CIDADE, CORPO, ARQUITETURA
Cosmopolítica pelos mutirões
Resumo
Este ensaio faz parte de uma experiência cartográfica vivida simultaneamente como ativista, arquiteto e pesquisador junto a coletivos e movimentos sociais que lutam pelo direito à cidade e ao território. Das práticas de mutirão, que corporificam trabalho associado, cooperação e apoio mútuo, carrego como tese que esses corpos em aliança, militantes de movimentos por moradia e seus aliados, suscitam uma cosmopolítica: desaceleram a forma como as políticas de planejamento urbano são decididas, produzem outra cidade e outra política, o avesso da política neoliberal em curso em Porto Alegre. Por meio da cartografia, ao acompanhar de perto as negociações, conflitos e desafios dos processos de luta, busco elaborar reflexões sobre os movimentos de ação cotidiana, as experimentações do habitar e as invenções políticas e conceituais que emergem desses territórios, além de pensar a partir das incidências, interrupções e debates que esses movimentos provocam para os estudos urbanos e para as políticas públicas de planejamento urbano.
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