“Contar Alguma Coisa Não Cria Sempre Uma História?”: Adaptação, Metaficção E Trauma No Romance A Vida de Pi e no Filme As Aventuras de Pi

Anelise Reich Corseuil, Patricia Bronislawski Figueredo

Resumo


O romance A Vida de Pi (YANN MARTEL 2002) e sua adaptação para o cinema As Aventuras de Pi (ANG LEE 2012) narram a história de um imigrante indiano Piscine Molitor Patel, conhecido como Pi, que naufraga em sua travessia para o Canadá. Ao apresentar duas diferentes versões da sua sobrevivência, uma que inclui os animais do zoológico de sua família e outra sobre assassinato e canibalismo, a narrativa de Pi propicia uma discussão sobre a metalinguagem e os limites entre o ficcional e o real, que se reflete tanto na estrutura da narrativa, em seus diversos níveis, como na temática do romance e do filme. O artigo analisará a inter-relação entre a metalinguagem no romance e no filme e os limites da narrativa para expressar o trauma do colonialismo e da migração vivido por Pi. Enquanto o final inconclusivo do romance questiona os limites entre a ficção e o real, o filme apresenta um final conclusivo, mas que só é explicitado ao espectador pela construção narrativa do aparato cinematográfico, capaz também de gerar múltiplos sentidos.


Palavras-chave


Adaptação; Metaficção; Trauma; Narrativa

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DOI: http://dx.doi.org/10.15210/interfaces.v18i1.13252

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ISSN eletrônico: 1984-5677

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