Tessituras: Revista de Antropologia e Arqueologia
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<p>A revista Tessituras é uma iniciativa do Programa de Pós-Graduação em Antropologia e pretendemos que a Tessituras promova uma marca própria da Antropologia e Arqueologia feita no extremo sul do Brasil e, ao mesmo tempo, abra um canal de diálogo importante e duradouro com a produção de outros espaços de produção acadêmica.</p> <p><strong>Qualis:</strong> A2</p> <p><span data-sheets-value="{"1":2,"2":"A4"}" data-sheets-userformat="{"2":2627,"3":{"1":0},"4":{"1":2,"2":16776960},"9":1,"12":0,"14":{"1":3,"3":1}}"><strong>ISSN:</strong> 2318-9576</span></p>UFPelpt-BRTessituras: Revista de Antropologia e Arqueologia2318-9576<p>A revista Tessituras não cobra nenhuma para a submissão e publicação dos textos.</p><p>Ao realizar a submissão do texto o(s) autor(es) está (ão) concordando automaticamente com a publicação do mesmo, caso obtenha pareceres positivos dos avaliadores. Com a publicação o(s) autor(es) estará(ão) automaticamente cedendo os direitos autorais do texto para a Revista Tessituras. Os autores somente poderão publicar o mesmo texto em outras obras, veículos e/ou periódicos mediante autorização formal da Comissão Editorial Executiva da Revista Tessituras. Tal procedimento faz-se necessário porque a Revista Tessituras tem o compromisso de publlicar apenas textos originais.</p><p>A autoria do trabalho deve ser restrita àqueles que fizeram uma contribuição significativa para a concepção, projeto, execução ou interpretação do estudo relatado. Todos aqueles que fizeram contribuições significativas devem ser listados como coautores. Pessoas que participaram em certos aspectos do projeto de pesquisa devem ser listadas como colaboradores. O autor principal deve garantir que todos os coautores apropriados estejam incluídos no artigo. O autor principal também deve certificar-se que todos os coautores viram e aprovaram a versão final do manuscrito e que concordaram com sua submissão para publicação.</p><p>Os textos publicados na revista Tessituras possuem licença CREATIVE COMMONS de atribuição BY. Esta licença permite que outros distribuam, remixem, adaptem ou criem obras derivadas, mesmo que para uso com fins comerciais, contanto que seja dado crédito pela criação original. Esta é a licença menos restritiva de todas as oferecidas, em termos de quais usos outras pessoas podem fazer de sua obra.</p>Materialidades animais
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Flávio Leonel de Abreu da SilveiraFelipe Vander VeldenAndréa Osório
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2025-12-312025-12-3113211010.15210/tes.v13i2.30817Entre artefatos de enriquecimento ambiental, vacas e produtores de leite
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<p>A intensificação dos sistemas de criação contemporâneos alterou o ambiente, as práticas e as relações entre humanos e animais na pecuária leiteira, tirando as vacas dos campos e alocando-as em galpões industriais. Para lidar com alguns dos efeitos de tais mudanças, as ciências do bem-estar animal (zootecnia, veterinária e campos afins) encarregaram-se de criar uma ampla variedade de artefatos para “enriquecer” esses espaços “artificiais” e estimular o que definem como comportamento e ambiente “naturais” das vacas. Etnograficamente, tais questões se embaralham com a forma pela qual criadores de vacas leiteiras da região sul do estado do Rio Grande do Sul estão pensando as práticas de enriquecimento ambiental, o bem-estar das vacas e o confinamento na pecuária leiteira. Assim sendo, este trabalho discute as diferentes perspectivas – das ciências do bem-estar animal e dos produtores de leite – sobre “o que é bom para uma vaca”, mostrando que isso pode ser alternativamente expresso em termos de cuidado, conforto ou produtividade, a depender das maneiras de se relacionar com estes animais, o que acaba por determinar, por sua vez, seus supostos comportamentos “naturais”.</p>Leandra Holz
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2025-12-312025-12-31132113210.15210/tes.v13i2.30168Corporalidades humano-equinas e disputas atuais sobre filosofias e técnicas de doma
