A Máquina Impessoal
Uma breve genealogia da burocracia como tecnologia de poder
Resumo
Longe de ser um aparato administrativo neutro, a burocracia funciona como uma tecnologia de poder com a capacidade de produzir e manter ativamente a pobreza e a desigualdade. A partir de uma revisão teórica crítica, este trabalho articula as contribuições de pensadores como Hannah Arendt, Michel Foucault, David Graeber e Michael Lipsky para investigar como a lógica burocrática se torna um vetor de exclusão. A pesquisa busca validar a hipótese de que os procedimentos administrativos, especialmente através da discricionariedade dos agentes de linha de frente, funcionam como um mecanismo central na reprodução de desigualdades sociais e raciais. Conclui-se que a aparente racionalidade e impessoalidade da burocracia mascara uma violência estrutural que dificulta o acesso a direitos e solidifica a marginalização, tornando a crítica política de seus mecanismos uma tarefa fundamental para a busca por justiça social.