Jenyffer Nascimento: a Poesia Épica de Empoderamento da Mulher Negra

Sarah Ohmer

Resumo


Este artigo apresenta resultados de autoetnografia, analise literária e pesquisade campo para responder a uma preocupação subjacente, talvez não resolvida, relevantepara este dossiê: como podemos produzir um diálogo transnacional feminino negro entremulheres negras brasileiras e mulheres negras norte americanas, de forma ética, dandoseconta que, de uma maneira ou de outra, é possível nunca ser parte do “carnaval semvocê nele”. Terra Fértil narra uma história épica há muito esperada por uma audiênciadentro da poesia: mulheres negras, membros da família, outras vezes um homem negro,mulheres brancas, um “eu” indefinido. Da alegria para dor, para caos, sensualidade eritual, estágios de sofrimento a estágios de empoderamento no ritual poético de umajornada carnavalesca, do coração do nordeste brasileiro, em Pernambuco, ao submundo de São Paulo. Em We are Rooted Here and They Can’t Pulls Us Up, Bristow et al.demonstram a presença multigeracional e intelectual da produção das mulheres negras noCanadá. A poesia épica de Nascimento desfaz 500 anos de políticas que tentam silenciar amulher negra como invisível, desempregada, objetificada e infértil (DA SILVA, 2014). Asvozes das mulheres negras ecoam para fora do cânone literário que mantém as mulheresnegras de fora, por uma brecha que se estende até o Canadá. Cada poema analisado nesteartigo implica em desafios relacionados a afeições e desejos e heteronormatização noMovimento Negro Brasileiro e mulheres negras em São Paulo, no Brasil e nas Américas.

Palavras-chave


Cânone; Carnaval; Movimento Negro no Brasil; Neoliberalismo; Autoetnografia; Gênero épico.

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Referências


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DOI: https://doi.org/10.15210/interfaces.v18i3.14637

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ISSN eletrônico: 1984-5677

ISSN impresso: 1519-0994