Dissidências esculpidas no mármore
efeitos contemporâneos da supressão e impressão da memória na arte monumental
Resumo
Investigando algumas das condições de permanência da arte monumental na contemporaneidade, este artigo pondera os contornos recentes das discussões sobre o patrimônio edificado a partir da disputa acerca da remoção de um memorial ao general estadunidense Robert Edward Lee em Charlottesville, Virgínia. Instalando uma indagação na fissura entre a objetividade material do patrimônio e a sua subjetividade social, a pesquisa realizada através de análise histórico-documental reconstrói um dado recorte do percurso jurídico-administrativo do caso, conjugando a decisão da Suprema Corte a respeito do destino final do monumento ao papel do ativismo digital nesse processo. Em conclusão, são discutidos exemplares de subversão estética contramonumental, originados do percurso de ressignificação do memorial ao militar, viabilizando o reconhecimento de relevos patrimoniais da memória social cujo revisionismo tem se intensificado no ritmo das últimas globalizações, ocasionando disputas político-identitárias que inviabilizam a fixação prolongada de certos significados históricos.