https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/tessituras/issue/feed Tessituras: Revista de Antropologia e Arqueologia 2025-12-31T21:02:52+00:00 Editores revista.tessituras@ufpel.edu.br Open Journal Systems <p>A revista Tessituras é uma iniciativa do Programa de Pós-Graduação em Antropologia e pretendemos que a Tessituras promova uma marca própria da Antropologia e Arqueologia feita no extremo sul do Brasil e, ao mesmo tempo, abra um canal de diálogo importante e duradouro com a produção de outros espaços de produção acadêmica.</p> <p><strong>Qualis:</strong>&nbsp; A2</p> <p><span data-sheets-value="{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:&quot;A4&quot;}" data-sheets-userformat="{&quot;2&quot;:2627,&quot;3&quot;:{&quot;1&quot;:0},&quot;4&quot;:{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:16776960},&quot;9&quot;:1,&quot;12&quot;:0,&quot;14&quot;:{&quot;1&quot;:3,&quot;3&quot;:1}}"><strong>ISSN:</strong> 2318-9576</span></p> https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/tessituras/article/view/30817 Materialidades animais 2025-12-31T20:34:42+00:00 Flávio Leonel de Abreu da Silveira flavio.leonel@terra.com.br Felipe Vander Velden felipevelden@yahoo.com.br Andréa Osório andrea_osorio1@yahoo.com.br 2025-12-31T19:23:00+00:00 Copyright (c) 2025 Tessituras: Revista de Antropologia e Arqueologia https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/tessituras/article/view/30168 Entre artefatos de enriquecimento ambiental, vacas e produtores de leite 2025-12-31T21:02:04+00:00 Leandra Holz leandraholzholz81@gmail.com <p>A intensificação dos sistemas de criação contemporâneos alterou o ambiente, as práticas e as relações entre humanos e animais na pecuária leiteira, tirando as vacas dos campos e alocando-as em galpões industriais. Para lidar com alguns dos efeitos de tais mudanças, as ciências do bem-estar animal (zootecnia, veterinária e campos afins) encarregaram-se de criar uma ampla variedade de artefatos para “enriquecer” esses espaços “artificiais” e estimular o que definem como comportamento e ambiente “naturais” das vacas. Etnograficamente, tais questões se embaralham com a forma pela qual criadores de vacas leiteiras da região sul do estado do Rio Grande do Sul estão pensando as práticas de enriquecimento ambiental, o bem-estar das vacas e o confinamento na pecuária leiteira. Assim sendo, este trabalho discute as diferentes perspectivas – das ciências do bem-estar animal e dos produtores de leite – sobre “o que é bom para uma vaca”, mostrando que isso pode ser alternativamente expresso em termos de cuidado, conforto ou produtividade, a depender das maneiras de se relacionar com estes animais, o que acaba por determinar, por sua vez, seus supostos comportamentos “naturais”.</p> 2025-12-31T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2025 Tessituras: Revista de Antropologia e Arqueologia https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/tessituras/article/view/30096 Corporalidades humano-equinas e disputas atuais sobre filosofias e técnicas de doma 2025-12-31T20:34:44+00:00 MIRIAM ADELMAN miriamad2008@gmail.com <p>A cultura equestre milenar recorre, em diversos momentos, à metáfora do centauro, tropo chave que indica como muitas sociedades desejam pensar este encontro interespécie singular. Nas culturas equestres modernas, a muito prezada meta e chave, qual seja, <em>“sentir-se um/a” com seu cavalo</em> (‘estar em plena harmonia com’), parece invocar, de maneira mais domesticada, essa antiga metáfora de fusão. Por outro lado, nas últimas décadas, têm crescido demandas e reivindicações perante as culturas equestres, de sensibilizar-se em relação aos muitos elementos menos idealizáveis das práticas e culturas equestres.&nbsp; Desde as perspectivas mais ‘reformistas’ que atacam métodos de doma e equitação tradicionais por suas tecnologias de dominação e crueldade, passando pela atual ‘terapização’ da relação humano-equina, e até as posições que rejeitam todo e qualquer uso humano do equino, emergem novos discursos e práticas. O presente texto se insere nesta problemática, através de um objeto delimitado: as configurações e disputas atuais em torno de métodos de doma no Brasil.