valoriza as interações e busca romper com os padrões positivistas tradicionais da ciência. Defende-se a necessidade de uma <em>práxis</em>&nbsp;comprometida com o contexto interveniente, de modo que a Psicologia avance rumo aos diálogos interdisciplinares e às trocas horizontais com os jovens, utilizando esses processos como ferramentas para enfrentar os desafios existentes.</p> 2026-02-03T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2026 Perspectivas Sociais https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/percsoc/article/view/29301 Resistir ao colapso 2026-05-13T04:32:03+00:00 Jessiane Viana de Brito jessiane.filosofia@gmail.com <p>O presente trabalho propõe uma articulação entre a ética das virtudes e a crítica ao capitalismo contemporâneo desenvolvida por Nancy Fraser, especialmente através da noção de capitalismo canibal. Frente ao agravamento da crise ecológica global, que se manifesta em colapsos ambientais, sociais e políticos, argumenta-se que uma abordagem ética centrada nas virtudes pessoais e coletivas deve ser complementada com uma análise crítica das estruturas sistêmicas que impedem sua realização concreta. Assim, busca-se uma reflexão que integre a tradição da ética das virtudes com as exigências da justiça ecológica e social. Fraser compreende o capitalismo não apenas como um modo de produção, mas como uma ordem social institucionalizada que, ao privilegiar a acumulação de valor monetarizado, exaure e subordina suas próprias condições de sustentação: o cuidado, a natureza, os bens públicos e a democracia. A noção de capitalismo canibal (2024) torna visível esse processo predatório, em que os alicerces extraeconômicos da vida são apropriados e corroídos, colocando em risco não apenas a justiça social, mas a própria habitabilidade do planeta.</p> 2026-02-25T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2026 Perspectivas Sociais https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/percsoc/article/view/29689 Corpos negros femininos nas literaturas africanas de expressão portuguesa 2026-05-13T04:33:09+00:00 Mbiavanga Adão Garcia mbiavanga.a.garcia@gmail.com <p>As literaturas africanas de língua portuguesa têm se consolidado como espaços de resistência e de reescrita da história, especialmente por meio de vozes femininas que ressignificam corpo, memória e identidade. Este artigo propõe uma análise crítica da representação dos corpos negros femininos nas obras de Paulina Chiziane, Conceição Lima, Ana Paula Tavares e Yara Monteiro, tomando como base a noção de reexistência, entendida como estratégia de afirmação diante das marcas coloniais e patriarcais. A investigação articula teoria e crítica literária com aportes das Ciências Sociais, dialogando com conceitos de interseccionalidade, feminismos negros e decolonialidade. As análises privilegiam obras como <em>Niketche: Uma história de poligamia</em>, <em>O útero da casa, Dizes-me coisas amargas como os frutos</em> e <em>Essa dama bate bué, </em>destacando como as autoras reconfiguram narrativas sobre gênero, sexualidade, ancestralidade e diáspora. Busca-se evidenciar de que modo a escrita dessas autoras cria uma epistemologia própria, onde o corpo se torna um território de memória, resistência e poder, propondo novas leituras para a crítica literária africana contemporânea.</p> 2026-02-26T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2026 Perspectivas Sociais https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/percsoc/article/view/29382 Entre o eu e o nós 2026-05-13T04:33:43+00:00 Eduardo Antônio Dias Cristino eduardosociolog@gmail.com Nicolas Eduardo Pinheiro de Oliveira pinheirooliveira864@gmail.com <p>O artigo propõe apresentar conceitos centrais do pensamento de Norbert Elias a partir dos ensaios <em>A sociedade dos indivíduos</em> e <em>Mudanças na balança nós-eu</em>. Tendo como objetivo descrever a crítica de Elias à oposição entre indivíduo e sociedade, discute-se o processo de individualização como fenômeno relacional, histórico e interdependente. São abordadas categorias como figuração, psicogênese, sociogênese e autorregulação, articuladas à ideia de que os sujeitos se constituem em redes de interdependência. Trata-se de uma pesquisa teórica, fundamentada em revisão bibliográfica das obras do autor e de pensadores que dialogam com sua teoria. O trabalho é resultado de seminário desenvolvido em disciplina de Teoria Sociológica Contemporânea em curso de doutorado, e busca demonstrar a relevância do modelo eliasiano para a compreensão das tensões entre o eu e o nós nas sociedades modernas. Conclui pela atualidade da leitura apresentada como meio de abordar aspectos da sociabilidade contemporânea, em especial o alheamento e o sofrimento psíquico gerados pelo processo de individualização.