Massificação digital

a estratégia moderna de veiculação do populismo

Palavras-chave: Populismo, Massificação, Algoritmo, Fragilidade Democrática

Resumo

A História mostra que a estratégia populista e os discursos psicologicamente trabalhados, no intuito de alcançar comoção social para conquistar eleitores, escondem um perfil político opressor. Tal ardil político remonta ao Império Romano, enquanto a palavra e o seu conceito nos remetem ao século XIX. Desde 1970, a imprensa é estudada como instrumento veiculador dessas práticas, de tal forma que, alguns autores chegam a apontá-la como uma espécie de quarto poder. Ocorre que a Era Tecnológica, inaugurada pela inteligência artificial, amplia as formas de captação de eleitores, aflorando como instrumento mais eficiente, superando os veículos de comunicação tradicionais e potencializando resultados neste sentido. O caso Cambridge Analytica e a comercialização de dados trouxe à tona o fenômeno da massificação digital e a fragilidade das democracias. A pesquisa aborda essa nova realidade e aponta para as consequências vivenciadas pelo mundo, fazendo uma revisão bibliográfica, doutrinária e hemerográfica do assunto, a partir de uma abordagem qualitativa, com resultados confirmadores de que a massificação digital é instrumento eficaz na captação de eleitores, na manipulação de mentes e no domínio político, hodiernamente, a partir do uso da inteligência artificial e da sistemática algorítmica.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Maria Christina Morais, Universidade Federal da Paraíba

Mestranda em Ciências Jurídicas pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Especialista em Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho pela Universidade Gama Filho – UGF. Graduada em Direito pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB. Advogada. Membro do grupo de pesquisa "Macrocrises Jurídicas do Século XXI" / UFPB/ Cnpq.

Referências

BBC News. Entenda o escândalo de uso político de dados que derrubou valor do Facebook e o colocou na mira de autoridades. 2018.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988.

CAPELATO, Maria Helena; PRADO, Maria Lígia. O Bravo Matutino. São Paulo: Editora Alfa-Omega, 1980.

CAPELATO, Maria Helena. Mídia e Populismo/Populismo e Mídia. In: Revista Contracampo, v.28, n.3. Niteroi: Cantracampo, 2013. p. 52-72.

DASGUPTA, Sanjov, PAPADIMITRIOU, Christos e VASIRANI, Umesh, Algoritmos. Tradução técnica Guilherme A. Pinto. São Paulo: McGraw-Hill, 2009.

FERREIRA, Jorge. O Nome e a Coisa: o populismo na política brasileira. In: FERREIRA, Jorge. O populismo e sua história: debate e crítica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017.

FINGUERUT, Ariel. Donald Trump: a volta da retórica populista. 2016.

KAPLAN, Andreas. Artificial intelligence, social media, and fake news: is this the end of democracy? In: Digital transformation in media & society. 2020.

LIJPHART, Arend. Modelos de democracia: desempenho e padrões de governo em 36 países. Tradução de Vera Caputo. Rio de Janeiro. Editora Civilização Brasileira, 2019.

MATOS, Olgária Chain Féres. A escola de Frankfurt: luzes e sombras do iluminismo. São Paulo: Moderna. 2006.

MORAES, Alexandre de. Decisão do Inquérito nº 4.879. 2023.

PERES, Paulo Sérgio. Comportamento ou instituições? a evolução histórica do neo-institucionalismo da ciência política. Revista Brasileira de Ciências Sociais. Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais – ANPOCS. Vol. 23. nº 68. p. 53-71. 2008.

ROCHA, João Cezar de Castro. Introdução à guerra cultural bolsonarista – a retórica do ódio. Estado da Arte – revista, cultura e artes. 2020.

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Inquérito nº 4.879. Revista do STF - Número 105; Brasília, DF: STF, dez. 2022.

ZIVIANI, Nivio. Projeto de algoritmos com implementaçoes em pascal e c. São Paulo: Editora Cengage Learning Edições Ltda, 2011.

Publicado
2023-10-03
Como Citar
Morais, M. C. (2023). Massificação digital: a estratégia moderna de veiculação do populismo. Perspectivas Sociais, 9(01), 165-184. https://doi.org/10.15210/rps.v9i01.25259