NO LABIRINTO DA DEPENDÊNCIA A CAMINHO DA AUTONOMIA: CONSIDERAÇÕES "DESVIANTES" SOBRE A HISTORIOGRAFIA LITERÁRIA DA AMÉRICA LATINA ENTRE IDENTIDADES E DESLOCAMENTOS
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Resumo
Este artigo se propõe a explorar a historiografia literária da América Latina (AL) sob uma perspectiva crítica que supõe, por hipótese, a recorrência do uso de dicotomias como elemento que permeia e constrange a formação discursiva tecida na escrita da história do continente. Em face do quadro histórico de colonialidade que persiste como sentido do fenômeno social e cultural “latino-americano”, a historiografia literária se depara com a problemática de ordem da estética identitária: a situação de dependência histórica em que estamos colocados diante do mundo europeu – o nosso “labirinto de dependência” – é revivida no uso do léxico dualista internalizado que prolonga, com efeito, uma relação assimétrica com o pensamento eurocêntrico. Na produção literária de perspectiva culturalista da Latino-América, o recorrido binarismo acentuado residente nos debates envolvendo os conceitos “originalidade X cópia”, “modernidade X atraso”, “autonomia X dependência” e “civilização x barbárie” têm re-atualizado a dependência em sua dimensão cultural: a definição de identidades ainda sob o molde da alteridade dos modelos europeus. Como passarmos, portanto, da crítica da condição sociocultural à escrita desviante de uma história híbrida, heterogênea e singular?
Palavras-chave: Escrita da história; História da literatura; América Latina; colonialidade; dependência.
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