</p> 2026-02-28T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2026 Perspectivas Sociais https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/percsoc/article/view/29376 Os desafios na efetivação do direito à saúde no Brasil 2026-05-13T04:34:39+00:00 Lyzete Bruna Pereira Freitas lyzetebruna@gmail.com <p>Esta produção objetiva analisar os desafios à efetivação da política de saúde no Brasil como um direito universal a ser garantido pelo Estado em um contexto de acirramento neoliberal. Ancorados no método de análise do materialismo crítico-dialético, o percurso metodológico aqui traçado parte de uma pesquisa qualitativa, com uma ampla revisão de literatura a partir de autores (as) de referência ao debate proposto, realizamos ainda um levantamento acerca do orçamento da União, com vistas a identificar as discrepâncias entre o quantitativo destinado ao pagamento dos juros e amortizações da dívida pública, em detrimento do que é atribuído para a saúde no país. Os achados indicam que a lógica da austeridade sempre esteve presente na realidade brasileira, no cerne de suas particularidades enquanto país de capitalismo dependente, e que se expande com o recrudescimento do neoliberalismo alinhado à ascensão da extrema-direita. Esses elementos incidem diretamente na garantia efetiva do direito à saúde no Brasil, atravessada por um desfinanciamento hostil, na medida em que as disputas pelo fundo público e o enxugamento dos gastos orçamentários afetam a execução dos serviços públicos em saúde e a garantia desse direito a população usuária.</p> 2026-04-15T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2026 Perspectivas Sociais https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/percsoc/article/view/29347 As estratégias do Primeiro Comando da Capital na realidade virtual 2026-05-13T04:35:42+00:00 Eduardo Armando Medina Dyna eduardo.dyna@unesp.br <p>Nos últimos anos, as tecnologias da informação e comunicação foram incorporadas por grupos e indivíduos na sociedade, incluindo segmentos do crime organizado, como o Primeiro Comando da Capital. Isto expressa um questionamento: Quais são os objetivos do uso digital por parte de segmentos do PCC? O objetivo deste trabalho foi investigar a dimensão virtual do PCC em relação à sua produção de ordem e configuração de governança criminal. O intuito é compreender as mudanças, finalidades e formas que esta organização criminal utiliza do universo online em suas dinâmicas sociais e criminais, relacionando enfoques sobre produção de ordem e às realidades virtualizadas. A metodologia utilizada foi qualitativa, combinando revisão bibliográfica sobre o PCC, crime e segurança pública, com imersão na internet para coleta de dados e análise de conteúdos em plataformas como X, <em>Telegram </em>e <em>TikTok</em>. Pesquisa de campo em periferias paulistas complementou os dados. Os resultados demonstram que o PCC instrumentaliza o digital na dimensão política, difundindo sua ordem, como na situação da proibição de manobras de motos em periferias, utilizando faixas e vídeos coercitivos disseminados online para controle social e imposição de normas. Conclui-se que o PCC se integrou na realidade virtualizada para organização, ordenamento e produção de ordem, afirmando-se como um <em>player </em>complexo na segurança pública contemporânea. O grupo está em um processo de governança criminal que utiliza a esfera digital para atender seus interesses, configurando como um dispositivo híbrido de controle e poder que regula, pune e dita as relações sociais de territórios, populações e mercados sob sua influência.</p> 2026-04-16T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2026 Perspectivas Sociais https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/percsoc/article/view/30618 Crises internacionais e protecionismo 2026-05-13T04:36:29+00:00 Udson dos Santos Silva santosudson415@gmail.com Jadson Pessoa da Silva jadson.pessoa@ufma.br <p>O artigo analisa a relação entre crises internacionais e o avanço de políticas protecionistas no século XXI, destacando como tais medidas se manifestam em diferentes dimensões - econômica, social, política e humanitária. A partir de revisão bibliográfica e documental, o estudo discute como a globalização intensificou fluxos econômicos e tecnológicos, ao mesmo tempo em que ampliou vulnerabilidades estruturais, incentivando Estados a adotarem mecanismos de defesa econômica. Argumenta-se que o protecionismo contemporâneo assume formas complexas, incluindo barreiras tarifárias e não tarifárias, subsídios e restrições migratórias. Tais políticas, embora justificadas como proteção de setores estratégicos, frequentemente resultam em práticas discriminatórias e aprofundam desigualdades globais, como exemplificado pela crise migratória europeia. O trabalho evidencia ainda que medidas protecionistas podem tanto amortecer efeitos de crises quanto intensificá-las, dependendo do contexto e da intencionalidade estatal. Conclui-se que a compreensão do protecionismo exige abordagem interdisciplinar, considerando suas implicações econômicas, geopolíticas e éticas no cenário internacional contemporâneo.