Surtos de meningite por streptococcus suis sorotipo 1/2 em leitões de creche e terminação relacionados ao estresse térmico
Resumo
O Brasil é um dos grandes produtores e exportadores de carne suína. A elevada condição sanitária do rebanho coloca o país em destaque no cenário mundial. Dentro dessa perspectiva, cresce de importância a prevenção e o controle de doenças que possam afetar a cadeia produtiva da suinocultura. Streptococcus suis é uma bactéria Gram-positiva causadora de enormes prejuízos a atividade suinícola, elevando os custos com prevenção, tratamento, além das perdas por sequelas e mortes. Este trabalho tem como objetivo relatar quatro surtos de meningite estreptocócica em uma criação de suínos de ciclo completo no munícipio de Bento Gonçalves, estado do Rio Grande do Sul, Brasil, durante o ano de 2025. Em todos os casos os sinais neurológicos foram preponderantes (decúbito lateral, vocalização intensa, tremores musculares, movimentos de pedalagem e convulsões). As lesões macroscópicas (encéfalo com acentuada hiperemia difusa em vasos das leptomeninges com espessa camada de fibrina em região ventral de tronco encefálico e cerebelo), microscópicas (leptomeningite fibrinossupurativa acentuada e difusa) e o isolamento do agente confirmaram o diagnóstico. A taxa de morbidade variou de 0,8 a 3,2%, a mortalidade de 0,0 a 2,4%, e a letalidade de 0,0 a 100%. A queda da temperatura do ar variou de 15,02 a 7,90 oC entre a tarde do dia anterior e a manhã do dia dos surtos, evidenciando a importância do estresse térmico como fator predisponente na gênese da enfermidade.
