"O CRIME É O CRIME E EU NÃO POSSO ERRAR”:

TORCIDAS ORGANIZADAS, PCC E A REGULAÇÃO DO CONFLITO NO FUTEBOL PAULISTA

  • Edson Linhares da Silva Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
  • Eduardo Armando Medina Dyna Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
Palavras-chave: Torcidas Organizadas (TO), Futebol, Primeiro Comando da Capital (PCC), Governança Criminal, Regulação de Conflitos

Resumo

Este trabalho investiga como a ordem criminal do Primeiro Comando da Capital (PCC) incide sobre as formas de convivência e de administração de conflitos entre Torcidas Organizadas (TO) no Estado de São Paulo. Partindo de uma perspectiva que recusa tanto a redução das torcidas à violência quanto a leitura do crime organizado como agente externo ao universo do futebol, o trabalho sustenta que esses fenômenos compartilham territórios e redes de sociabilidade que os tornam mutuamente constitutivos. A hipótese central é a de que os “Salves” e demais mecanismos de regulação produzidos pela facção, “Debates”, “Proceder” e “Ética”, atravessam de modo seletivo e situacional as dinâmicas torcedoras, instituindo limites aos conflitos e produzindo formas locais de controle e pacificação que, em certos contextos, são percebidas como mais eficazes do que a mediação estatal. A metodologia utilizada é qualitativa, de caráter exploratório e analítico, combinando revisão bibliográfica nas sociologias do esporte, da violência e do crime, conversas informais com interlocutores vinculados a TO e observação de campo. Os resultados indicam que a redução de conflitos entre TO não decorre exclusivamente de políticas públicas ou da repressão policial, mas também de arranjos informais de regulação capazes de produzir adesão, sanção e credibilidade moral em territórios onde o Estado atua de forma insuficiente. Conclui-se que o PCC não opera como presença meramente repressiva e externa, mas como instância que reorganiza condutas, reconfigura rivalidades e impacta profundamente a sociabilidade torcedora em São Paulo.

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Biografia do Autor

Edson Linhares da Silva, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

Educador popular e militante do Movimento Negro, doutorando em Sociologia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), sob orientação do Prof. Dr. Valter Silvério. Mestre em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), orientado pelo Prof. Dr. Alexandre Magalhães. Graduado em Ciências Sociais pelo Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) e em Comércio Exterior pela Universidade Paulista (UNIP), com MBA em Marketing Internacional e Formação de Traders pela mesma instituição. Atua como professor de Sociologia e Atualidades na rede UNEafro (Núcleo Quilombaque). É membro do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB) da UFSCar, participa dos grupos de estudos: Transnacionalismo negro e diáspora africana; Texturas da Experiência (Sociologia e Estudos da Diáspora Africana) e dos Estudos das Práticas Lúdicas e de Sociabilidade (LELuS) - todos da UFSCar. Integra o Observatório do Lazer e do Esporte (OLÉ), grupo de estudos dedicado à análise das dimensões socioculturais do esporte. Faz parte também do grupo de estudos promovido pelo Coletivo Novo Bandung da UFABC. Tem interesses de pesquisa, projetos e trabalhos nas áreas das Relações Étnico-Raciais, Diáspora Africana, Estudos do Hip-Hop, Decolonialidade, Estudos Pós-coloniais, Sociologia do Esporte e Estudos Culturais.

Eduardo Armando Medina Dyna, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

Eduardo Dyna é doutorando no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). É mestre em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista (UNESP Marília), instituição pela qual também obteve o bacharelado e a licenciatura plena em Ciências Sociais. Possui, ainda, especialização (lato sensu) em Políticas Públicas e Projetos Sociais pelo SENAC. Sua trajetória acadêmica é viabilizada por diversas bolsas de fomento de prestígio, incluindo CAPES (modalidades Proex e DS), FAPESP e o Programa de Educação Tutorial (PET/MEC). Atualmente é bolsista CAPES Proex e PIBICT (FAI-UFSCar). É membro do Grupo de Estudos em Segurança Pública (GESP), do Observatório de Segurança Pública (OSP) e do Laboratório deAnálises das Realidades Virtualizadas (LAREVI), todos coordenados pelo Prof. Dr. Luís Antônio Francisco de Souza. Além disso, atua como pesquisador no Grupo de Estudos sobre Violência e Administração de Conflitos (GEVAC), coordenado pela Profa. Dra. Jacqueline Sinhoretto. Sua pesquisa atual concentra-se no Primeiro Comando da Capital (PCC), segurança pública, governança criminal, periferias urbanas e na interseção entre o neoliberalismo e as políticas de controle do crime.

Publicado
2026-08-04
Seção
Dossiê - Estudos socioculturais sobre o futebol