</p> 2026-04-23T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2026 Perspectivas Sociais https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/percsoc/article/view/30625 Formar habitus crítico 2026-05-13T04:37:33+00:00 Josué de Lima Carvalho Josuecarvalho911@gmail.com <p>Este artigo reflete sobre minha trajetória como docente em cursos de Contabilidade e Administração em uma universidade pública amazônica, articulando conteúdos técnicos com clássicos da Sociologia, em especial a teoria do capital social e do habitus de Bourdieu. A partir de uma abordagem qualitativa, interpretativa e autoetnográfica, o estudo utiliza literatura especializada, dez planos de ensino sorteados e diários de docência produzidos entre 2020.2 e 2025.1. A análise evidencia como a incorporação de autores com documentos reais (demonstrações contábeis, orçamentos públicos, relatórios de sustentabilidade) e a articulação com projetos de extensão contribuem para a construção de um letramento crítico no corpo discente. Com base nesses achados, propõe-se um modelo reflexivo de docência sociologicamente informada que articula domínio técnico contábil–administrativo, leitura sociológica das organizações e inserção territorial e relacional dos estudantes em redes concretas.</p> 2026-04-26T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2026 Perspectivas Sociais https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/percsoc/article/view/29404 Povoados do Município Sitio Novo do Tocantins 2026-05-13T04:42:46+00:00 Lucielton Ferreira Cruz lucieltonferreiracruz@gmail.com Mariléa Borges de Lima Salvador marileasalvador@gmail.com <p>O artigo discute a formação social dos povoados situados em Sítio Novo do Tocantins, na região do Bico do Papagaio, analisando-os como espaços marcados pela pobreza e pela precarização decorrentes do processo de desenvolvimento capitalista de fronteira no antigo norte de Goiás. O objetivo é demonstrar como a constituição desses povoados são determinadas pelas dinâmicas econômicas e políticas impostas pela expansão do capital na Amazônia. Orientado pelo referencial teórico-metodológico crítico-dialético de base materialista, amplamente utilizado nas pesquisas do Serviço Social, o estudo adota uma abordagem qualitativa, com procedimentos bibliográficos e documentais, apoiada pela observação participante e realizado com análise dos dados apresentados e abstraídos nas leituras das referências bibliográficas. A estrutura do texto organiza-se em duas partes articuladas. A primeira examina as raízes socio-históricas e político-econômicas da constituição dos povoados e de outras comunidades tradicionais, compreendendo-as como expressão do processo de ocupação da Amazônia enquanto fronteira do capital. A segunda parte analisa a formação específica dos povoados da Amazônia Oriental, na região do Bico do Papagaio que abrange o Sul do Pará e Maranhão, e o Norte do Tocantins que se destaca como área de expansão econômica e demográfica. Conclui-se que os povoados constituem lugares sociogeográficos de exploração da força de trabalho camponesa, fundamental para a produção de mercadorias e a acumulação capitalista nos empreendimentos rurais.</p> 2026-05-07T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2026 Perspectivas Sociais https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/percsoc/article/view/29379 Questão racial e docência em serviço social 2026-05-13T04:46:55+00:00 Doniêgo Ferreira de Lima doniegolima6@gmail.com Daiane Daine de Oliveira Gomes daiane.gomes@ufrn.br <p>Nas últimas décadas, o Serviço Social reconheceu a urgência e assumiu o compromisso de amadurecer o debate étnico-racial e sua posição antirracista, considerando este um caminho e uma necessidade para o fortalecimento do projeto ético-político da categoria. Contudo, ainda persistem desafios que precisam ser superados, principalmente no âmbito da formação profissional. Assim, este artigo objetiva abordar a formação e o trabalho docente na área de Serviço Social a partir das especificidades da questão racial. Para fundamentar esta análise, recorremos à pesquisa bibliográfica e adotamos uma abordagem teórico-metodológica baseada nos princípios do materialismo histórico. Concluímos que a formação docente é um dos campos estratégicos para aprimorarmos a perspectiva antirracista dentro da profissão e que é necessário maior aprofundamento no bojo da categoria, no âmbito das práticas didático-pedagógicas articuladas à questão étnico-racial, visualizando-as como instrumentos fundamentais do processo de ensino e aprendizagem. Como contribuição, este texto joga luz sobre a etapa da formação profissional como parte importante da constituição de uma categoria profissional com posições efetivamente antirracistas, que somente podem ocorrer quando fundamentadas e articuladas à luta antirracista materializada pelos movimentos negros, assim como com o projeto ético-político do Serviço Social.