Disputa e poder simbólico
a materialização da religião na história urbana de Vitória da Conquista, BA
Resumo
O presente artigo objetiva analisar o papel da religião na consolidação e disputa simbólica do espaço urbano de Vitória da Conquista (BA). O foco recai na interpretação e análise da iconografia dos seis principais monumentos religiosos do município, dispostos em ordem cronológica de implantação: o Cruzeiro da Serra do Periperi (1926), a Catedral Metropolitana Nossa Senhora das Vitórias (1944), o Cristo de Mário Cravo (1980), o Monumento aos Dez Mandamentos (1982), o Monumento à Bíblia (1984) e a Estátua da Nossa Senhora das Vitórias (2005). A pesquisa investiga a aceitação iconográfica desses marcos e sua inserção no discurso religioso que estrutura a fundação e o desenvolvimento territorial. A metodologia combina levantamento bibliográfico com a aplicação do método fenomenológico e da semiótica para a interpretação da paisagem. Os resultados demonstram que a consolidação urbana da cidade foi impulsionada por uma memória fundacional fortemente católica, ratificada pela associação da própria emancipação do município a um evento milagroso. Contudo, a análise da iconografia revela uma disputa de poder no espaço público, marcada pela ascensão de símbolos evangélicos em contraposição à hegemonia católica histórica, refletindo as transformações socioculturais do território.