Equinos sororreagentes para Burkholderia mallei no Rio Grande do Sul (2020–2023): dinâmicas de circulação

  • Micael Feliciano Machado Lopes Universidade Federal de Pelotas
  • Marcos Eduardo Neto Universidade Federal de Pelotas
  • Leandro Américo Rafael Universidade Federal de Pelotas
  • Thyago Raymundi Nygaard Universidade Federal de Pelotas
  • Carlos Eduardo Wayne Nogueira Universidade Federal de Pelotas
  • Paulo André Santos Coelho de Souza Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação - RS
Palavras-chave: Diagnóstico laboratorial, Levantamento geográfico, Controle e erradicação, Equídeos, Zoonose

Resumo

O Mormo é uma zoonose de notificação compulsória causada pela bactéria Burkholderia mallei, com diagnóstico regulamentado no Brasil pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que adota os testes ELISA (triagem) e Western Blotting (confirmação). A partir de 2023, com a Portaria MAPA nº 593, a presença de sinais clínicos passou a ser exigida para confirmação. Fatores de confundimento dificultam a diferenciação entre infecções por B. mallei e B. pseudomallei. A resposta clínica à infecção varia entre espécies da família Equidae: cavalos tendem à forma crônica, enquanto muares e asininos apresentam formas agudas. A qualificação dos métodos diagnósticos, a compreensão da epidemiologia e a diferenciação entre as espécies de Burkholderia são essenciais, considerando a virulência, transmissão ambiental e o papel de portadores assintomáticos. Este estudo investigou a sororreatividade para B. mallei em equinos no Rio Grande do Sul (RS) entre 2020 e 2023, associando dados clínicos, distribuição geográfica e movimentação animal. Foram analisadas 199 amostras com resultado soropositivo, correlacionadas à localização e presença de sinais clínicos. A metodologia incluiu seleção de casos positivos, análise clínica e elaboração de um mapa de movimentação por mesorregiões. Os resultados indicam a presença de cavalos soropositivos, com destaque para a Região Metropolitana de Porto Alegre, onde há elevada concentração de movimentação de equinos e alta densidade populacional, um cenário favorável à possível característica endêmica da doença. A expressiva proporção de animais assintomáticos expõe fragilidade nos critérios diagnósticos atuais, reforçando a necessidade de estratégias de vigilância mais sensíveis, integradas e territorialmente orientadas.

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Biografia do Autor

Micael Feliciano Machado Lopes, Universidade Federal de Pelotas

Médico Veterinário, Especialista em Clínica Médica de Equinos, Universidade Federal de Pelotas

Marcos Eduardo Neto, Universidade Federal de Pelotas

Médico Veterinário, Doutorando, Programa de Pós-Graduação em Veterinária, Universidade Federal de Pelotas

Leandro Américo Rafael, Universidade Federal de Pelotas

Médico Veterinário, Mestre, Doutor, Técnico Administrativo em Educação, Faculdade de Veterinária, Universidade Federal de Pelotas

Thyago Raymundi Nygaard, Universidade Federal de Pelotas

Graduando, Faculdade de Veterinária, Universidade Federal de Pelotas

Carlos Eduardo Wayne Nogueira, Universidade Federal de Pelotas

Médico Veterinário, Mestre, Doutor, Professor Titular, Faculdade de Veterinária, Universidade Federal de Pelotas

Paulo André Santos Coelho de Souza, Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação - RS

Médico Veterinário, Analista Agropecuário e Florestal, Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do estado do Rio Grande do Sul

Publicado
2026-04-16
Como Citar
Machado Lopes, M. F., Neto, M. E., Rafael, L. A., Raymundi Nygaard, T., Wayne Nogueira, C. E., & Santos Coelho de Souza, P. A. (2026). Equinos sororreagentes para Burkholderia mallei no Rio Grande do Sul (2020–2023): dinâmicas de circulação. Science and Animal Health, 14, 08-27. https://doi.org/10.15210/sah.v14i.29475
Seção
Medicina Veterinária Preventiva