</p> 2026-05-08T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2026 Perspectivas Sociais https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/percsoc/article/view/29323 No Coração da Resistência 2026-05-13T04:47:41+00:00 Daiany de Oliveira Santos daiany.oliveira@ufpe.br Allene Carvalho Lage allene.lage@ufpe.br <p>Este artigo discute a pedagogia como uma ciência complexa, fundamentada em teorias e metodologias sólidas, observando sua importância para a formação social. Derivado de um capítulo do mestrado que analisa a presença de mulheres e homens nos cursos de Pedagogia e mestrados em Educação no estado do Pernambuco, problematizo a visão simplista e desvalorizada que frequentemente recai sobre a pedagogia e à docência. É a partir de uma revisão teórica que percorre autores clássicos e contemporâneos, como Maria Montessori, John Dewey, Paulo Freire, Lev Vygotsky, Jean Piaget, José Carlos Libâneo, Dermeval Saviani, Henry Giroux, Michael W. Apple e bell hooks, que afirma a pedagogia como ciência transformadora, capaz de promover a conscientização crítica e a emancipação social. Destaca-se a pedagogia como prática política e cultural, essencial para a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e democrática. Por fim, reforço a urgência de resgatar o reconhecimento da pedagogia como campo de saber e luta, valorizando seu papel no combate à desinformação e às desigualdades no campo educacional.</p> 2026-05-08T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2026 Perspectivas Sociais https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/percsoc/article/view/29277 Internações psiquiátricas de pessoas alcoolistas em Aracaju 2026-05-13T04:46:12+00:00 Letícia Torres de Jesus leticia.torres@academico.ufs.br Vânia Carvalho Santos vrtlcarvalho@hotmail.com <p>O presente artigo é resultado da dissertação de mestrado apresentado no Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da Universidade Federal de Sergipe, decorrente da pesquisa que teve objetivo geral analisar as internações psiquiátricas de pessoas com transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de álcool que são realizadas pelo SUS em Aracaju, utilizando como parâmetro a Política Nacional sobre Drogas (PNAD) aprovada em 2019. Foram coletados dados referentes à morbidade hospitalar, no período de 2013 a 2023, disponíveis no Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Com base na análise dos dados, constatou-se que a maior parte dos internados em Aracaju por transtornos mentais e comportamentais relacionados ao uso de álcool são homens, negros e adultos, geralmente hospitalizados devido a condições de saúde que exigem atendimento urgente. Os resultados alcançados também revelaram que os objetivos e as diretrizes da PNAD/2019 seguem a direção dos processos de contrarreforma. Desse modo, após sua aprovação os avanços conquistados com a reforma psiquiátrica sofreram ainda mais retrocessos.</p> 2026-05-11T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2026 Perspectivas Sociais https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/percsoc/article/view/29372 Entre o real e o engajamento 2026-05-13T04:48:19+00:00 Wendell Reis wendreis@yahoo.com.br <p>Este artigo analisa a transformação da linguagem em contextos digitais marcados pela intensificação afetiva e pela desarticulação da mediação simbólica. Propõe-se o conceito de “necrose do signo” para descrever não a interrupção da semiose nem a dissolução da referência ao real, mas a degeneração de sua função mediadora em circuitos autorreferentes de afecção, repetição e engajamento algorítmico. A partir da teoria da crença de Charles S. Peirce, examinam-se os modos degenerados de fixação da crença: tenacidade, autoridade e <em>a priori,</em> em ambientes nos quais a Primeiridade sobrepõe-se à Terceiridade. Discursos performáticos de influenciadores e líderes religiosos são analisados como sintomas dessa degeneração semiótica, na medida em que mobilizam afetos, crenças prévias e formas de pertencimento coletivo para reduzir, sem eliminar, a abertura do signo à alteridade do objeto dinâmico. Argumenta-se que tais discursos canalizam afetos como o ódio e o ressentimento, convertendo o signo em instrumento de clausura simbólica. Defende-se, por fim, uma reaproximação do pragmatismo peirciano como ética da inquirição, capaz de reorientar a semiose para sua função mediadora e de restituir à linguagem sua dimensão pública de escuta, investigação e convivência.