ENCENAR OS SABERES ETNOGRÁFICOS: PERSPECTIVAS MUSEOLÓGICAS SOBRE MÍDIAS DIGITAIS E EXPOSIÇÃO

Dominique Schoeni

Resumo


As tecnologias digitais têm diversificado os lugares da museologia e renovado as práticas de instituições comprometidas na tarefa de mapear os conhecimentos. De fato, as imagens digitais se prestam a todos os usos: arquivadas, exibidas, editadas, elas podem servir a simular, explicar, demonstrar, ou favorecer ao público as possibilidades de exploração. Mas além dessas semelhanças funcionais com as técnicas museológicas, a predominância dos meios digitais pode suscitar preocupações acerca do risco de confusão ou de nivelamento das diferenças e das singularidades nas realidades apresentadas. A experiência concreta de montagem de uma exposição, a partir da etnografia da ocupação de cabanas abandonadas por migrantes sem abrigo, nos levou, o sociólogo Nasser Tafferant e eu, a considerar as limitações das produções digitais no âmbito da etnografia. A encenação das condições precárias de moradia desses migrantes convocava as dimensões sensíveis, físicas, corporais do trabalho etnográfico para torná-las perceptíveis num espaço concreto do percurso expositivo. Estamos apostando que uma forma original de conhecimento pode emergir dessa aproximação da pesquisa etnográfica através da mídia da exposição.


Palavras-chave


etnografia; exposição; museologia; conhecimento; mídias digitais.

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DOI: https://doi.org/10.15210/tes.v2i2.4850

 

TESSITURAS | Revista de Antropologia e Arqueologia

Programa de Pós-Graduação em Antropologia  | Universidade Federal de Pelotas

 

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