Liberdade (neo)liberal: que liberdade é essa?

Fernando Scheeffer, Henrique Cignachi

Resumo


Tema importante na teoria política é o de liberdade. Com uma ampla gama de significados, no seu sentido negativo, entendido como não interferência, trás reflexos práticos claramente distinguíveis no campo da ação política. Nesta ótica, o ideário (neo)liberal se apropria deste conceito para em prol da liberdade, tida como bem supremo, defender a diminuição do Estado. Neste sentido, o presente artigo tem como intuito questionar esta premissa que alicerça o pensamento (neo)liberal. Que liberdade é essa alcançada, sobretudo pelas classes menos favorecidas, diante do encolhimento do Estado? Diante do pequeno rol de opções que o pobre acaba tendo e que dificulta o exercício da cidadania, parece ser uma falácia a concepção de que na “corrida” rumo ao sucesso, todos tem igualdade de oportunidades. Nesta perspectiva, a crença bastante presente de que a pobreza pode ser explicada por falta de esforço diante de uma clara possibilidade de ascensão de todos os competidores no mercado não passa de uma
ilusão, assim como a tese de que a não interferência estatal garante a tão almejada liberdade individual. Este pensamento parece muito mais uma forma de privilegiar uma parcela diminuta da população e encobrir um modo de produção injusto e excludente.

Palavras-chave


Liberdade; (Neo)Liberal; Pobre

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DOI: http://dx.doi.org/10.15210/pp.v0i12.3177