Revista Linguagem & Ensino
https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/rle
<p>Linguagem & Ensino é uma publicação científica trimestral do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Pelotas. Desde 1998, colabora com a publicação de textos acadêmicos de pesquisadores nacionais e estrangeiros que refletem sobre questões teóricas em literatura, linguística, tradução, literatura e imagem e ensino em Letras. O fluxo de edição se dá por chamadas em fluxo contínuio de publicações atemáticas e eventualmente dossiês temáticos.</p> <p><strong>Qualis:</strong> A2</p> <p><span data-sheets-value="{"1":2,"2":"A4"}" data-sheets-userformat="{"2":2627,"3":{"1":0},"4":{"1":2,"2":16776960},"9":1,"12":0,"14":{"1":3,"3":1}}"><strong>ISSN:</strong> 1983-2400</span></p>Universidade Federal de Pelotaspt-BRRevista Linguagem & Ensino1415-1928<span>Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos: Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution (<a href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">BY-NC-ND 2.5 BR</a>) que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista. Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista. Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).</span>A teoria do Letramento e suas vicissitudes
https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/rle/article/view/28281
<p>É sabido que o termo “letramento” alcançou ampla circulação no Brasil, sobretudo nas duas últimas décadas. A amplitude da questão vem se consolidando por meio de uma rede conceitual que atravessa este campo de estudos e que é afetada por concepções de leitura, escrita, oralidade e alfabetização, filiadas aos modelos pré-existentes. Neste artigo, situamos a atualidade da questão a partir da retomada do debate sobre os modelos autônomo e ideológico formalizados por Street. Em seguida, problematizamos publicações de Soares e sua filiação ao modelo autônomo, de tal forma que chegamos à questão da pedagogização do letramento, sua repercussão em programas governamentais e em adjetivações comumente utilizadas no cotidiano. Por fim, também criticamos os reducionismos presentes nestas adjetivações e concluímos que as diversas nomenclaturas têm enfraquecido a luta por igualdade social e qualidade da escolarização pública.</p>Anderson de Carvalho PereiraLeda Verdiani TfouniFilomena Elaine Paiva Assolini
Copyright (c) 2025 Anderson de Carvalho Pereira, Leda Verdiani Tfouni, Filomena Elaine Paiva Assolini
2025-10-232025-10-23281011710.15210/rle.v28i1.28281A palavra interna à palavra
https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/rle/article/view/28652
<p>Reconhecendo que a potência criadora da memorialística está na historicidade própria que institui e nos efeitos de memória que constrói discursivamente, propõe-se este trabalho. A partir da obra <em>Retrato Calado</em>, suas fronteiras se situam ao redor do objetivo geral de analisar as imagens de escrita na obra de Salinas Fortes; imaginários que irrompem em um <em>discurso sobre</em> <em>a escrita</em>, ou seja, nas tentativas de contorná-la simbolicamente. Com base no gesto de abertura que Benveniste (1989ª, 2005ª) propõe em direção a uma Antropologia Histórica da Linguagem, compreendemos <em>Retrato Calado</em>, do ponto de vista singular que instaura, como uma <em>poética</em>. Sob essa perspectiva, promovida pelo literário que busca lançar questões ao linguístico, dedica-se atenção às relações metafóricas e metonímicas de designação estabelecidas no contínuo do discurso, no movimento da <em>palavra interior à palavra</em>.</p>Santiago Bretanha
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2025-10-232025-10-23281182910.15210/rle.v28i1.28652Discurso e história da educação de surdos
https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/rle/article/view/28548
<p>Neste artigo, assumindo uma posição teórica discursiva, propomos um gesto de leitura em torno do <em>Congresso Internacional para o Estudo das Questões de Educação e Assistência de Surdos-Mudos</em>, ocorrido no ano de 1900, em Paris, objetivando compreender <em>efeitos de sentidos sobre</em> <em>educação</em> <em>e</em> <em>surdez,</em> e assim, em um outro momento da pesquisa, podemos refletir sobre as relações entre o Congresso de Paris (1900) e as políticas de ensino estabelecidas no Instituto Imperial de Surdos-Mudos, atualmente Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), no fim do século XIX. Do ponto de vista teórico, filiamo-nos à Análise de Discurso que se formula a partir das discussões e trabalhos do filósofo francês <em>Michel Pêcheux</em> e que, no Brasil, tem seus desdobramentos a partir dos trabalhos de Eni Orlandi. Como resultado, observamos que os sentidos de <em>educação</em> e de <em>surdez</em> são constituídos em relação a posições divergentes, que marcam o antagonismo entre surdos e ouvintes, o que produz como efeito diferentes sentidos para <em>educação</em> e <em>surdez</em>.</p>Kenia Regis LemosAdielson Ramos de Cristo
