OS QUINTAIS QUE HABITAMOS E QUE NOS HABITAM

Da invencionática à contaminação das cidades do Capitaloceno

  • Doriane Azevedo
  • Flora Monte Alegre Olmos Fernandez
Palavras-chave: quintais, lugar geopsíquico, socialidade, artes do notar, “invencionática”

Resumo

Este artigo investiga o quintal como um lugar geopsíquico (que habitamos e nos habitam), onde as dimensões subjetivas e materiais se entrelaçam em uma “dobra topológica”, percorrendo memórias — do chão batido de Cuiabá às lajes de São Paulo — para desafiar a lógica produtivista no Capitaloceno. A partir do “prest’tenção”, da escuta, da “invencionática” de Manoel de Barros, e das “artes do notar” de Anna Tsing, o artigo reivindica o direito ao encantamento e aproximação das miudezas como ferramentas científicas. A partir desse percurso investigativo, o quintal é apreendido em diversas camadas como rugosidade, território de intimidade e “socialidade mais que humana”, capaz de contaminar a cidade e subverter a “expressão reta” da urbanização institucionalizada, transbordando seus limites e se aproximando do quintal e suas múltiplas manifestações - rua-quintal; parque-quintal; praia-quintal, criando tantas outras. Conclui-se que a poética dos quintais oferece brechas insurgentes para a construção de futuros habitáveis.

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Publicado
2026-07-29
Como Citar
AZEVEDO, D.; MONTE ALEGRE OLMOS FERNANDEZ, F. OS QUINTAIS QUE HABITAMOS E QUE NOS HABITAM: Da invencionática à contaminação das cidades do Capitaloceno. PIXO - Revista de Arquitetura, Cidade e Contemporaneidade, v. 10, n. 37, p. 16-33, 29 jul. 2026.