O marxismo diante dos fenômenos mórbidos contemporâneos
Resumo
Este trabalho apresenta notas críticas sobre os desafios teóricos presentes em quatro análises marxistas da extrema-direita contemporânea, com enfoque especial nas categorias mobilizadas para caracterizar o bolsonarismo. O propósito é avaliar as potencialidades e os limites explicativos dessas conceituações diante da complexidade do fenômeno. Para alcançá-lo, contrastam-se as interpretações de Atilio Borón, que rejeita a analogia do bolsonarismo com o fascismo histórico; de Armando Boito Jr., que constrói conceitos gerais de fascismo e neofascismo e define o bolsonarismo como uma variante deste último; de Dylan Riley, que propõe pensar as extremas-direitas contemporâneas e o bolsonarismo a partir dos conceitos de “populismo de direita” e “neobonapartismo”; e de André Kaysel e Alvaro Bianchi, que compreendem a extrema-direita como um conceito espacial e relacional, definindo o bolsonarismo como uma “coalizão discursiva de extrema-direita” na qual convergem diferentes tradições ideológicas e discursivas. Conclui-se que, no contexto da atual crise orgânica, uma abordagem da extrema-direita que combine a análise estrutural das classes sociais no modo de produção capitalista ao exame das disputas ideológicas e discursivas que constituem os sujeitos políticos tende a produzir diagnósticos científicos mais robustos e resultados políticos significativos.
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