O ARTESANAL E O ORDINÁRIO TRAMAS E PITADAS DA EXPERIÊNCIA DAS MULHERES COM O TRABALHO
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Resumo
O trabalho culinário e de costura são atividades historicamente designadas às mulheres, considerando isso, o artigo busca, nas dimensões históricas e socioculturais da experiência das mulheres das classes populares, formas de pensar a culinária e a costura. A divisão sexual do trabalho estabeleceu uma hierarquia simbólica, relegando o trabalho feminino ao âmbito doméstico e à invisibilidade, enquanto o trabalho masculino equivalente, como o do alfaiate e do chef, alcançava prestígio e valorização. Por meio de uma análise que considera os recortes de gênero e raça, o artigo propõe a artesania e a educação popular feminista como caminhos pedagógicos para a emancipação das mulheres e a construção de outros sentidos para a culinária e a costura. Através da experiência nos projetos Quitutes Mirabal e Mulheres Mil e da vivência como educadoras popular, procuramos olhar para o saber-fazer e a manualidade a partir da ideia de que o trabalho ordinário pode ser um campo de criatividade, autonomia e fortalecimento coletivo, permitindo que as mulheres se reconheçam como sujeitas ativas e produtoras de sua própria história.
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