</p> 2025-12-31T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2025 Tessituras: Revista de Antropologia e Arqueologia https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/tessituras/article/view/30257 Pastores Belga de Malinois e a busca pelo cão policial moderno: entre novas práticas e velhas controvérsias 2025-12-31T20:34:45+00:00 Edi Alves ediaoneto@gmail.com <p>Este artigo tem como objetivo debater os efeitos da modernização da polícia sobre as corporalidades dos cães policiais. Os dados foram coletados etnograficamente em canis policiais do Distrito Federal. O debate sobre a modernização das polícias, orientado pelas categorias de eficiência, eficácia e produtividade, tem levado a mudanças nas estruturas, nos recursos e nas práticas destas instituições, inclusive em suas unidades de policiamento com cães.</p> <p>Na busca pelo cão mais eficiente, os Pastores Belga de Malinois se tornaram referência nos canis policiais do Brasil. Os cães desta raça ocuparam o espaço antes consagrado para Pastores Alemães, Rottweilers e Dobermanns. Este processo de modernização reforça o paradoxo típico dos animais de trabalho, e do qual o cão policial não é exceção, que é o duplo posicionamento enquanto sujeito e objeto. A partir da seleção das raças, da reprodução controlada e da seleção genética, os canis policiais buscam preencher seus plantéis com os cães supostamente mais eficientes. Os dados também apontam para uma redução da biodiversidade doméstica nos canis policiais e nas redes de agentes e instituições que, de alguma maneira, estão interligadas ao&nbsp; seu trabalho, como criadores particulares, kennel clubs e treinadores.</p> 2025-12-31T16:40:15+00:00 Copyright (c) 2025 Tessituras: Revista de Antropologia e Arqueologia https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/tessituras/article/view/30451 Aprendizados humano-caninos na preparação para a busca de trufas negras no Chile 2025-12-31T20:34:49+00:00 Luisa Amador Fanaro luisafanaro@hotmail.com <p>Neste artigo, a proposta é refletir a respeito dos modos de se <em>fabricar</em> cães trufeiros no Chile, comparando-os a outros métodos de preparação de cães de trabalho – como, por exemplo, cães de caça, cães de busca e salvamento, e cães policiais –, buscando, com isso, contribuir com as discussões a respeito das distintas formas de se <em>fazer</em> um cão – e, consequentemente, um humano –, a depender da função que lhe(s) cabe desempenhar. A partir de meus dados etnográficos, argumento que tanto cães quanto humanos, no contexto da truficultura chilena, se fazem e são feitos na prática, e, como se espera demonstrar, preparar ou <em>fabricar</em> um cão trufeiro, no Chile, significa fazer com que os animais se tornem bons trabalhadores. Destaca-se a complexidade de todo o processo de <em>fabricação</em> levado a cabo por meus interlocutores, já que preparar cães para a caça de trufas demanda a co-constituição de uma relação interespecífica extremamente profunda, que vai muito além da linguagem e do próprio corpo, e que se baseia em uma negociação incessante na qual tanto humanos quanto cães têm muito a dizer.</p> 2025-12-31T00:00:00+00:00 Copyright (c) 2025 Tessituras: Revista de Antropologia e Arqueologia https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/tessituras/article/view/30024 Objeto pra cachorro 2025-12-31T20:34:52+00:00 Felipe Vander Velden felipevelden@yahoo.com.br <p>Nossos animais de estimação – os hoje chamados <em>pets</em> – vivem atualmente cercados por uma pletora de objetos cada vez mais impressionante, impulsionada por um mercado que cresce e diversifica opções, dando origem a uma pujante cultura material muito específica, e que se autonomiza de modo acelerado em relação aos objetos com os mesmos fins para usos humanos. Supõe-se, a partir daí, que tratamos os pets com grande cuidado, carinho e preocupação, além de elevadas somas de dinheiro. Ao contrário, os cachorros entre os povos indígenas nas terras baixas sul-americanas