Penca de balangandãs
da representação do exótico à patrimônio musealizado
Resumo
A penca de balangandãs é uma joia afro-luso-brasileira utilizada por mulheres negras à cintura, entre fins do século XVIII e início do XX. Descrita em relatos de viajantes, pintada e fotografada por autores nacionais e estrangeiros, perpetuou-se, inicialmente, por representar o exotismo do Brasil e, em especial, da mulher negra. A partir da Era Vargas (1930-1945) tornou-se um dos símbolos da identidade nacional devido ao enaltecimento de alguns bens frutos da miscigenação do povo brasileiro pelo Estado. Através de fontes bibliográficas, documentais e visitas à museus que possuem em suas coleções pencas de balangandãs musealizadas, objetiva-se apresentar como o objeto tornou-se um bem cultural afrodiaspórico brasileiro por meio da musealidade e musealização, a partir de 1930. Os resultados relacionam a musealização a riqueza do Brasil Imperial, a originalidade do objeto e traje das portadoras e, mais recentemente, ao protagonismo das negras de ganho no período da escravidão e pós-abolição.
Palavras-chave: penca de balangandãs; musealidade; musealização.