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2025-10-232025-10-23281304910.15210/rle.v28i1.28548A estratégia de escrita da língua portuguesa por surdos acadêmicos
https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/rle/article/view/30152
<p>A pesquisa apresenta resultados de um estágio pós-doutoral realizado na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que investigou experiências docentes e produções escritas de alunos surdos na disciplina <em>Produção da Leitura e da Escrita da Língua Portuguesa como L1 e L2</em>, do curso de Letras Libras/Literatura Surda. O objetivo foi analisar as produções acadêmicas dos estudantes considerando sua identidade linguística. A metodologia adotada foi a pesquisação, com base teórico-metodológica em Faerch e Kasper (1983), para identificar estratégias de compensação, como transferências interlinguísticas e intralinguísticas. Os resultados indicaram que essas estratégias são mais recorrentes entre surdos sinalizantes, evidenciando que a influência da Libras aumenta na escrita do português conforme o distanciamento do uso da língua portuguesa em interações cotidianas. Quanto menor o contato com o português como língua de interação, maior é a interferência da Libras na escrita em L2.</p>Rogers RochaIsabella Mozzillo
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2025-10-232025-10-23281506310.15210/rle.v28i1.30152Dialeto pajubá
https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/rle/article/view/29810
<p>O presente trabalho pretende compreender, por meio da Análise Dialógica do Discurso (ADD) e a partir de enunciados-comentários em uma situação concreta de interação verbal, como é atribuído valor ao dialeto pajubá por alguns interlocutores. Nesse viés, busca-se examinar esses enunciados em resposta a um <em>post </em>em formato de vídeo sobre o dialeto pajubá presente na plataforma de rede social <em>Facebook</em>, mais precisamente no perfil <em>Quebrando o Tabu</em>. Para isso, utilizam-se conceitos teóricos do Círculo de Bakhtin, com ênfase nas noções de alteridade e valoração. Nessa perspectiva, o percurso analítico permitiu refletir como uma situação concreta de interação verbal é capaz de revelar a posição ideológica e sócio-histórica ocupada pelo enunciador, podendo se configurar até mesmo como discurso intolerante a partir de suas escolhas lexicais.</p>Letícia Garcia SilvaGabriele Valim VargasKarina Giacomelli
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2025-10-232025-10-23281647510.15210/rle.v28i1.29810A presença da ausência como poética na carta de Ana Luiza
https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/rle/article/view/30546
<p>Diferentemente da carta convencional, mais utilitária e direta, a carta literária apresenta um caráter elaborado e artístico, permitindo que a narrativa se desenvolva por meio de reflexões íntimas, críticas sociais e políticas, ou mesmo pela construção de um enredo ficcional complexo. Ana Luiza, personagem central de <em>Essa coisa viva</em>, de Maria Esther Maciel, tem sua história reconstruída por meio de uma carta, recurso que evidencia a potência estética e expressiva do gênero epistolar literário. Ao escolher o gênero epistolar para narrar a trajetória de Ana Luiza, Maciel também mobiliza o conceito de presença da ausência, já que a carta revela tanto o que é dito quanto o que se insinua como falta, silêncio ou memória fragmentada. Partindo do estudo das concepções literárias do gênero carta, este trabalho busca analisar como esse formato contribui para a construção do romance e de que maneira a autora utiliza a escrita epistolar para estruturar a relação entre a personagem e o enredo. Além da leitura de <em>Essa coisa viva</em>, serão incorporadas reflexões a partir de <em>Carta ao pai</em>, de Franz Kafka, articuladas a elementos da teoria psicanalítica freudiana, especialmente no que tange às dinâmicas de memória, ausência e subjetividade presentes na escrita epistolar, com vistas a estabelecer de que modo a presença na ausência é a espinha dorsal da narrativa.</p>Natali SilveiraAdail SobralCheli MeiraTaisi De Souza Mota
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2025-12-302025-12-30281769410.15210/rle.v28i1.30546Entre sons e sentidos
https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/rle/article/view/29686
