Juventudes, resiliência e a enchente de maio de 2024 no bairro Humaitá (Porto Alegre)
Resumo
Este artigo analisa as percepções físicas e sociais de jovens estudantes do Ensino Médio do bairro Humaitá, em Porto Alegre, acerca das enchentes ocorridas em maio de 2024, no contexto dos desastres climáticos e da resiliência juvenil. A pesquisa fundamenta-se no campo das Geografias das Juventudes e adota uma abordagem metodológica quanti-qualitativa, a partir da aplicação de questionários com questões abertas e fechadas a 23 estudantes de uma escola pública severamente impactada pelo evento extremo. Os resultados evidenciam que os jovens possuem elevada percepção dos danos físicos causados pelas enchentes, como prejuízos às moradias, interrupção de serviços básicos e alterações significativas na rotina cotidiana, bem como reconhecem a intensificação recente das chuvas. No plano social, destacam-se a centralidade das redes de apoio e a percepção de insuficiência das respostas governamentais. Apesar do reconhecimento da importância da ação coletiva, os jovens relatam baixa participação política e escassa escuta nos processos decisórios. Conclui-se que as juventudes vivenciam simultaneamente situações de vulnerabilidade e potenciais de resiliência, apontando para a necessidade de políticas públicas e práticas educativas que incorporem o protagonismo juvenil no enfrentamento das mudanças climáticas.
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