“GRANDE SERTÃO” NA IMPRENSA DOS EUA: A RECEPÇÃO MIDIÁTICA DE “THE DEVIL TO PAY IN THE BACKLANDS”
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Resumo
Este artigo investiga a recepção midiática de Grande sertão: veredas (1956), de Guimarães Rosa, na imprensa dos EUA (1963-1970), examinando como resenhas, colunas e listas de bibliotecas traduziram socialmente o romance em inglês. Metodologicamente, compõe-se um corpus sistemático de jornais (Newspapers.com), em 35 textos, com codificação indutivo-dedutiva de categorias (“Brazilian Western”, dificuldade em tradução, metafísica/experimentalismo, exotização vs. historicidade) e comparação transversal por ano e veículo. Teoricamente, articulam-se sociologia da tradução e estudos midiáticos de circulação (Sapiro, 2016; Thompson, 2021), paratextos (Batchelor, 2018), a noção de “born-translated” (Walkowitz, 2015), domesticação/fluência (Venuti, 2019) e “modos de apego” (Felski, 2020; 2015). Os resultados indicam a estabilização de um regime ambivalente de legibilidade, no qual rótulos domesticadores facilitaram a entrada do leitor enquanto a “dificuldade” foi convertida em valor estético. Evidenciam também a centralidade de metadados, capas, orelhas e press releases na formação de expectativas, e mostram o deslocamento da avaliação do “estilo” para a mediação tradutória, com sugestões de leitura gradual que moldaram a circulação transnacional do romance em tela. O estudo sugere que a fortuna crítico-midiática internacional da obra dependeu menos de uma essência intraduzível e mais da engenharia de mediações que a tornaram legível.
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