<p>Este artigo investiga os desafios na percepção e no ensino das vogais longas e breves do alemão por falantes de português brasileiro, com foco na formação docente em cursos de Letras. A partir da constatação de que a fonética é frequentemente negligenciada na graduação, foi conduzido um estudo longitudinal com estudantes universitárias, analisando sua capacidade de identificar pares mínimos antes e depois de uma intervenção didática explícita. Os resultados revelam avanços significativos na percepção auditiva, indicando a eficácia do ensino sistemático de pronúncia. O artigo também analisa a abordagem desse tema em materiais didáticos amplamente usados no Brasil, apontando limitações em suas propostas fonéticas. Por fim, são apresentadas estratégias didáticas desenvolvidas no Projeto <em>Zeitgeist</em>, que articulam conteúdos fonético-fonológicos com materiais visuais e princípios da fonética contrastiva. O estudo defende a importância de práticas pedagógicas mais críticas e contextualizadas, que integrem teoria, percepção e produção oral. As conclusões reforçam o papel central da instrução explícita e da integração curricular da fonética para a aprendizagem fonológica em contextos de ensino de alemão como língua adicional.</p>Marceli AquinoRogéria PereiraFrancisco Nogueira
Copyright (c) 2025 Marceli Aquino, Rogéria Pereira, Francisco Nogueira
2025-12-302025-12-302819511310.15210/rle.v28i1.29686Educação 4.0
https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/rle/article/view/29657
<p>Este artigo objetiva discutir os fundamentos da Educação 4.0 através de uma revisão narrativa, bem como propor sugestões práticas que possibilitem a implementação de suas diretrizes em contextos escolares públicos e privados. A proposta se centra na promoção de processos de ensino e aprendizagem mais ativos e alinhados às demandas contemporâneas dos estudantes e da sociedade do século XXI. Para tanto, analisa-se as principais características da Educação 4.0 com base em produções científicas nacionais e internacionais e, a partir disso, propõe-se atividades e metodologias aplicáveis especialmente ao ensino de inglês como língua adicional (ILA). Tais práticas visam não apenas à preparação dos estudantes para o mercado de trabalho, mas também ao estímulo do desenvolvimento de competências essenciais à vida, consoantes ao conceito de aprendizagem ao longo da vida (<em>lifelong learning</em>). Este artigo também discute estratégias adaptadas para instituições com recursos limitados, visando à promoção de maior equidade e acessibilidade educacional.</p>Asafe Davi Cortina SilvaBruno dos Santos KonkewiczAline Fay de Azevedo
Copyright (c) 2025 Asafe Davi Cortina Silva, Bruno dos Santos Konkewicz, Aline Fay de Azevedo
2025-12-302025-12-3028111413110.15210/rle.v28i1.29657De lengua obligatoria a lengua tolerada
https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/rle/article/view/30103
<p>Este artigo analisa glotopoliticamente a Resolução CNE/CEB nº 5/2025 (Brasil, 2025), que estabelece diretrizes para a oferta do espanhol no Ensino Médio brasileiro, em consonância com a Lei nº 14.945/2024 (Brasil, 2024). A partir da Glotopolítica (Arnoux, 2014, 2020, 2023) e dos aportes de Pierre Bourdieu (1989, 2000), especialmente o conceito de <em>dominação simbólica</em>, examina-se como o texto normativo constrói e legitima a posição marginal do espanhol no currículo. O estudo identifica <em>disparadores simbólicos</em> – como “preferentemente”, “diversidade” e “autonomia das redes” – que funcionam como tecnologias discursivas de apaziguamento, preservando a centralidade do inglês como única língua obrigatória. Embora reconheça vínculos com a integração latino-americana, a Resolução também se insere em disputas geopolíticas atuais mais amplas, envolvendo narrativas de plurilinguismo europeu e blocos multilaterais como os BRICS.</p>Ana Lúcia Cavalheiro
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2026-05-122026-05-1228113214410.15210/rle.v28i1.30103A palavra alquímica em Artaud
https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/rle/article/view/31727
