Chamada de trabalhos: MIGRAÇÕES, HERANÇA E TRANSMISSÃO INTERGERACIONAL NAS RELAÇÕES BRASIL-CANADÁ

A literatura e a cultura das Américas vêm sendo construídas com a “matéria da ausência”, para utilizarmos uma expressão de Patrick Chamoiseau, ou seja, sobre camadas de esquecimento e denegação de elementos culturais indígenas e africanos cuja transmissão não foi efetivada porque nós - os herdeiros dessas tradições - rejeitamos tal herança. O que se observa no momento atual, tanto no Brasil quanto no Canadá e nas Américas em geral, é uma recusa desse apagamento, que foi praticado em relação aos primeiros habitantes assim como aos chegados na condição de escravos, e a consequente tentativa de recolher os restos, os vestígios memoriais destas culturas, passando de herdeiros problemáticos, que recusavam a herança, a herdeiros inquietos e ansiosos para reatar com essa ancestralidade que foi repudiada. 

            Questões como essas que se acabam de mencionar, assim como aquelas ligadas à anterioridade, à ancestralidade e às questões de filiação e afiliação, podem ser objeto de estudo nos planos literários, culturais, fílmicos, musicais, religiosos e museológicos, apontando as tendências de recuperar os rastros não apenas das culturas fundadoras como a de todos os migrantes chegados às Américas.

            O conceito de comunidades de memória, expresso tão oportunamente por Pierre Ouellet, poeta, ensaísta e pesquisador quebequense, vem a calhar na medida em que convoca os que já estavam no país (aborígenes), os povos ditos fundadores (franceses e ingleses, no caso do Canadá, e portugueses n caso do Brasil), assim como todos aqueles que chegaram e continuam chegando na condição de migrantes, a constituir as comunidades de memória, no sentido de preservação tanto das memórias dos países de origem quanto a dos países de acolhida. 

            Pôr a nu as “impurezas” fundadoras, desmistificar as mitologias da raiz única e recriar espaços de recordação no âmbito das relações Brasil–Canadá, repensando o papel fertilizador dos migrantes na perspectiva inter e transgeracional, é o propósito maior desse número da Revista Interfaces Brasil-Canadá, que vem se constituindo como mediadora privilegiada dessas relações.

 

São bem-vindas as contribuições nas áreas de:

- Memória geracional e suas relações Brasil-Canadá: recortes expressos em obras literárias canadenses e brasileiras

-  Memórias de migrações; memórias de festas e celebrações narradas por migrantes

- Memórias geracionais canadenses e brasileiras em imagens fotográficas (aqui podem ser ensaios visuais).

- Testemunhos geracionais em obras das artes plásticas

- Testemunhos geracionais em museus brasileiros e canadenses

- Testemunhos geracionais em filmes e peças teatrais brasileiras e canadenses

- Testemunhos geracionais e religiosidades - Brasil/Canadá

 - Romances memoriais brasileiros e canadenses: questões de filiações e afiliações

- Transmissão e herança geracional com base nas relações inter e transculturais Brasil-Canadá

Editoras convidadas: Dra. Zilá Bernd e Cleusa Gomes Graebin (Universidade LaSalle)

Data limite para submissões: 10 de novembro de 2019

Link para submissão: https://periodicos.ufpel.edu.br/ojs2/index.php/interfaces

Para questões sobre a submissão: zilabster@gmail.com

Línguas: Textos podem ser submetidos em português, francês, espanhol ou inglês e devem mencionar ao menos dois autores/artistas canadenses na bibliografia os quais tenham sido utilizados como corpus ou base teórica.