HELLO, RAIN E O AFROFUTURISMO DE NOLLYWOOD

Espaços urbanos insurgentes no imaginário sci-fi do Capitaloceno

  • Arthur Simon Zanella
Palavras-chave: representação urbana, ficção científica, Africanofuturismo, Hello, Moto, Nnedi Okorafor

Resumo

Este artigo investiga como o Capitaloceno molda nossos horizontes urbanos ao controlar além da produção material das cidades, também os regimes imaginários que definem o que entendemos como “futuro”. Nesse processo, a ficção científica ocupa papel significativo: ao projetar futuros padronizados, tecnológicos e tipicamente ocidentais, o sci-fi hollywoodiano funciona como um laboratório de normalização do possível, reforçando hierarquias espaciais e apagando geografias do Sul Global. Em contraste, tradições estéticas como o Afrofuturismo — e, de forma ainda mais incisiva, o Africanofuturismo — introduzem uma ruptura fundamental, ao recentrar o futuro a partir de cosmologias, corpos e territorialidades africanas. O curta Hello, Rain (C.J. Obasi, 2018), situado na megalópole nigeriana de Lagos, evidencia como essa virada decolonial reconfigura as relações entre tecnologia, espiritualidade e espaço urbano, a partir do imaginário próprio de Nollywood. Demonstra-se, assim, que a fabulação audiovisual emerge como ferramenta crítica para imaginar alternativas urbanas insurgentes e decoloniais no Capitaloceno.

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Publicado
2026-10-15
Como Citar
ZANELLA, A. S. HELLO, RAIN E O AFROFUTURISMO DE NOLLYWOOD: Espaços urbanos insurgentes no imaginário sci-fi do Capitaloceno. PIXO - Revista de Arquitetura, Cidade e Contemporaneidade, v. 10, n. 38, p. 320-339, 15 out. 2026.