<p align="justify">Este ensaio examina a obra de Antonin Artaud como uma prática de escrita radical que ultrapassa as fronteiras convencionais entre literatura, teatro, desenho e vida. Interpreta a produção artaudiana como uma forma expressiva proteiforme, irredutível a gêneros estáveis e voltada para questionar a representação, o sujeito e a ordem do discurso. No centro da análise está a relação entre o teatro da crueldade, a escrita do corpo e a dimensão alquímica da palavra, entendida como força capaz de restituir visibilidade ao irrepresentável. O artigo percorre momentos decisivos da biografia de Artaud — o projeto teatral, a viagem ao México, a experiência irlandesa, o internamento e a retomada da escrita em Rodez — mostrando como vida e obra se interpenetram em uma trajetória de dissidência diante dos dispositivos disciplinares da normalização. O texto também destaca a tradução, concebida não como simples transcrição, mas como reescrita criativa e travessia da alteridade, sobretudo no diálogo com Lewis Carroll. Com apoio em Derrida, Blanchot, Deleuze, Barthes e Foucault, o estudo apresenta Artaud como figura central de uma escrita “fora de si”, capaz de desarticular a linguagem e abrir um novo espaço para a arte, o pensamento e a liberdade expressiva.</p>Luciano Ponzio
Copyright (c) 2026 Adail Sobral, Luciano Ponzio
2026-08-022026-08-0228114516810.15210/rle.v28i1.31727Uma proposta pedagógica para o ensino de português língua adicional a partir da análise da significância na letra da canção Menino, de Elza Soares
https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/rle/article/view/31217
<p>Este trabalho tem por objetivo discutir e refletir acerca de uma proposta pedagógica para o ensino de português como língua adicional (PLA) no <em>Centro de Ensino de Línguas Estrangeiras </em>(CELE) da <em>Universidade Federal do Rio Grande </em>(FURG), centrada na análise da significância na letra da canção <em>Menino</em>, de Elza Soares. São pressupostos da discussão aqui desenvolvida a noção de <em>significância</em> apresentada por Émile Benveniste, que retoma noções de Ferdinand de Saussure e encontra eco na noção de <em>significância</em> de Henri Meschonnic, e a abordagem de <em>Ensino de Línguas Baseado em Tarefas </em>(<em>TBLT</em>). A associação entre os dois referenciais considerados deve-se a uma prática desenvolvida no âmbito do curso de <em>Leitura e Escrita em PLA</em>, quando se apresentou a oportunidade de desenvolver tarefas que envolvessem a análise da significância nas letras de Elza Soares. Busca-se, a partir do presente exercício, avaliar a aplicação prática da análise da significância na letra da canção “Menino” na abordagem por tarefas para o ensino de PLA. O estudo está dividido em seções nas quais o curso é contextualizado, em seguida as teorizações são discutidas, para, por fim, serem apresentados o planejamento das aulas e a avaliação dos resultados.</p>Daiane de Alvarenga Garcia AfonsoDaiane NeumannLuciana Pilatti Telles
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2026-10-142026-10-1428116919010.15210/rle.v29i1.31217Receitas de família
https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/rle/article/view/30634
<p>Este artigo visa a descrever e refletir sobre o processo de criação de um ciclo de tarefas para as aulas de inglês do ensino fundamental de uma escola pública no sul do Brasil sob a perspectiva de uma professora pesquisadora. O ensino da língua adicional nos anos iniciais ainda é uma área pouco pesquisada dentro do contexto brasileiro e um dos desafios são os direcionamentos metodológicos e o desenvolvimento de materiais para tal segmento. Sendo assim, argumentamos que o Ensino de Línguas Baseado em Tarefas pode se destacar como uma possibilidade, oportunizando também a reflexão dos professores acerca da importância de suas escolhas pedagógicas informadas.</p>Renata Mayumi OgawaRaquel Carolina Souza Ferraz D’ElyPriscila Fabiane Farias
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2026-10-142026-10-1428119120510.15210/rle.v29i1.30634A presença dos gêneros textuais/literários em provas do ENEM no período de 2018 a 2022
https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/rle/article/view/30272
<p>Este estudo é um recorte da dissertação intitulada “A produção do Diário de Leituras nos anos finais do ensino fundamental a partir dos gêneros textuais/literários étnico-raciais”. Nele, investigamos a presença desses textos nas provas do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) entre 2018 e 2022. Compilamos resultados bibliográficos e documentais (Gil, 2019) a partir do portal do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), focando nas provas de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. Nossa análise teórica se baseia nos estudos sobre gêneros textuais/literários no contexto escolar, especialmente nas obras de Bronckart (2006) e Marcuschi (2008), que defendem que o texto é uma unidade comunicativa completa, capaz de transmitir uma mensagem organizada e coerente dentro de um contexto espacial e temporal. Os resultados e as discussões do estudo destacam a importância do desenvolvimento dos alunos nos anos finais do ensino fundamental, incentivando a formação de leitores autônomos e críticos. Essa competência é essencial para a formação pessoal e social dos estudantes, enriquecida pelas diversas experiências com gêneros textuais/literários proporcionadas pela escola.</p>Ericles Souza AlvesFabíola Mônica da Silva Gonçalves