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<p>A cultura equestre milenar recorre, em diversos momentos, à metáfora do centauro, tropo chave que indica como muitas sociedades desejam pensar este encontro interespécie singular. Nas culturas equestres modernas, a muito prezada meta e chave, qual seja, <em>“sentir-se um/a” com seu cavalo</em> (‘estar em plena harmonia com’), parece invocar, de maneira mais domesticada, essa antiga metáfora de fusão. Por outro lado, nas últimas décadas, têm crescido demandas e reivindicações perante as culturas equestres, de sensibilizar-se em relação aos muitos elementos menos idealizáveis das práticas e culturas equestres. Desde as perspectivas mais ‘reformistas’ que atacam métodos de doma e equitação tradicionais por suas tecnologias de dominação e crueldade, passando pela atual ‘terapização’ da relação humano-equina, e até as posições que rejeitam todo e qualquer uso humano do equino, emergem novos discursos e práticas. O presente texto se insere nesta problemática, através de um objeto delimitado: as configurações e disputas atuais em torno de métodos de doma no Brasil.</p>MIRIAM ADELMAN
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2025-12-312025-12-31132335310.15210/tes.v13i2.30096Pastores Belga de Malinois e a busca pelo cão policial moderno: entre novas práticas e velhas controvérsias
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<p>Este artigo tem como objetivo debater os efeitos da modernização da polícia sobre as corporalidades dos cães policiais. Os dados foram coletados etnograficamente em canis policiais do Distrito Federal. O debate sobre a modernização das polícias, orientado pelas categorias de eficiência, eficácia e produtividade, tem levado a mudanças nas estruturas, nos recursos e nas práticas destas instituições, inclusive em suas unidades de policiamento com cães.</p> <p>Na busca pelo cão mais eficiente, os Pastores Belga de Malinois se tornaram referência nos canis policiais do Brasil. Os cães desta raça ocuparam o espaço antes consagrado para Pastores Alemães, Rottweilers e Dobermanns. Este processo de modernização reforça o paradoxo típico dos animais de trabalho, e do qual o cão policial não é exceção, que é o duplo posicionamento enquanto sujeito e objeto. A partir da seleção das raças, da reprodução controlada e da seleção genética, os canis policiais buscam preencher seus plantéis com os cães supostamente mais eficientes. Os dados também apontam para uma redução da biodiversidade doméstica nos canis policiais e nas redes de agentes e instituições que, de alguma maneira, estão interligadas ao seu trabalho, como criadores particulares, kennel clubs e treinadores.</p>Edi Alves
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2025-12-312025-12-31132547110.15210/tes.v13i2.30257Aprendizados humano-caninos na preparação para a busca de trufas negras no Chile
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<p>Neste artigo, a proposta é refletir a respeito dos modos de se <em>fabricar</em> cães trufeiros no Chile, comparando-os a outros métodos de preparação de cães de trabalho – como, por exemplo, cães de caça, cães de busca e salvamento, e cães policiais –, buscando, com isso, contribuir com as discussões a respeito das distintas formas de se <em>fazer</em> um cão – e, consequentemente, um humano –, a depender da função que lhe(s) cabe desempenhar. A partir de meus dados etnográficos, argumento que tanto cães quanto humanos, no contexto da truficultura chilena, se fazem e são feitos na prática, e, como se espera demonstrar, preparar ou <em>fabricar</em> um cão trufeiro, no Chile, significa fazer com que os animais se tornem bons trabalhadores. Destaca-se a complexidade de todo o processo de <em>fabricação</em> levado a cabo por meus interlocutores, já que preparar cães para a caça de trufas demanda a co-constituição de uma relação interespecífica extremamente profunda, que vai muito além da linguagem e do próprio corpo, e que se baseia em uma negociação incessante na qual tanto humanos quanto cães têm muito a dizer.</p>Luisa Amador Fanaro
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2025-12-312025-12-31132729510.15210/tes.v13i2.30451Objeto pra cachorro
