VIRANDO O JOGO
O FUTEBOL DE MULHERES PARA ALÉM DA EXCLUSÃO COM AS BOLEIRAS DO ATERRO NO RIO DE JANEIRO
Resumo
Esse artigo é derivado de uma tese de doutorado em que foi realizada uma etnografia juntamente com um grupo de mulheres que jogam futsal semanalmente em uma quadra pública no Rio de Janeiro. Em um diálogo entre Educação e Antropologia foram levantadas questões sobre gênero, agência e sociabilidade. Para obtenção dos dados foi utilizada a observação participante. O trabalho de campo revelou como se dão as interações das mulheres com esse espaço, entre elas mesmas e com os homens que participam dos jogos. É um grupo fluido, no qual, semanalmente, acontecem associações e dissociações e o único fator recorrente é o acontecimento dos jogos. A relação com os homens, os usos do espaço público, os churrascos, o grupo do WhatsApp e a heterogeneidade desse grupo fazem com que ele seja único. A Teoria Ator-Rede (ANT) de Bruno Latour foi utilizada para descrever como a realidade das Boleiras se descortina e como ocorrem as agências. No Aterro do Flamengo, essas mulheres constituem um modo próprio de prática desse esporte. Em uma relação em que o futebol é o elo e o parque o espaço que possibilita a ocorrência da prática, elas incorporam o jogo e todas as relações nele implicadas. O texto enfatiza que o futebol de mulheres vai além da simples resistência à exclusão, configurando-se como uma produção cotidiana de subjetividades e identidades. O grupo subverte normas de gênero e transforma a quadra em um território de aprendizado e convivência coletiva.
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