</p> 2026-05-12T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2026 Perspectivas Sociais https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/percsoc/article/view/29212 O pensamento anarquista de Rudolf Rocker 2026-05-13T04:44:46+00:00 Lucas Gabriel Saconato Maldonado saconatol@gmail.com <p>Este trabalho apresenta o pensamento filosófico de Rudolf Rocker e responsável pela obra <em>Nacionalismo e Cultura. </em>O problema de pesquisa tem como ponto central o conceito de cultura. Rocker parte da noção nietzscheana de que a cultura define o homem, isto é, é a instituição fundante do ser humano e este é inseparável dela. Entretanto, diferentemente de Nietzsche, Rocker não se baseou em cultura superior e inferior, mas na ideia de que a cultura antiga foi marcada principalmente pela liberdade e diversidade dentro das várias concepções e estilos de vida presentes no mundo grego. Já a cultura moderna é a cultura do Iluminismo: Assim, vai definir a partir da dicotomia liberdade/autoridade a sua noção de poder, perpassando diversos autores e momentos da história da filosofia. Como hipótese para este ensaio, Rocker distingue a partir da ideia da cultura o papel da liberdade e da autoridade.</p> 2026-05-06T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2026 Perspectivas Sociais https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/percsoc/article/view/29388 Diálogo inicial sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos 2026-05-13T04:43:26+00:00 Jéssica Gebiluka Machado jessgebiluka@gmail.com Gislaine Gebiluka gislainegbk4@gmail.com Rita de Cássia da Silva de Oliveira soliveira@uepg.br <p>Este ensaio examina a Declaração Universal dos Direitos Humanos como um marco normativo central para a garantia da dignidade humana, situando-a em uma trajetória histórica influenciada por documentos como a Magna Carta, a Declaração de Independência dos EUA e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Destaca seus princípios universais e a proteção de direitos civis, políticos, sociais e econômicos, ao mesmo tempo em que problematiza as limitações de acesso e compreensão, decorrentes da linguagem formal e da desigualdade educacional, que dificultam a percepção, o reconhecimento e a reivindicação desses direitos.</p> 2026-05-07T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2026 Perspectivas Sociais https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/percsoc/article/view/29357 Capital Fóssil 2026-05-13T04:28:38+00:00 Aline Schmidt a212417@dac.unicamp.br <p><span style="font-weight: 400;">O objetivo da resenha é apresentar criticamente o livro Capital Fóssil, de Andreas Malm. Para isso, buscou-se organizar o texto em três momentos de referência de modo a expor a arquitetura da construção argumentativa do autor. Sendo eles, a elaboração do conceito de economia fóssil, a análise da transição da água para o vapor durante a Revolução Industrial na Inglaterra e das disputas sobre o trabalho e a luta de classes no período. Pode-se concluir que sua interpretação enriquece as reflexões teóricas sobre as raízes sócio-históricas do aquecimento global contemporâneo, fornecendo pistas importantes para pensá-lo na atualidade.&nbsp;</span></p> <p><br><br style="font-weight: 400;"></p> 2026-01-20T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2026 Perspectivas Sociais https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/percsoc/article/view/30172 Cuidado em tempos de crise 2026-05-13T04:54:29+00:00 Gabriela Pecantet Siqueira gabrielapecantet@gmail.com <p>Esta resenha trata do livro Reconfigurações nas Agendas de Cuidados? (2023), de Danielle Araújo, que analisa a organização social do cuidado no contexto de crise sanitária, durante a Pandemia da Covid-19 <span style="font-weight: 400;">&nbsp;e no pós-isolamento social</span>. A autora, a partir de uma perspectiva interseccional, examina como gênero, raça e classe moldam desigualdades no trabalho de cuidado. O contraste entre os avanços institucionais argentinos e a ausência de políticas no Brasil até 2023 constitui um dos eixos centrais da obra. Também são discutidas as cadeias globais de cuidado, informalidade e racialização do trabalho doméstico. A autora destaca experiências comunitárias, destacando o cuidado como prática política, coletiva e de resistência.</p> 2026-05-13T04:54:28+00:00 Copyright (c) 2026 Perspectivas Sociais