"Festa das balas". Historiografia da nota vermelha no México: Carlos Monsiváis em face do "narco"
Resumo
Este trabalho busca reconstruir as propostas do cronista mexicano Carlos Monsiváis, compiladas no livro Los mil y un velorios. Crónica de la nota roja en México, publicado originalmente em 1994. É um volume que faz uma genealogia do gênero de notícias ou crônica policial e sua evolução histórica nos jornais do país, desde o início do século passado até os dias atuais. Foi reeditado quinze anos depois, em 2009, e, como indica o autor em nota preliminar, adquiriu um novo significado nesse contexto de espiral de violência no contexto da "guerra às drogas". Nota-se que o próprio gênero de nota roja sofreu transformações à medida que os crimes se transmutaram; passou de assassinatos a massacres e, portanto, da singularidade e do próprio nome ao anonimato em massa sem justiça. É por isso que nos interessa rever os postulados de Monsivais sobre o gênero jornalístico em questão, com a hipótese de que a nota roja funcionaria como um "hipotexto" (Genette, 1989) de certas narrativas posteriores sobre o crime, o que aumentaria sua promoção mais tarde no novo milênio. A nota roja, por meio de seu meio – o jornal – por meio de sua circulação e consumo de massa, constrói a lealdade de um público urbano que dá rédea solta ao cultivo na leitura de suas paixões mórbidas, e estabelece certos modos de representação espetacularizante e ficcionalização do crime, que será a condição de possibilidade dos múltiplos produtos da chamada "narcocultura" (romances, romances, novelas histórias, crônicas, séries de televisão), apareceu no início do século.
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Referências
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