VIVÊNCIAS KALUNGAS E O CERRADO

Cartografia da resistência

  • Fabiana Melo dos Santos
Palavras-chave: Kalungas, Chapada dos Veadeiros, cartografia, território, quilombolas, arquitetura

Resumo

Este artigo desenvolve uma cartografia contra-hegemônica da Chapada dos Veadeiros com objetivo de visibilizar práticas de existência e permanência da comunidade quilombola Kalunga. A pesquisa adota uma metodologia inspirada nas cartografias sensíveis, integrando observação participante, escuta ativa e registro das técnicas construtivas e agrícolas locais, articulando conceitos de multiterritorialidade, biointeração e pós-humanismo. Fundamentada nos debates de Krenak (2017), Nego Bispo (2007) e Cançado (2017), essa abordagem recusa o distanciamento científico convencional e posiciona o pesquisador como parte do território investigado. Os resultados mostram que o povo Kalunga atua como guardião ambiental da Chapada, mantendo práticas de manejo, cultivo e construção profundamente ajustadas ao clima e ao ecossistema local. A cartografia produzida evidencia que reconhecer e fortalecer esses saberes é crucial para a preservação ambiental e aponta para a necessidade de políticas públicas que dialoguem com as metodologias, técnicas e racionalidades da comunidade, em vez de impor modelos externos e inadequados.

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Publicado
2026-03-01
Como Citar
MELO DOS SANTOS, F. VIVÊNCIAS KALUNGAS E O CERRADO: Cartografia da resistência. PIXO - Revista de Arquitetura, Cidade e Contemporaneidade, v. 9, n. 35, p. 162-185, 1 mar. 2026.