Copyright (c) 2026 Ericles Souza Alves
2026-10-142026-10-1428120622210.15210/rle.v29i1.30272A escuta como lugar de enunciação
https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/rle/article/view/30267
<p>Este artigo investiga o papel da escuta como operador enunciativo na clínica da afasia, a partir da teoria da enunciação de Émile Benveniste. A pesquisa, de abordagem qualitativa e teórico-interpretativa, analisa interações entre sujeitos com afasia e terapeutas-interlocutores no Grupo Interdisciplinar de Convivência (GIC). Foram examinados fragmentos discursivos marcados por hesitações, silêncios e gestos, à luz das categorias de pessoa, tempo e espaço do aparelho formal da enunciação. Os resultados mostraram que, mesmo diante da falha linguística, os sujeitos permanecem implicados na linguagem, o que se evidencia na alternância de turnos sustentada pelos interlocutores, na insistência em dizer apesar das hesitações e na dimensão performativa da nomeação. Esses achados indicam que a escuta clínica não apenas acolhe a fragmentação, mas a transforma em possibilidade discursiva, sustentando a emergência do sujeito na linguagem.</p>Gabriel Rovadoschi BarrosKarina Carlesso Pagliarin
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2026-10-142026-10-1428122323810.15210/rle.v28i1.30267Entre páginas, telas e saberes
https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/rle/article/view/30039
<p>Este artigo analisa como o livro didático de Língua Portuguesa do Novo Ensino Médio aborda o uso das tecnologias educacionais nas atividades propostas. Fundamentado na teoria bakhtiniana e no modelo SAMR de Puentedura (2006), o estudo, de abordagem qualitativa e caráter de estudo de caso, teve como corpus o livro “Práticas de Língua Portuguesa” (Faraco; Moura; Maruxo, 2020), adotado na rede estadual no Paraná. Os dados foram analisados de duas formas diferentes e os resultados indicaram que a maior parte das propostas apresenta caráter complementar, mas é possível identificar propostas que favorecem práticas de letramento digital e produção de conhecimento através do uso de recursos digitais. Os resultados também evidenciaram que o uso efetivo da tecnologia requer formação docente contínua e intencionalidade pedagógica para que a tecnologia seja bem aproveitada.</p>Aline De Abreu CurunziAndreia da Cunha Malheiros Santana
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2026-10-142026-10-1428123926010.15210/rle.v28i1.30039A relação com o saber linguístico
https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/rle/article/view/29122
<p>Este artigo discute a relação com o saber linguístico a partir dos sentidos e significados produzidos na aprendizagem de línguas estrangeiras em cursos livres. A fundamentação teórica e metodológica desta investigação é a teoria da Relação com o Saber (Charlot, 2000, 2001, 2005, 2009, 2013, 2020, 2021). Partimos da ideia de que o saber linguístico só existe em relação a um sujeito, que é ele próprio um sujeito de relações, assim, a língua estrangeira significa a partir das relações que as pessoas estabelecem com ela, dos sentidos que lhe conferem. Do trabalho de campo com oitenta e dois estudantes de cursos de inglês e/ou francês do Brasil e de Portugal, financiado pelo governo brasileiro (bolsa CAPES) e desenvolvido entre os anos de 2018 e 2022, foram evocados discursos sobre as histórias de família e suas relações afetivas com a língua, o prazer ou o desgosto na atividade de aprendizagem.</p>Kate Constantino OliveiraLuiz Eduardo Oliveira
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2026-10-142026-10-1428126127510.15210/rle.v28i1.29122A identidade do professor-autor a partir da perspectiva da Complexidade
https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/rle/article/view/28830
