A linguagem fascista e a espiral do silêncio durante o governo Bolsonaro (2019-2022)
Resumo
O artigo tem como objetivo evidenciar algumas características fundamentais da linguagem fascista e suas repercussões no cenário político brasileiro, com ênfase no período correspondente à eleição e ao governo de Jair Messias Bolsonaro (2018-2022). Para isso, articulamos a interpretação desse fenômeno com o conceito de Espiral do Silêncio, da cientista política Elisabeth Noelle-Neumann (1916-2010), considerando este como um dos fatores que não somente viabilizou a eleição de Bolsonaro, mas também permitiu que a linguagem fascista adentrasse ao espaço público, alterando o clima de opinião pública, e fosse, por conseguinte, silenciando deliberadamente dissonâncias políticas, complexidades sociais e o pensamento crítico. Para sustentar a argumentação e elaborar as analogias propostas, baseamo-nos, igualmente, na obra de Victor Klemperer (1881-1960), La lengua del Tercer Reich, que nos permitiu a interpretação de algumas manifestações linguísticas do bolsonarismo que foram selecionadas durante a elaboração do artigo. Por fim, propomos uma distinção analítica crucial acerca da compreensão sobre o significado de ser fascista e utilizar uma linguagem de caráter fascista como instrumento de poder e mobilização política.
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