Pânico moral, neoconservadorismo e megafascismo:
disputas pela educação brasileira
Resumo
Este artigo analisa o agenciamento de novos pânicos morais no campo educacional brasileiro, examinando como discursos neoconservadores vêm capturando a educação pública como espaço privilegiado de disputas morais e políticas no neoliberalismo. Partindo de referencial teórico ancorado nos estudos sobre pânico moral, neoconservadorismo e megafascismo contemporâneo, o texto prioriza a compreensão da centralidade assumida pelas temáticas da insegurança pública e do alegado fácil acesso às drogas como dispositivos de produção do pânico moral. A pesquisa mobiliza análise documental, dados de opinião pública e exame de proposições legislativas recentes para mostrar como tais agendas operam na justificativa de medidas punitivistas, militarização escolar e restrições à liberdade de cátedra. Argumenta-se que tais processos favorecem a moralização do currículo, o esvaziamento da formação crítica e a consolidação de práticas autoritárias no interior do Estado democrático de direito, tensionando a laicidade, a cientificidade e o caráter público da educação.
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