O GRAFFITI COMO FISSURA NO CAPITALOCENO

Produção da cidade entre arte e experiência urbana

  • Gabriele Vargas
  • Eduardo Rocha
Palavras-chave: capitaloceno, grafitti, caminhografia urbana, produção compartilhada da cidade, direito à cidade

Resumo

O artigo analisa como o graffiti participa da produção compartilhada da cidade e pode abrir fissuras nas relações de mercantilização do espaço urbano sob a perspectiva do Capitaloceno. A noção de fissura orienta a leitura de práticas que ampliam possibilidades de criação, encontro e apropriação cotidiana. O estudo retoma materiais de uma pesquisa de mestrado desenvolvida em Pelotas (RS), articulando observação participativa de um Domingo de Graffiti, entrevistas com o artista Gordo Muswieck e experiências de Caminhografia Urbana com estudantes de Arquitetura e Urbanismo entre os bairros Centro e Porto. A análise relaciona pintura coletiva, percursos, registros e interpretações da cidade. Destacam-se o compartilhamento de materiais, as negociações sobre a composição e os usos do lugar, além das interações com quem passa. Argumenta-se que essas dinâmicas constituem alternativas cotidianas à subordinação do espaço ao valor de troca, fomentando a criação compartilhada, a convivência e a participação na paisagem. O graffiti é compreendido como abertura na disputa pelos usos e sentidos do urbano, contribuindo para pensar o direito ao sensível como dimensão do direito à cidade.

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Publicado
2026-10-15
Como Citar
VARGAS, G.; ROCHA, E. O GRAFFITI COMO FISSURA NO CAPITALOCENO: Produção da cidade entre arte e experiência urbana. PIXO - Revista de Arquitetura, Cidade e Contemporaneidade, v. 10, n. 38, p. 272-287, 15 out. 2026.