A importância do grafite na preservação da memória coletiva em museus de território
Resumo
As memórias relacionadas ao território tecem uma rede afetiva que conecta os sujeitos às experiências compartilhadas no espaço. Elas promovem uma troca discursiva de sentimentos, lembranças e narrativas, reforçando a identidade coletiva e a constituição de vínculos de pertencimento. Nesse contexto, a diversidade cultural e artística presente nas comunidades amplia as formas de diálogo e circulação de discursos, favorecendo a construção e o fortalecimento da memória coletiva. Entre elas, a prática do grafite segue como linguagem estética de afirmação cultural, mas também na tentativa de romper com o signo de atividade marginalizada classificada pela perspectiva normativa. O presente artigo pretende analisar exposições de grafite presentes em museus de território como forma de reivindicar direitos, preservar e fortalecer a memória coletiva e promover o deslocamento de olhares. Para isso, serão discutidos dois percursos presentes em museus comunitários cariocas: a exposição Casas-Tela, do Museu de Favela do Rio de Janeiro; e o circuito Murais Pelo Fim da Violência Doméstica, presente no Museu Vivo Rede Nami. O aporte teórico está baseado em estudos envolvendo a memória coletiva como uma das formas essenciais de reconhecimento da história de grupos socialmente segregados; à luz dos conceitos da museologia social como método de comunicação e identificação dos sujeitos com o território; e de pesquisas que relacionam a comunicação não-verbal como forma de discurso político. Nossos resultados revelam que o grafite, quando incorporado às práticas de museus de território, desempenha papel fundamental na preservação da memória coletiva e na ampliação do debate público sobre questões socialmente sensíveis.