Para uma estética da maturidade: na dissonância dos sentidos o intervalo da criação-invenção

Margarete Axt

Resumo


Questionar um certo modo de recortar a realidade sempre produz um nó problemático: aqui, isso significa problematizar a operação que separa o diferente e aglutina o idêntico, confinando-os em espaços exclusivos (escolas, asilos) sem comunicação entre si: uma problematização que nos conduz a modos de pensar o contemporâneo, em sua face mais complexa, convocando-nos a provocar a multiplicidade, a heterogeneidade, a diferença...  e a perguntar - no que tange ao envelhecimento, em meio a um socius que cultua a juventude e os seus valores - como ir ao encontro de uma cosmovisão que inclua o idoso, como ir ao encontro de uma estética da maturidade? Considerando autores como H.Bergson, M.Bakhtin, S. Beauvoir e S. Pinker, dentre outros, produz-se reflexão centrada nas condições de produção dos processos criativos-inventivos, que habitam o tempo intensivo, como modo de existência. A conclusão encaminha à tomada de posição de que a criação-invenção instala-se sempre nesse ponto crítico de inadequação, de dissonância, de tensão, de intensidade perturbadora da consciência em sua duração, lá onde as linhas do real e do virtual se cruzam, produzindo um entre-tempos, com potência para abrir uma brecha nesse tempo de futuro previamente planificado, pedindo passagem para o devir (potencialmente em aberto), para infinito do futuro (em suas multiplicidades de sentido), numa ode aos encontros com o inusitado e a diferença, às alegrias da plenitude de ser-em-processo nas relações dialógicas, às possibilidades enriquecedoras engendradas pela intuição empática e a contemplação estética.


Palavras-chave


intuição; ética-estética; criação-invenção; envelhecimento

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Referências


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DOI: http://dx.doi.org/10.15210/interfaces.v19i2.16793

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