Cartografias do Cotidiano
Reimaginando a Pequena África
Resumo
Partindo da experiência curatorial da exposição ”Cartografias do Cotidiano” no Laboratório Aberto de Arqueologia Urbana (LAAU), analisaremos as conexões metodológicas entre a arqueologia urbana e a arte contemporânea para a construção de imaginários sobre o Rio de Janeiro. Justapõe-se o trabalho científico do LAAU, focado nos vestígios soterrados da Pequena África, à prática artística de Getúlio Damado, definida como uma "arqueologia do tempo presente" (garbologia) que transforma material reciclado em memória. Propõe-se que ambas as práticas funcionam como um espelho metodológico que exige exercício de "fabulação crítica" (Hartman, 2020) para construir uma "cartografia sentimental" (Rolnik, 2011) na interpretação dos fragmentos, sejam vestígios do passado (o artefato) ou refugos do presente (o lixo). A justaposição destes universos revela tensões entre memória e descarte, patrimônio e consumo, e propõe que a recusa em reproduzir narrativas oficiais é um método ético para questionar sobre quais narrativas as arqueologias do futuro serão construídas.