Caminhos Atlânticos

Memória, patrimônio e os africanos no tráfico de escravizados (séculos XVIII e XIX)

  • Moisés Correa da Silva UFRJ
  • Silmara Aparecida dos Santos ECEI, Lavras, Minas Gerais, Brasil

Resumo

O artigo analisa as formas de inscrição da memória da escravidão atlântica em dois marcos patrimoniais situados em lados distintos do oceano: o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, e a Porta do Não Retorno, em Uidá, atualmente no Benim. Parte-se do pressuposto de que a monumentalização da memória opera simultaneamente em registros materiais e imateriais, articulando dimensões históricas, políticas e sensoriais. A análise recorre, de um lado, ao Dossiê de Tombamento do Cais do Valongo, que consagra este sítio como patrimônio mundial e o inscreve em uma narrativa global da diáspora africana; de outro, dialoga com a interpretação proposta por Achille Zohoun acerca da Porta do Não Retorno, compreendida como dispositivo estético que atualiza emoções coletivas e reconfigura relações sociais no Benim contemporâneo. Ao aproximar esses dois aportes — o relatório institucional e a reflexão crítica — busca-se compreender como os lugares de memória da escravidão evocam um passado traumático e modulam as possibilidades de reconhecimento, reparação e pedagogia histórica. Argumenta-se que tais monumentos, longe de funcionarem apenas como vestígios ou cenários comemorativos, constituem-se em arenas de disputa, onde se entrelaçam experiências locais, políticas de Estado e diálogos transatlânticos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Moisés Correa da Silva, UFRJ

Historiador, curador e doutor em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atua nas áreas de História da África, cultura material, memória, patrimônio, museologia, Educação Patrimonial e Educação em Museus. Desenvolve pesquisas sobre África, coleções africanas, museus e experiências museológicas africanas e afro-diaspóricas, circulação de elementos materiais e artísticos e produção de narrativas em instituições culturais. Atualmente, está vinculado como consultor ao “Projeto Museu Nacional Vive” (Museu Nacional/UFRJ) e como professor substituto no Departamento de História da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). ORCID: https://orcid.org/0009-0008-9384-0717. E

Silmara Aparecida dos Santos, ECEI, Lavras, Minas Gerais, Brasil

Doutora em Educação pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Mestra em Educação e Graduada em Letras – Português/Inglês pela Universidade Federal de Lavras (UFLA). Tutora no Curso de Especialização em Gestão Escolar pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atua nas áreas de Educação, relações de gênero, desigualdade social, raça e etnia. Professora em efetivo exercício na rede privada. ORCID:https://orcid.org/0000-0003-2300-0348.

Publicado
2026-07-30