A cidade como território indígena
contribuições históricas e etnológicas para a compreensão da experiência Tabajara em Piripiri/PI
Resumo
O estudo em tela discute, em perspectiva histórica, etnológica e etnográfica, o lugar do indígena no urbano brasileiro. Parte de uma análise historiográfica acerca da presença indígena em Vilas e Lugares do período colonial nos estados do Ceará e Piauí e, em seguida, aborda etnograficamente a experiência Tabajara no urbano contemporâneo de Piripiri/PI, enfatizando, entre outros, formas de organização familiar, de práticas culturais e dos modos de uso do território. O estudo objetiva contribuir, assim, para o debate sobre a presença indígena nas cidades brasileiras e para a valorização de suas territorialidades enquanto dimensões de construção urbana e social. Nesse sentido, contrapõe, com base nos argumentos de etnicidade e de fricção interétnica de Barth (2005), a noção fortemente arraigada no imaginário brasileiro de que o indígena não habita e não produz o urbano ou, quando o faz, incorre em perda cultural mediante processos assimilacionistas da sociedade nacional envolvente. Argumentos esses reforçados pelo cotidiano dos Tabajara em Piripiri/PI, onde constituem parte fundamental das memórias, dos projetos e dos fluxos cotidianos de pessoas, objetos, discursos, saberes e identidades no urbano aqui entendido como território indígena.