A linguagem fascista e a espiral do silêncio durante o governo Bolsonaro (2019-2022)

  • Cleriston Petry Universidade Federal do Rio Grande - FURG
  • Filipi Vieira Amorim Universidade Federal do Rio Grande - FURG
  • Angelo Vitório Cenci Universidade de Passo Fundo - UPF

Resumo

O artigo tem como objetivo evidenciar algumas características fundamentais da linguagem fascista e suas repercussões no cenário político brasileiro, com ênfase no período correspondente à eleição e ao governo de Jair Messias Bolsonaro (2018-2022). Para isso, articulamos a interpretação desse fenômeno com o conceito de Espiral do Silêncio, da cientista política Elisabeth Noelle-Neumann (1916-2010), considerando este como um dos fatores que não somente viabilizou a eleição de Bolsonaro, mas também permitiu que a linguagem fascista adentrasse ao espaço público, alterando o clima de opinião pública, e fosse, por conseguinte, silenciando deliberadamente dissonâncias políticas, complexidades sociais e o pensamento crítico. Para sustentar a argumentação e elaborar as analogias propostas, baseamo-nos, igualmente, na obra de Victor Klemperer (1881-1960), La lengua del Tercer Reich, que nos permitiu a interpretação de algumas manifestações linguísticas do bolsonarismo que foram selecionadas durante a elaboração do artigo. Por fim, propomos uma distinção analítica crucial acerca da compreensão sobre o significado de ser fascista e utilizar uma linguagem de caráter fascista como instrumento de poder e mobilização política.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Cleriston Petry, Universidade Federal do Rio Grande - FURG

Filósofo, Doutor em Educação pela Universidade de Passo Fundo – UPF. Professor no Instituto de Educação da Universidade Federal do Rio Grande – FURG.

Filipi Vieira Amorim, Universidade Federal do Rio Grande - FURG

Filósofo, Doutor em Educação Ambiental pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG. Professor no Instituto de Educação da FURG.

Angelo Vitório Cenci, Universidade de Passo Fundo - UPF

Filósofo, Doutor em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. Professor da Universidade de Passo Fundo – UPF.

Publicado
2026-02-25
Seção
Dossiê - Dinâmicas autoritárias na América Latina