são geralmente descritos como pobres animais: abandonados, maltratados, sujos, doentes, esquálidos e famélicos. Aos “cachorros de aldeia” não se oferece qualquer atenção especial, frequentemente nem mesmo alimento. Nesse cenário, seria plausível supor que não existiria nenhum objeto ou sistema de objetos associados a esses tristes caninos. Todavia, verifica-se uma rica cultura material associada aos cães nos mundos ameríndios – artefatos que mediam as relações entre humanos e cachorros, no que podemos denominar de <em>materialidades da familiarização</em> – que é ainda virtualmente desconhecida. Neste artigo discuto alguns desses artefatos, e o que eles podem nos dizer sobre modos ameríndios de relação com o cão.</p> 2025-12-31T16:37:49+00:00 Copyright (c) 2025 Tessituras: Revista de Antropologia e Arqueologia https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/tessituras/article/view/30106 Gatos e humanos em cidades cemiteriais de Belém (PA) 2025-12-31T21:02:52+00:00 Elisa Gonçalves Rodrigues elisagoncalves00@gmail.com Flávio Leonel Abreu da Silveira flabreu@ufpa.br <p>As relações entre humanos e animais são complexas e multifacetadas no mundo urbano contemporâneo de Belém (PA), abrangendo uma variedade de contextos espaciais e<br>situações culturais que indicam a heterogeneidade sociocultural nas formas dos coletivos humanos se relacionarem com os animais, sejam eles silvestres, domésticos ou asselvajados,<br>nas paisagens urbanas da metrópole amazônica. Pensando essas dimensões, este artigo se propõe a debater as relações humanimais nas paisagens urbano-cemiteriais-mais-que-<br>humanas onde os rituais da vida e da morte constituem formas expressivas da vida social e, portanto, agenciam processos simbólicos e sensíveis dos dois mundos – o dos vivos e o dos<br>mortos. Para tal, a partir da antropologia urbana, das paisagens e das relações humano-animais, buscamos compreender as complexas interações entre humanos e gatos que transitam<br>no Cemitério Santa Izabel e no Parque Cemitério Soledade, ambos localizados em Belém (PA). Nestes termos, buscamos ir além da simples observação dos comportamentos e das<br>práticas de convivência humanimais em cemitérios, explorando as dimensões simbólico-práticas de tais interações nos ambientes cemiteriais belenenses.</p> 2025-12-31T16:54:56+00:00 Copyright (c) 2025 Tessituras: Revista de Antropologia e Arqueologia https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/tessituras/article/view/30107 Memória e Metamorfose: A Persistência da vida dos Insetos nas Coleções Científicas 2025-12-31T20:34:58+00:00 Ana Paula Perrota anapaula_perrota@hotmail.com Líbera Li de Lima Nunes blimanunes.li@gmail.com <p>Os elementos que compõem as coleções de museus podem ser chamados por muitos nomes: objetos de arte ou da ciência, cadáveres, exemplares, bichos mortos, corpos mutilados ou parte da cultura material. Também podem ser referidos como restos biológicos, corpos dissecados ou partes corporais. A partir dessas definições, este artigo problematiza a ideia de que animais são objetos e a de que as coleções museológicas são compostas por espécimes inanimados e sem vida. A partir de pesquisa etnográfica e documental, discutimos como a memória biológica sobrevive à metamorfose e como a materialidade dos insetos preservados resiste e se transforma dentro dos museus. As coleções entomológicas não só representam a paisagem como são a paisagem e assim, é possível reconhecer tanto memória quanto vida nos insetos vivos e mortos. A vida persiste, mesmo na morte, nos processos invisíveis que continuam a atuar sobre os corpos preservados. Por um lado então, esses espécimes foram afastados da percepção imediata do universo social o qual estava conectado. Contudo, ao adentrar as caixas entomológicas, borboletas e mariposas constituem e se constituem em outro universo. A coleta do inseto e sua inserção nas caixas entomológicas implica, portanto em um deslocamento contínuo entre diferentes formas de existência.</p> 2025-12-31T16:58:04+00:00 Copyright (c) 2025 Tessituras: Revista de Antropologia e Arqueologia