<p>A Complexidade possibilita identificar padrões de auto-organização entre os elementos de um sistema (Larsen-Freeman; Cameron, 2008). Entre os conceitos e processos investigados pela Complexidade estão a identidade e a formação docente. A identidade é fractalizada, ou seja, é formada por fractais identitários que estão em constante interação e adaptação (Resende, 2009). Ao considerar as práticas propostas na formação inicial docente, é possível que o professor-autor seja um fractal desenvolvido neste contexto. Portanto, este artigo tem como objetivo propor uma reflexão teórica sobre o desenvolvimento da identidade de professor-autor na formação inicial de professores de línguas. Nesta discussão, a identidade do professor-autor é vista como um sistema dinâmico complexo cuja manifestação depende das oportunidades de elaborar e/ou adaptar materiais didáticos experienciadas. Logo, entende-se que o projeto pedagógico do curso pode ser, no âmbito da formação acadêmica, o objeto responsável por oferecer as condições iniciais para o desenvolvimento dessa identidade.</p>Aline Mackedanz dos SantosJuliana Ribeiro dos SantosGabriela Bohlmann DuarteRafael Vetromille-Castro
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2026-10-142026-10-1428127628910.15210/rle.v28i1.28830A Representação da Modernidade na Poesia de Fernando Pessoa Ortônimo
https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/rle/article/view/30230
<p>A modernidade, marcada por crises e instabilidades identitárias, impactou profundamente a literatura do século XX. Nesse cenário, a poesia ortônima de Fernando Pessoa reflete as tensões do sujeito moderno. Este artigo analisa como os poemas “Autopsicografia” e “Não sei quantas almas tenho” expressam o fingimento poético e a fragmentação do eu como sintomas da crise de identidade moderna. Fundamentado em Hall (2006), Berman (1986) e Moisés (2008), o estudo evidencia que Pessoa transforma a linguagem poética em instrumento simbólico para representar as incertezas de seu tempo. Conclui-se que sua poesia oferece uma leitura crítica e atualizada sobre os dilemas do eu na modernidade, contribuindo para o debate literário e cultural contemporâneo.</p>Emily Carvalho da SilvaClarissa Loureiro Marinho Barbosa
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2026-10-202026-10-20281290301A construção do “ser professor” na educação popular
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<p>Este artigo busca, por intermédio das narrativas de três educadores que atuam como professores do Cursinho Popular Tereza de Benguela, investigar a formação de sua identidade docente a partir das experiências vividas no lócus em questão. Para isso, buscamos em Hall (2006) e Dubar (2005, 2006, 2012) as teorias necessárias para conceber noções de identidade; em Aguiar (2020), Cardoso (2010) e Rossi e Hunger (2020), encontramos as discussões acerca de formação de identidade docente na contemporaneidade e em Aragão (2014), o papel das emoções exercido sobre a(s) identidade(s) docente(s). Articulando o aporte teórico à narrativa dos professores-educadores, entendemos a formação de identidade docente como um processo complexo de construção, (des)construção e (re)construção do sujeito. Além disso, nota-se que, a partir das emoções vividas, ocorre o desencadeamento do processo de reflexão crítica sobre o fazer docente, o que contribui para a construção de formas identitárias sociais associadas à militância.</p>Maria Luiza Rosa GonçalvesAndré Effgen de Aguiar
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2026-10-202026-10-20281302329A aprendizagem de inglês na perspectiva sociocultural
https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/rle/article/view/29709
<p>O objetivo deste estudo é analisar os efeitos de tarefas realizadas colaborativamente por crianças e, de forma mais específica, compreender quais atividades promovem maior interação entre elas. Esta pesquisa se apoia em estudos que abordam o ensino de inglês para crianças (Tonelli; Cordeiro, 2014; Zanotelli; Kawachi-Furlan, 2020) e, também, em estudos sobre a aprendizagem colaborativa de línguas (Araújo, 2016, 2023; Bruffee, 1999; Figueiredo, 2018, 2019; Oxford, 1997), com base na teoria sociocultural de Vygotsky (1998, 2000). Trata-se de uma pesquisa qualitativa em educação, que se configura como um estudo de caso (Brasileiro, 2022; Creswell, 2010; Esteban, 2010), cujos dados foram gerados durante o segundo semestre de 2024. Os participantes do estudo foram os alunos de uma turma de 4º ano do Ensino Fundamental da Rede Municipal de Ensino de Goiânia e o professor da turma. Como instrumentos de geração de dados, foram utilizados questionários, entrevistas com os alunos, gravações de áudio das interações entre eles, planos de aula e atividades produzidos pelo professor da turma. Os resultados indicam que as atividades realizadas de forma colaborativa, principalmente os jogos, promovem maior interação entre as crianças e, consequentemente, uma aprendizagem mais significativa, mesmo que algumas prefiram trabalhar sozinhas na realização das tarefas.</p>Marco André Franco de AraújoFrancisco José Quaresma de Figueiredo
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2026-10-202026-10-20281330353