O butsudan como artefato de memória
materialidade e ressignificação na diáspora japonesa
Resumo
Este artigo investiga o butsudan, o altar doméstico japonês, como um artefato cultural complexo que converge religiosidade, memória e estética. Partindo de uma análise de sua materialidade, o estudo situa o objeto em seu contexto histórico de consolidação durante o Período Edo japonês, caracterizado pelo isolacionismo e pelo desenvolvimento de uma identidade cultural particular. Argumenta-se que o butsudan opera como um “espaço de recordação” (Assmann, 2016), cuja permanência é sustentada por contínuos processos de ressignificação. O arcabouço teórico integra estudos de memória cultural, identidade, hibridismo e crítica patrimonial para compreender não apenas a função ritual do altar, mas também seu papel na diáspora e na preservação de uma estética e artesanato tradicionais face às mudanças temporais. A base metodológica desta pesquisa é a análise bibliográfica, mediante a articulação de enfoques teórico, documental e simbólico, a fim de interpretar o butsudan enquanto patrimônio e locus de memória (Lakatos & Marconi, 2003).