Tempo e experiência:
articulações (im)possiveis para/na Educação Infantil
Resumo
Iniciado pela ideia de um “tempo-quando” proposto por Manoel de Barros, o texto, costurado pela poética do autor, coloca sob suspeita as lógicas subjacentes aos significantes tempo e experiência, inquirindo políticas curriculares como forma de escamotear políticas e práticas homogeneizadoras. Resistir à tirania do tempo e das definições prévias de experiência faz-nos questionar a BNCC como documento curricular que se impõe como caminho salvífico para uma educação de qualidade ao evocar um tempo linear e literal que dialogue com experiências linearmente e literalmente organizadas e predefinidas. Noutra direção, clama por um currículo como produção cultural que se dá em meio às relações e que, como tal, se abre para caminhos (im)possíveis, (im)previsíveis que acontecem no cotidiano da Educação Infantil. Em meio a esse debate, traz à cena uma experiência vivida com crianças de cinco anos em uma escola de Educação Infantil como possibilidade de fazer reverberar reflexões que coloquem sob suspeita um currículo que se constitui à priori. Em seus provisórios encaminhamentos, elucida perspectivas que desloquem o currículo da lógica de fechamento, irrompendo como caminho para contrapor-se à ideia de falta, incompletude, inacabamento, projetando um lugar outro para as crianças e para suas experiências.
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Referências
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