Fascismo, redes sociais e educação

Resumo

Em consonância com a caracterização feita por Umberto Eco, este artigo assume a definição de fascismo como um modo de ver o mundo que recusa os avanços da modernidade e impede o desenvolvimento da sensibilidade estética. Assume também a metáfora proposta por John McDermott, segundo a qual o fascismo é como um vírus: pode permanecer latente por longo tempo, aguardando o momento certo para destruir as instituições democráticas, situação que tem acontecido em anos recentes. A primeira parte do artigo analisará as redes sociais como o meio mais eficaz para a propagação do vírus do fascismo, tornando os indivíduos incapazes de ter sensibilidade estética. A segunda parte assumirá que esse problema só pode ser combatido por uma educação humanista, tal como se encontra na filosofia educacional de John Dewey. Para efetivar esse combate, faz-se necessário reunir conceitos adequados a este fim, razão pela qual o artigo buscará o auxílio das concepções morais e éticas do Círculo de Bakhtin.

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Biografia do Autor

Marcus Vinicius Cunha, Universidade de São Paulo - USP

Doutor em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Professor Associado da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, docente do Programa de Pós-Graduação em Educação dessa mesma instituição e líder do Grupo de Pesquisa ‘Retórica e Argumentação na Pedagogia’. Pesquisa temas relativos à filosofia educacional de John Dewey.

Bárbara Fernanda Freitas, Universidade de São Paulo - USP

Graduada em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo e mestranda no Programa de Pós-Graduação em Educação dessa mesma instituição. Pesquisa na área de políticas públicas e gestão educacional com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

João Vítor Zanato de Carvalho Ribeiro, Universidade de São Paulo - USP

Licenciado em Artes Cênicas pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo e doutorando no Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Pesquisa temáticas relativas à linguagem, com ênfase em Círculo de Bakhtin

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Publicado
2026-03-16
Como Citar
Cunha, M. V., Freitas, B. F., & Ribeiro, J. V. Z. de C. (2026). Fascismo, redes sociais e educação. Cadernos De Educação, (70). https://doi.org/10.46848/27575
Seção
Artigos