IMPRENSA, LITERATURA E SANGUE: UMA BREVE GENEALOGIA DO TRUE CRIME
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Resumo
O presente artigo analisa a construção histórica e cultural do gênero true crime, acompanhando sua trajetória desde as narrativas religiosas e exemplares até as produções contemporâneas em livros, televisão, podcasts e plataformas de streaming. O objetivo é compreender de que modo a violência, antes situada em contextos pedagógico-religiosos ou científicos, passou a ser narrada como espetáculo midiático e mercadoria cultural. Para isso, adota-se uma abordagem histórico-cultural, com ênfase no contexto norte-americano — onde o gênero se consolidou como objeto acadêmico — em diálogo com as especificidades brasileiras. Os resultados indicam que o true crime não pode ser reduzido a mero entretenimento, pois também cumpre funções de denúncia, revisão judicial e preservação de memórias, ainda que frequentemente estetize a violência e reproduza preconceitos sociais. Conclui-se que o gênero se caracteriza por uma ambivalência constitutiva, situada entre documento e espetáculo, reflexão crítica e exploração do sofrimento, revelando sua centralidade no imaginário cultural contemporâneo.
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