O butsudan como artefato de memória

materialidade e ressignificação na diáspora japonesa

Resumo

Este artigo investiga o butsudan, o altar doméstico japonês, como um artefato cultural complexo que converge religiosidade, memória e estética. Partindo de uma análise de sua materialidade, o estudo situa o objeto em seu contexto histórico de consolidação durante o Período Edo japonês, caracterizado pelo isolacionismo e pelo desenvolvimento de uma identidade cultural particular. Argumenta-se que o butsudan opera como um “espaço de recordação” (Assmann, 2016), cuja permanência é sustentada por contínuos processos de ressignificação. O arcabouço teórico integra estudos de memória cultural, identidade, hibridismo e crítica patrimonial para compreender não apenas a função ritual do altar, mas também seu papel na diáspora e na preservação de uma estética e artesanato tradicionais face às mudanças temporais. A base metodológica desta pesquisa é a análise bibliográfica, mediante a articulação de enfoques teórico, documental e simbólico, a fim de interpretar o butsudan enquanto patrimônio e locus de memória (Lakatos & Marconi, 2003).

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Biografia do Autor

Yun Isobe, Universidade Federal do Pará

Discente de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Patrimônio Cultural da Universidade Federal do Pará e Bacharel em Artes Visuais pela Universidade Federal do Pará, perfazendo sua graduação com a realização de sua primeira exposição individual, "Seijin no Hi", a qual explora sua origem e o processo de formação enquanto nipo-amazônida. Em sua trajetória, ademais, cabe mencionar sua participação nas exposições coletivas: "Primeiras Experiências Tridimensionais" e "Experimentações em Cerâmica", realizadas na Faculdade de Artes Visuais da UFPA, a exposição "Navegantes", organizada pela Associação Fotoativa, e a exposição "Degenerado Tibira: O desbatismo" na Galeria Graça Landeira, a última em colaboração com a artista Tainá Leal, na obra "Luz Fugaz". Seu trabalho, utiliza uma abordagem multifacetada da linguagem das artes visuais, busca não apenas refletir sobre sua identidade mestiça, mas também abordar questões de luto e relações familiares. Com dedicação aos estudos e ao aprimoramento contínuo como artista e pesquisadora, seus objetivos incluem: a participação em exposições e pesquisas, com foco em temas como patrimônio, memórias e identidades híbridas.

Wanessa Pires Lott, Universidade Federal do Pará

Possui graduação em História pela Universidade Federal de Minas Gerais e graduação em Museologia pela Claretiano. Mestrado em Ciências Sociais/Gestão de Cidades pela PUC/MG e em Antropologia pela UFMG. Doutorado pelo Programa de Pós-graduação em História da UFMG. Professora Adjunta nos cursos de Bacharelado em Museologia, em Conservação e Restauro, no Programa de Pós-Graduação em Ciências do Patrimônio Cultural (PPGPatri) na UFPA. Tem experiência na área de História e Antropologia, atuando principalmente nos temas que tangem o Patrimônio.

Publicado
2026-07-30