Fachadas que falam, fundos que calam
tensionamentos entre a gestão patrimonial e a especulação imobiliária no Balaústre de Viçosa (MG)
Resumo
Este artigo analisa o modelo de gestão do patrimônio cultural em Viçosa (MG), com ênfase na preservação do conjunto arquitetônico do Balaústre, localizado na região central da cidade. Essa área enfrenta impactos da especulação imobiliária, agravados por sucessivas alterações nas leis de uso e ocupação do solo. Parte-se da hipótese de que os instrumentos de proteção patrimonial apresentam fragilidades em sua aplicação. O estudo adota abordagem qualitativa, combinando estudo de caso e análise situacional, com base em revisão bibliográfica, análise documental e registros fotográficos. Os resultados indicam a existência de um modelo de gestão patrimonial assimétrico, marcado por disputas entre o poder público e o setor construtivo privado. Conclui-se que a efetividade da preservação depende da integração entre o planejamento urbano e as políticas culturais, da ampliação dos mecanismos de participação comunitária e da valorização dos bens culturais como referências identitárias e de memória social.