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<p>Nossos animais de estimação – os hoje chamados <em>pets</em> – vivem atualmente cercados por uma pletora de objetos cada vez mais impressionante, impulsionada por um mercado que cresce e diversifica opções, dando origem a uma pujante cultura material muito específica, e que se autonomiza de modo acelerado em relação aos objetos com os mesmos fins para usos humanos. Supõe-se, a partir daí, que tratamos os pets com grande cuidado, carinho e preocupação, além de elevadas somas de dinheiro. Ao contrário, os cachorros entre os povos indígenas nas terras baixas sul-americanas são geralmente descritos como pobres animais: abandonados, maltratados, sujos, doentes, esquálidos e famélicos. Aos “cachorros de aldeia” não se oferece qualquer atenção especial, frequentemente nem mesmo alimento. Nesse cenário, seria plausível supor que não existiria nenhum objeto ou sistema de objetos associados a esses tristes caninos. Todavia, verifica-se uma rica cultura material associada aos cães nos mundos ameríndios – artefatos que mediam as relações entre humanos e cachorros, no que podemos denominar de <em>materialidades da familiarização</em> – que é ainda virtualmente desconhecida. Neste artigo discuto alguns desses artefatos, e o que eles podem nos dizer sobre modos ameríndios de relação com o cão.</p>Felipe Vander Velden
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2025-12-312025-12-311329612410.15210/tes.v13i2.30024Gatos e humanos em cidades cemiteriais de Belém (PA)
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<p>As relações entre humanos e animais são complexas e multifacetadas no mundo urbano contemporâneo de Belém (PA), abrangendo uma variedade de contextos espaciais e<br>situações culturais que indicam a heterogeneidade sociocultural nas formas dos coletivos humanos se relacionarem com os animais, sejam eles silvestres, domésticos ou asselvajados,<br>nas paisagens urbanas da metrópole amazônica. Pensando essas dimensões, este artigo se propõe a debater as relações humanimais nas paisagens urbano-cemiteriais-mais-que-<br>humanas onde os rituais da vida e da morte constituem formas expressivas da vida social e, portanto, agenciam processos simbólicos e sensíveis dos dois mundos – o dos vivos e o dos<br>mortos. Para tal, a partir da antropologia urbana, das paisagens e das relações humano-animais, buscamos compreender as complexas interações entre humanos e gatos que transitam<br>no Cemitério Santa Izabel e no Parque Cemitério Soledade, ambos localizados em Belém (PA). Nestes termos, buscamos ir além da simples observação dos comportamentos e das<br>práticas de convivência humanimais em cemitérios, explorando as dimensões simbólico-práticas de tais interações nos ambientes cemiteriais belenenses.</p>Elisa Gonçalves RodriguesFlávio Leonel Abreu da Silveira
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2025-12-312025-12-3113212515310.15210/tes.v13i2.30106Memória e Metamorfose: A Persistência da vida dos Insetos nas Coleções Científicas
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<p>Os elementos que compõem as coleções de museus podem ser chamados por muitos nomes: objetos de arte ou da ciência, cadáveres, exemplares, bichos mortos, corpos mutilados ou parte da cultura material. Também podem ser referidos como restos biológicos, corpos dissecados ou partes corporais. A partir dessas definições, este artigo problematiza a ideia de que animais são objetos e a de que as coleções museológicas são compostas por espécimes inanimados e sem vida. A partir de pesquisa etnográfica e documental, discutimos como a memória biológica sobrevive à metamorfose e como a materialidade dos insetos preservados resiste e se transforma dentro dos museus. As coleções entomológicas não só representam a paisagem como são a paisagem e assim, é possível reconhecer tanto memória quanto vida nos insetos vivos e mortos. A vida persiste, mesmo na morte, nos processos invisíveis que continuam a atuar sobre os corpos preservados. Por um lado então, esses espécimes foram afastados da percepção imediata do universo social o qual estava conectado. Contudo, ao adentrar as caixas entomológicas, borboletas e mariposas constituem e se constituem em outro universo. A coleta do inseto e sua inserção nas caixas entomológicas implica, portanto em um deslocamento contínuo entre diferentes formas de existência.</p>Ana Paula PerrotaLíbera Li de Lima Nunes
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2025-12-312025-12-3113215417310.15210/tes.v13i2.30107