A POLÍTICA DA LENTIDÃO

Seres lentos e insurgências no urbanismo dromocrático

  • Taís Beltrame dos Santos
Palavras-chave: dromologia, urbanismo contemporâneo, seres lentos

Resumo

Este artigo investiga os efeitos do regime dromocrático na produção do espaço urbano contemporâneo, tomando como eixo analítico a noção de “seres lentos”, inspirada em Milton Santos. A partir de uma abordagem teórico-crítica que articula autores como Paul Virilio, Milton Santos e Ivan Illich, o texto analisa como a aceleração se consolida como princípio organizador das cidades, operando por meio de três processos fundamentais: a mobilidade orientada ao fluxo, a mecanização fragmentadora do cotidiano e a gentrificação como dispositivo de expropriação da permanência. Argumenta-se que tais dinâmicas produzem uma dupla abstração — do espaço convertido em fluxo e do tempo reduzido a recurso produtivo — resultando em formas específicas de violência temporal e espacial. Em contraposição, o artigo evidencia a existência de corpos, práticas e modos de vida que resistem à lógica aceleracionista, denominados aqui seres lentos, como idosos, crianças, ambulantes e populações tradicionais. Essas presenças instauram fricções no tecido urbano e revelam outras possibilidades de habitar, baseadas na demora, na permanência e na reciprocidade. Metodologicamente, o trabalho combina revisão bibliográfica com a caminhografia urbana, articulando reflexão conceitual e experiência caminhográfica. Conclui-se que as temporalidades lentas não constituem resíduos do sistema, mas potenciais críticos para a reinvenção das práticas urbanas no contexto pós-Antropoceno.

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Publicado
2026-10-15
Como Citar
BELTRAME DOS SANTOS, T. A POLÍTICA DA LENTIDÃO: Seres lentos e insurgências no urbanismo dromocrático. PIXO - Revista de Arquitetura, Cidade e Contemporaneidade, v. 10, n. 38, p. 356-379, 15 out. 2026.