A PANDEMIA COMO CRISE CAPITALISTA: DIÁLOGOS E QUESTIONAMENTOS A PARTIR DA ECONOMIA SOLIDÁRIA FEMINISTA

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Victória Mello Fernandes
https://orcid.org/0000-0002-8294-6128
Isabella Almeida dos Santos
https://orcid.org/0000-0001-5179-6529

Resumo

A presente pesquisa qualitativa tem um alcance exploratório, com o objetivo de pensar a crise humanitária e sanitária causada pela pandemia da Covid-19 como uma expressão das relações da colonialidade capitalista moderna. O sistema de acumulação capitalista se baseia em relações de produção que necessitam da exploração de alguns sujeitos para sua subsistência. Nesse sentido, busca-se articular as análises, aos apontamentos que  "economia solidária feminista" indica, ou seja, a necessidade de pensar formas alternativas de produção não predatórias, que valorizem os sujeitos das relações trabalhistas, assim como evidenciem a exclusão das mulheres do campo econômico. Parte-se do entendimento do sistema colonial-moderno como um padrão de poder de subalternização e dominação de alguns sujeitos, marcados historicamente por classificações como raça e gênero, que durante a pandemia foram as pessoas mais atingidas no Brasil. Traz-se ao corpus do trabalho dados de agências estatais e institutos de pesquisa, assim como notícias veiculadas em jornais nacionais para análise, as quais apontam um efeito das políticas públicas e vulnerabilidade econômica e social de mulheres negras durante o ano de 2020. Identifica-se que os efeitos da pandemia não são apenas consequências de políticas atuais, como a má assistência social, o baixo valor de auxílio emergencial e o possível superfaturamento de vacinas, mas também são resultados de uma sequência de decisões estatais como a precarização do trabalho

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Como Citar
Mello Fernandes, V., & Almeida dos Santos, I. (2024). A PANDEMIA COMO CRISE CAPITALISTA: DIÁLOGOS E QUESTIONAMENTOS A PARTIR DA ECONOMIA SOLIDÁRIA FEMINISTA. D’GENERUS: Revista De Estudos Feministas E De Gênero, 1(1), 250-267. Recuperado de https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/dgenerus/article/view/23071
Seção
Artigos
Biografia do Autor

Victória Mello Fernandes, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Mestranda em Sociologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na linha de pesquisa Violência, Conflitualidade, Direito e Cidadania. Vinculada ao Grupo de Pesquisa Violência e Cidadania (GPVC). Graduada emCiências Sociais/licenciatura na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, investigou no trabalho de conclusãode curso a educação de jovens e adultos na privação de liberdade, a partir do pensamento decolonial.Atualmente integra também o grupo de pesquisa Trabalho, Educação e Conhecimento (CNPq), coordenado pelaProf.Dra. Maria Clara Bueno Fischer. Tem experiências e interesse nos campos da Sociologia do Direito, Sociologiada Violência e Minorias Sociais, com ênfase em estudos sobre o cárcere e privação de liberdade, educação dejovens e adultos em contexto de privação e restrição de liberdade, educação formal, não formal e informal eeconomia solidária. Atua em oficinas de remição de pena pela leitura.

Isabella Almeida dos Santos, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Mestranda em Educação pelo Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na linha de pesquisa Trabalho, Movimentos Sociais e Educação. Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Pesquisa sobre educação de jovens e adultos em contexto de restrição e privação de liberdade e educação formal e informal. Participa do grupo de pesquisa Trabalho, Educação e Conhecimento (CNPq), no qual estuda sobre economia solidária e economia feminista.

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